quinta-feira, 28 de maio de 2009

O SOFRIMENTO E AS PERGUNTAS SEM RESPOSTAS


Por Regis Augusto Domingues

Quando nos deparamos com a condição da existência humana invariavelmente nos perguntamos o porquê do sofrimento. O porquê de sermos assolados por tantos conflitos, desastres e problemas? Porque a humanidade tanto na perspectiva individual quanto numa perspectiva mais ampla e global passa por tanto sofrimento e dor? A mídia atualmente explora esse lado obscuro da existência: desastres naturais, pessoas mortas a esmo por seus semelhantes, pais ceifando a vida de seus filhos, filhos sem qualquer dor de consciência matando seus pais, guerras, terrorismo, famílias desfeitas, gente morrendo por fome, pessoas tentando sobreviver em condições totalmente indignas, pessoas em estado de profunda depressão, outros se refugiando em estados de aparente euforia. Alguns corações arruinados e amargurados, outros tantos destroçados e desesperançados, outros, ainda, buscando manter um pouco de esperança.

Diante desse quadro trágico da vida humana alguns buscarão respostas outros apenas se conformarão. Os mais céticos dirão que as coisas são assim mesmo devido ao egoísmo humano, acrescentando que o sofrimento é a maior prova de que não existe um Deus bom, pois, se Deus existe porque permite o sofrimento? Outros mais piedosos dirão que isso é a vontade de Deus e que devemos buscas a Deus para resolver nossos problemas. Muitos apenas dirão que é o pecado e pronto. Outros, ainda, mais pragmáticos dirão que é necessário sermos solidários e colocarmos um plano de ajuda humanitária em ação. Outros tantos negarão até o fim a realidade do sofrimento e dirão que tudo depende de uma disposição mental positiva. Alguns mais acalorados por suas convicções religiosas, com um discurso apocalíptico dirão que é o fim dos tempos. Mas o fato é que ao olharmos para a História da humanidade não há dúvidas que o sofrimento acompanha o caminhar do ser humano desde seus primórdios.

O ser humano anseia por respostas. A filosofia, as demais ciências humanas, a teologia e as diversas religiões tentam a todo tempo apresentar respostas prontas para as mais diversificadas circunstâncias. Mas parece-me que por mais elaborada, racional e lógica que algumas respostas possam parecer isso nem sempre é suficiente para aquela pessoa que passa por seu drama pessoal. Quando uma pessoa vem ao meu encontro com os olhos cheios de lágrimas, com o coração vazio e desesperançado, com profunda dor em sua alma, palavras e respostas prontas nunca são adequadas ou suficientes. Abrir a Bíblia e dizer algumas palavras hoje me soa como formalismo vazio e insuficiente para tocar a realidade da alma que sofre. As realidades da dor e do sofrimento, do drama e da tragédia continuam lá atormentando o coração e a mente dessa pessoa. Apelar para o conhecimento da psicologia é tão ou mais irrelevante ainda na maioria dos casos. Perante o atormentado sofrimento da alma humana, diante de uma pessoa que sente seu coração rasgado ou dilacerado pouca ou nenhuma palavra parece ajudar. A única possibilidade de ajuda talvez seja o um gesto de acolhida, uma demonstração de afeto e a velha e boa escuta. Tentar argumentar com uma alma que sofre é como sufocar alguém que já está imerso no mar sem condições de respirar. Nesse caso talvez o toque e a atitude de escuta sejam mais pertinentes. Quando alguém está imerso no mar da desolação a ponto de se afogar o melhor a fazer é mergulhar no drama alheio e apoiar a pessoa para sair renascida da situação ou estender uma mão que ampare a emersão dessa pessoa para uma nova etapa da vida. Isso é misericórdia e é isso que tenho percebido como a ação de Deus em meio ao sofrimento humano.

Atualmente quando observo minha própria biografia não posso condenar aqueles que deixam a esperança, aqueles que abandonam a fé, aqueles que se revoltam com Deus e a vida. Em certo momento da minha vida, ainda jovem, protegido por uma série de artifícios e defesas internas, achei que passaria incólume pela vida. Quando abracei a fé cristã isso ficou ainda mais patente ao ser alimentado por um discurso triunfalista e ingênuo transmitido por uma teologia distorcida, mas eloqüente. Durante muito tempo passei a vida protegido por minhas muralhas, em relacionamentos superficiais, passando por cima dos acontecimentos ao meu redor, alimentando-me de respostas prontas obtidas tanto da minha vivência intelectual quanto de minhas experiências religiosas. Mas de certo era um ser humano medíocre e imaturo. Na adolescência ignorara a morte prematura de um irmão acometido pela AIDS, como se esse acontecimento não tivesse grande significado o transformei num tabu. Passei ao largo de muitos problemas familiares, não derramei uma lágrima se querer no falecimento de meu pai, hoje sinto saudades e o pesar de não ter dito tudo que deveria ter dito antes dele partir. Isso tudo porque pensava ser capaz de construir uma ponte fortificada que passaria sobre o lamaçal do sofrimento. Até certo ponto confesso que a religião contribuiu em muito com esse estado de quase transe.

