sábado, 9 de maio de 2009

Convergências ideológicas

a) Ideologias vitais> que estão dispostas para a vida e sua conservação e mortais> que estão dispostas para a morte.b) Ideologias pacifistas> que promovem a paz e belicosas> que promovem a guerra.c) Ideologias sociais> que tendem ao bem comum e individuais> que tendem a satisfação do individuo.d) ideologias humanistas> que teem em vista a afirmação do fenômeno humano e anti-humanistas> que de alguma forma procuram obliterar ou minimizar ao fenômeno humano.e) Ideologias realistas> que estão pautadas da analise da realidade e romanticas> pautadas em gostos ou emoções.

Antes de iniciar o estudo das convergências devo fazer uma ressalva a um tempo justo e a um tempo necessária: sempre que me referir ao protestantismo estou me referindo a um tipo de protestantismo específico, ao protestantismo Calvinista, fundamentalista e judaizante que se auto intitula ORTODOXO, enquanto herdeiro e guardião da tradição reformada. Excluo portanto de minha analise protestantismo liberal que repudiou a dita tradição e aqueles substratos em que se desenvolveu uma telogia de libertação tendo em vista a emancipação integral do homem que é a única emancipação real.

Nossa disputação não tem por objeto a Fosdick, Bronw, Orecchia, Bonhoeffer, Bultmann ou Tillich - mesmo sabendo que eles sequer admitiam a Trindade divina sendo por isso mesmo encarados como apóstatas pelos 'ortodoxos' - mas Lutero ou melhor dizendo Calvino, Knox et aliae pois em Lutero, por pior que seja ainda nos deparamos com valores autenticamente Cristãos e ao luteranismo podemos encarar como uma espécie de transição do catolicismo romanizado para o protestantismo em sua forma pura.

Perdoem-nos os não calvinistas mas não podemos discordar dos calvinistas quando estes afirmam que o calvinismo é o protestantismo puro e ortodoxo plenamente despojado da tradição já romana, já catolica...

Lutero contentou mais com destruir sem saber muito bem o que estava edificando, dando voltas, indo e vindo, exitando, conciliando, etc

Calvino é o construtor ou edificador que lança os fundamentos a casa. Nele já não há nenhum amor a tradição e nenhum apreço pela herança medieval... para ele não existem adiaforas ou teologumenas a serem tolerados mas apenas o livro de Moisés cuja dignidade precisa ser restabelecida.

É pois a esse protestantismo que nós e os calvinistas encaramos como ortodoxo que pretendemos analisar tentando demonstrar suas convergências ideologicas em oposição as convergência ideologicas pertinentes aos modelos romano, espirita e especialmente ao modelo ortodoxo (refiro-me as Cristandades apostólicas do Oriente).

Convergência para a vida:

Quando o imperador Maximus instigado pelo fanático Itacio de Ossonoba mandou justiçar o herético Prisciliano, a Igreja de pronto excomungou a Itácio e condenou oficialmente a dita execução pela boca de seus principais líderes como S Martinho de Tuors, S Ambrósio de Milão e Jerônimo de Stridon.

Fiel a tais exemplos a Igreja ortodoxa jamais apoiou a qualquer tipo de inquisição ou tribunal de fé. Roma entretanto veio a erigi-lo apesar das advertências de Waso e Bernardo...

Quanto a pena capital é notório o exemplo de S João Crisóstomo, o qual defendeu com suas palavras de ouro ao ex ministro Eutrópio acusado de felônia e condenado a morte.

Também foi registrada pela História a atitude heróica de S Ambrósio, o qual mandou o imperador Teodósius fazer penitência canônica por ter feito correr o sangue dos tessalonicensses.

A escravidão foi explicitamente condenada pelo mesmo Crisóstomo e por S Patrício que qualificou-a como anti-natural.

E o bemaventurado Agostinho pela primeira vez classificou as guerras em justas e injustas conforme os estados eram invadidos ou invasores e condenou irremissivelmente o segundo tipo como incompativel com o espírito daquele que disse: Ditosos os pacíficos.

Apesar da pressão exercida pelos imperadores de alma pagã a igreja antiga sempre tendeu para a vida conforme Cristo havia dito a Pedro: Guarda a tua espada na bainha, e conforme Tertuliano havia comentado: Quando disse a Pedro> guarda tua espada disse-o a todo Cristão.

E se posteriormente a igreja assumiu compromissos que não refletem a vontade de seu Senhor jamais arrenegou a estas santas e venerandas tradições que ora citamos, reconhecendo antes sua infidelidade...


Convergência para a morte:


Como fizemos questão de observar nem Cristo, nem seus apóstolos, nem os mártires e tampouco nossos padres teóforos empregaram violência contra aqueles que não quizeram dar ouvidos a suas palavras.

Calvino porém se manteve na senda maligna que fora aberta pela igreja papalina e fez executar até mesmo mulheres octagenárias e crianças de oito anos pela inquisição genebrina, conforme podemos ler na vida do piíssimo Seb. Castellion escrita pelo judeu S. Zweig. Para não falarmos em M Server e J Gruet...

Entretanto sabemos que "A vida eterna não habita no matador."

Também os Zwinglianos de Zurique tomaram ao lider anabatista Felix Mainz e atiraram-no ao rio atado a uma grade... e os de Basel fizeram supliciar ao unitario Gentile e encinerar aos restos de David Joris...

Por isso não acreditamos nesta reformação porque justamente o que é mais importante aos olhos de Nosso Senhor Jesus Cristo: a vida humana e sua dignidade não sofreu reformação alguma... Se o romanismo tornou-se assassino com o tempo o protestantismo ortodoxo já nascei assassinando.

Quanto a pena capital ignoro supinamente qualquer tentativa da parte dos protestantes ortodoxos no sentido de aboli-la ou sequer de denuncia-la como ímpia. Sei entretanto que mesmo aqui no Brasil muitos aguardam ansiosamente o dia em que um governo de deus restabelerá a pena de Talião e que nos EUA os fundamentalistas apoiam a instituição da pena capital recorrendo a autoridade do Velho Testamento.

Quanto a escravidão é assaz conhecido o papel desempenhado pela Inglaterra no que diz respeito ao tráfico de peças humanas ou de negros. Quando moço cheguei a ler a biografia de um protestante ingles do século XVIII que se dedicava a esse mistér e que mesmo depois de ter tido "uma experiência com Cristo" (E que Cristo) permaneceu vinculado a ele, TENDO MATADO INCLUSIVE, ALGUNS ESCRAVOS QUE TENTARAM FUGIR!!! Depois lí as "Negras raizes" de Hailey e pude compreender porque alguns de nossos historiadores afirmaram ter sido a escravidão ianque muito mais dura e cruel do que a escravidão brasílica... a ponto de um dos personagens principais - muçulmano de origem - referir-se a Nosso Senhor Jesus Cristo como a um 'Alla' (Deus) do mal, tendo em vista o tratamento degradante que receberá dos filhos de Calvino.

Lembrei-me também de ter lido ou em José Hon. Rodrigues ou em Neme que os escravos costumavam fugir das fazendas holandezas ou calvinistas - durante o domínio holandes do nordeste - para as fazendas portuguezas umas vez que nas fazendas calvinistas eram postos a trabalhar todos os dias, inclusive nos domingos, enquanto nas fazendas dos papistas lhes era concedido festejar e até mesmo cantar e dançar nos domingos e dias santos, que eram mais ou menos numerosos. E já sabemos porque a produção de açucar dos invasores holandeses era superior a dos lusitanos...

Ao menos o papismo produziu um Las casas que vindicou a causa dos indios mexicanos obtendo um estatuto tanto mais digno e humano para eles... Um Jorge Benci que verberou como ímpia a escravidão africana e outros homens de feliz memória de que não encontro paralelo no Calvinismo ou no fundamentalismo.

Ocorre-me os quackers. Entretanto os quackers também foram perseguidos, executados, torturados, multados e exilados pelos puritanos do antigo e do novo mundo...

Quanto as guerras tanto pior...

Pois todas as pessoas ilustradas conhecem muito bem o cárater belicoso do fundamentalista judaizante, alias, ao menos quanto este aspecto partilhado por Lutero, o qual escreveu: "Deus é um guerreiro e também combate." e afirmou que o guerreiro é o môdelo do Cristão...

Zwinglio atacou aos cantões papistas perecendo vergonhosamente em Cappel, Knox moveu guerra a Maria Stuart, os puritanos a Carlos I, os sucessores de Calvino a Richelieau, os ianques primeiramente aos peles vermelhas, depois as nações latinas deste novo mundo sendo a última delas o Panamá em 1989 e enfim ao Iraque... Ora a maioria destes conflitos foi urdido em nome de deus!

Até mesmo a hinografia protestante brasileira se refere amiude: a guerras, batalhas, escudos, couraças, pendões, bandeiras, armas, cornetas, etc empregando todo um linguajar guerreiro, belicoso... de que não há vestígio no Evangelho da graça.




Conclusão: A tradição e os sentimentos Cristãos captados até mesmo por liberais ou agnóstas como Tostoi inclina-se decididamente para a promoção da vida, da dignidade humana e da paz.

Tanto a leitura do Evangelho quanto a leitura das obras dos padres da Igreja são assinaladas pela justiça, pela caridade, pela mansidão, pelo perdão e pela misericordia que são os valores predominantes em ambos os contextos e que jamais foram arrenegados pela ortodoxia.

Tende pois o espírito Cristão para a sacralidade e inumidade da vida humana, para a tolerância, para a justiça e para o pacifismo.

Já o espírito fundamentalista influenciado pelo judaismo antigo, num passado não muito distante, prestou-se a justificar a intolerância religiosa e o escravismo, e, ainda hoje, tende a justificar a pena capital, institucionalizada por sinal nos EUA - que é a maior nação protestante do mundo - e para a justificação da agressão, da guerra e do imperialismo. Todas essas convergências de ontem e de hoje são para a morte, não para a vida e não corresponde de modo algum a vontade daquele que veio "para que todos tenham vida e vida plena."