Desculpem-me aqueles que sofrem mais preciso dizer-lhes que não há respostas satisfatórias e muito menos genéricas para aquilo que passamos e que por mais que você tente se proteger e por mais que faça a coisa certa, nada o isentará de um momento trágico ou dramático na vida.

Hoje passo por um dos maiores dramas em minha própria vida. Por toda minha vida sonhei em constituir uma família, ter filhos e depois de um processo de conversão religiosa, acreditei que meu matrimônio e minha família poderiam ser meios de abençoar outras pessoas. Nesse momento sou plenamente consciente de que incorri em uma série de projeções e idealizações que não condiziam com a realidade. Afinal, C.G. Jung já afirmava: “Do mesmo modo que estamos inclinados a aceitar que o mundo é assim, tal como o vemos, aceitamos também ingenuamente que as pessoas são assim, tal como as imaginamos”. Mas de qualquer maneira orei todos os dias por meu matrimônio, tentei ser, mesmo com as imperfeições inerentes a minha condição de homem, um bom pai e esposo. Nas crises supliquei a Deus seu amparo e poder transformador. Algumas coisas mudavam, outras permaneciam como estavam. Em alguns momentos minhas orações não eram respondidas, em outras talvez. Até então minha auto-suficiência me impedia de buscar ajuda no mundo real, me questiono se tinha amigos. Depois de algum tempo me revoltei diante de Deus, depois me reconciliei, mas por fim desisti de lutar pelo casamento. Agora passo por uma difícil circunstância de separação, esse drama que somente aqueles que passam sabem o que é. Apostei tudo que tinha em meu matrimônio e família, mas perdi. Mesmo orando e lutando por tudo que sempre acreditei perdi, tudo acabou. Faço questionamentos? Busco respostas? Claro que sim, afinal sou humano, mas sei que qualquer resposta será insuficiente ou até mesmo não exista. Apesar de tudo, ainda acredito que o Cristianismo oferece a melhor maneira de enfrentar o sofrimento. Mesmo não oferecendo respostas prontas e satisfatórias para o drama humano, o Cristianismo apresenta a melhor forma de se encarar a dor.

A Bíblia está repleta de histórias, relatos, pensamentos e poemas que expressão o sofrimento humano, sendo que incontáveis vezes esses ocorrem com a permissão de Deus. Por quê? Difícil, como já disse, encontrar respostas satisfatórias. Mas quando folheio minha Bíblia e me aproximo de maneira desapaixonada de textos como o livro de Jó, os percalços da vida de Davi e Daniel, as inquietações de Jeremias, as dores de Oséias, os tormentos do apóstolo Paulo e por fim os sofrimentos de Jesus Cristo, para mim fica claro que em nenhum momento o sofrimento é omitido da vida de fé ou respostas prontas de consolo são dadas. O que vejo são pessoas inconsoláveis passando pelas mais complicadas circunstâncias.

O livro de Jó é assustador. Como um homem considerado justo poderia, com a permissão de Deus, perder tudo, propriedades, família e ainda ser acometido por uma sórdida doença? Além de sua triste condição Jó enfrentou os costumeiros questionamentos da esposa, de amigos e de seu próprio coração. Depois de toda uma história de sofrimento, de luta pessoal e com Deus, o livro de Jó termina com seu protagonista percebendo que em nenhum momento fora abandonado por Deus. O final dessa história é feliz, pois, tudo o que Jó havia perdido lhe é restituído em proporção maior. Mas nem sempre é assim na vida real. A única coisa que posso afirmar é que diante do sofrimento você nunca será abandonado por Deus. A maneira que o Cristianismo enfrenta o sofrimento é essa, a certeza de que Deus está presente com cada pessoa em seus dramas. Em todas as incertezas e desventuras da condição humana Deus está presente, apoiando ou carregando em seus braços cada pessoa. Essa mensagem se traduz claramente na pessoa de Jesus Cristo. Diz o apóstolo Paulo que Jesus é o próprio filho de Deus que espontaneamente deixou sua condição de glória divina para viver a condição humana e sofrer as dores inerentes a essa condição. Quando observo os quadros de Caravaggio, como o que coloquei acima, fico perplexo diante do realismo e naturalismo barroco com que ele retrata algumas passagens bíblicas. Quando olho para essa pintura de Caravaggio me comovo ao ver a coroa de espinhos sendo enterrada na cabeça de Cristo. O interessante é que Caravaggio retrata a cena fora do contexto de época do relato bíblico. Ao repararmos nos detalhes percebemos que os homens que estão na cena com Jesus estão vestidos com o estilo da época do próprio Caravaggio, ou seja, século XVII. Penso que a cena retrata os sofrimentos da condição humana com que Jesus é coroado em cada época da História, ou seja, Ele mesmo, Jesus participa desse sofrimento com cada pessoa em todo e qualquer tempo da História.

Como já havia dito meu caro leitor, não tenho respostas nem receitas, mas apenas sei que diante da tragédia que você vive ou viveu Deus em momento nenhum o abandonou. Antes esteve ao seu lado para que de alguma forma houvesse crescimento. Aliás, nós temos uma escolha a fazer diante do sofrimento, passar por ele crendo que Deus nos sustenta com sua bondosa mão, mesmo que em completo silêncio, ou assumir uma atitude de amargura. A primeira opção nos levará a grandes experiências de crescimento e amadurecimento, a segunda a um estado de doença crônica da alma.

Desculpe-me a franqueza mas diante da perplexidade da vida não existem respostas e soluções prontas, nenhum psicotrópico, nenhum ansiolítico, nenhum dinheiro, nenhuma moral, nenhuma escola de pensamento, nenhuma descoberta científica resolverá o problema insolúvel do sofrimento.

A cada dia que me olho no espelho percebo que aos poucos as marcas do tempo vão deixando suas impressões em meu rosto, estou envelhecendo. Os cabelos são mais escassos a cada dia, os poucos que persistem começam a embranquecer. E o mais terrível já começou a acontecer. Outro dia reparei um pêlo nascendo em minha orelha. Talvez porque me venham reminiscências da infância e me lembre da figura de meu avô já velhinho e careca, mas com algo espantoso que muito me intrigava quando criança. Ele já não tinha mais cabelos, mas suas orelhas eram cheias destes. Isso para mim significa a prova cabal de que entrei na estrada do envelhecimento. Já estou na segunda metade da vida e, portanto, passo a encarar a vida de outra forma. Citando novamente o sábio C.G. Jung: "Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos”. Durante grande parte de minha vida andei com sapatos apertados demais, andei com sapatos que não me serviam, vivi como se fosse outro ou para outros. Mas agora já na segunda metade da vida visto meus próprios sapatos, mas resta-me apenas meia sola, então, começo a valorizar as coisas realmente importantes, não há mais tempo a ser perdido em busca de respostas ou na construção de discursos e pretensas receitas triunfalistas. É o tempo da maturidade, começo a ver as coisas com maior objetividade, profundidade, sensibilidade e amor. Hoje sei o que é perdão, graça e misericórdia. Então minha mensagem para você meu querido leitor ou querida leitora é que não perca tempo buscando explicações para as tragédias da vida e nem tente aplicar receitas prontas em sua vida para tentar isolar o sofrimento, ele sempre será inevitável. Apenas passe pelo que você tem que passar e viva com ternura e amor, não se feche, mas antes se abra para a vida. Abandone o medo e cresça quando a vida te permitir crescer em meio ao sofrimento. Você poderá fazer isso de várias maneiras, afinal, como eu mesmo disse ao citar Jung, cada um tem seus próprios sapatos. No entanto, tente fazê-lo na companhia e com a ajuda de Jesus Cristo.

Talvez você pergunte se acaso sou alguém amargurado ou com falta de fé. Acalme-se não sou um apóstata, pelo contrário. Hoje minha fé em Deus é muito mais profunda e inabalável do que antes. Mesmo diante das incertezas sei que Deus está tecendo a História e isso para mim é reconfortante, pois, por mais dura e difícil que seja a caminhada por essa jornada que chamamos vida sei que Deus, com amor e graça, me acompanha. Passar pelo sofrimento pode ser uma experiência transformadora quando a enfrentamos na presença de Deus. Não sei o que virá à frente, nós não temos o controle remoto da vida. Mas tenho convicção de uma coisa: todas as coisas se fazem novas, é o princípio da ressurreição, o cerne da vivência cristã. Muitas pessoas depois que superam a crise e o período de dor fecham-se para novas experiências de vida. Uma mãe que perdeu o filho recém nascido, depois de semanas de luto, decide nunca mais ter outro. O marido que perde prematuramente a esposa, que tanto amava, por causa de uma leucemia, decide nunca mais se entregar para outra mulher. Independente de qual seja ou tenha sido seu sofrimento, não deixe de viver, permita-se amar e ser amado. Passe por esse momento de amadurecimento e siga em frente! Talvez seja necessário recomeçar. Eu mesmo sou um romântico incurável, amo as mulheres, sei que será impossível deixar de ter uma paixão florescendo nesse coração já tão machucado e cheio de cicatrizes. Continuo a acreditar no matrimônio e na base familiar. Hoje, porém, estou convencido de que todo relacionamento envolve riscos e que esses riscos precisam ser encarados de forma sincera e terna. E que todo relacionamento deva ser de pessoa inteira para pessoa inteira, ninguém complementa ninguém, como retratado de forma divertidíssima no filme Divã. Nesse filme a protagonista, interpretada pela atriz Lília Cabral, é uma mulher quarentona, casada e com filhos, que em certo momento de insatisfação de sua vida inicia um processo de análise ao procurar um psicanalista. A partir de então a vida da personagem passa por uma série de dramas e transformações. Em uma das sessões de análise a personagem ao falar de seu casamento expressa exatamente essa questão: “é difícil se imaginar como a metade de uma laranja”. Ninguém é metade da laranja de ninguém. É fácil deixar de perceber que quando falamos de complementação estamos lidando com uma das maiores fraquezas da alma, a projeção. Quando dizemos que o outro me completa estamos dizendo na verdade que o outro deve suprir minhas necessidades e carências. A idéia de complementação esconde o processo de projeção que lançamos sobre o outro. Ao projetar no outro aquilo que falta em nós não somente tentamos trazer o outro em cativeiro como exigimos do outro que supra nossas carências afetivas. Por isso, os melhores relacionamentos sempre serão aqueles de pessoa inteira para pessoa inteira, sem projeção de expectativas, apenas compartilhando experiências e de forma consciente apoiando um ao outro, mutuamente.


Por fim, não tema parecer frágil ou desnudar suas fraquezas, eu não mais temo isso, por isso escrevo tão abertamente. De certo caminho com meus próprios sapatos. Mas o que realmente importa é que caminho ao lado de Jesus Cristo. Há uma antiga e conhecida história: Um homem sonhou certa vez que estava em uma praia na companhia de Jesus. A praia representava a vida desse homem. Quando ele olhou para trás percebeu que na maioria das vezes havia quatro pegadas na areia, mas nos momentos de maior crise e sofrimento o homem percebeu que havia apenas duas pegadas na areia da praia. Então o homem questionou a Jesus: “Senhor, vejo pelas pegadas na areia que nos momentos mais difíceis de minha vida não estavas comigo. Nos momentos em que mais precisei o Senhor me abandonou”. Então Jesus com seu olhar terno e amoroso olhou para esse homem e respondeu: “Veja novamente as pegadas, nos momentos mais difíceis da sua existência é verdade que só há duas pegadas na areia, mas repare que as pegadas são muito mais profundas. Na verdade nesses períodos de maior crise e sofrimento eu o carregava no colo”. A escolha é sua, andar só ou na companhia de Jesus. Alguns pensarão que isso talvez seja a projeção da figura paterna sobre o religioso, talvez seja, não sei, como já disse não tenho respostas. Mas, lembrando o pensamento de Blaise Pascal, prefiro conscientemente apostar nesse passo de fé, vivenciando uma experiência relacional com Deus em Jesus Cristo.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:
FRANZ, Marie-Louise von. Reflexos da alma. São Paulo: Cultrix / Pensamento
FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia. in Obras Completas de S.Freud, vol XIV (1914-1916). Rio de Janeiro: Imago.
______________. O mal-estar na civilização. in Obras Completas de S.Freud, vol. XXI (1927-1931). Rio de Janeiro: Imago.
______________. O futuro de uma ilusão. in Obras Completas de S. Freud, vol. XXI (1927-1931). Rio de Janeiro: Imago.
GOMBRICH, E.H. A História da arte. Rio de Janeiro: LTC Editora.
HOLLIS, James. A passagem do meio, da miséria ao significado da meia idade. São Paulo: Paulus.
_____________. Nesta jornada que chamamos vida, vivendo as questões. São Paulo: Paulus.
JUNG, C.G. Memórias, Sonhos e Reflexões. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira.
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NOUWEN, Henri. Adam, o amado de Deus. São Paulo: Paulinas.
PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Martins Fontes.
ROUDINESCO, Elisabeth. Por que a psicanálise? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
SANTOS Jr., Daniel. Sem direito de resposta: Lidando com as questões exegéticas referentes ao livro de Jó. Revista Fides Reformata XII, nº 1 (2007), p. 9 - 26.
SPROCCATI, Sandro (org.). Guia de História da arte. Lisboa: Editora Presença.
FILMES SUGERIDOS:
As Invasões Bárbaras. Canadá, 2003. Direção: Denys Arcand.
Divã. Brasil, 2009. Direção: José Alvarenga Jr.