sábado, 13 de junho de 2009

Minha apologia ao bom protestantismo II




"Justiça devemos até mesmo ao Diabo se necessário for faze-la." Vieira. Sermões seletos



Quando digo protestantismos refiro-me as diversas vertentes em que o movimento de reforma se cindiu no decorrer do processo histórico.


E quando digo protestantismos reconheço a complexidade do problema.


E reconhecendo-a seria sumamente injusto e simplista caso - a maneria dos romanistas e ortodoxos - me referi-se aos diversos protestantismos como a um bloco monolítico, quer para condena-lo, quer para aplaudi-lo.


Distinguo pois um protestantismo ou melhor uma forma de protestantismo da outra como distinguo as diversas revoluções francesas ou estádios porque esta gloriosa revolução passou uns dos outros.


Dentro desta perspectiva iniciarei minha analise referindo as formas de protestantismo de que sou tributário.


Já Moheler assinalava que cada desvio ou heresia possui algo de verdade na medida em que corresponde a certa carência ou fragilidade da parte da Igreja de Cristo no que diz respeito ao anuncio ou promoção de determinados mistérios, mistérios que ela, por assim dizer, minimizou ou poz de lado.


É típico da heresia apropriar-se de tais mistérios, pouco divulgados e valorizados e hipertrofia-los. Ela faz um recorte na tecitura da catolicidade e desse recorte sua função de ser. E assim vão surgindo os luteranismos, anabatismos, adventismos, etc







LUTERANISMO E LUTERO -




Já execrei a figura de Lutero no passado, hoje não posso execra-la mais como não posso execrar a pessoa de qualquer Bispo romano, idolatra, ou ateu...


O detestar pessoas não pode corresponder a mente sagrada do Cristo que é uma mente plena de amor.


Segundo o Bemaventurado Agostinho devemos odiar apenas as teorias ou opiniões errôneas e não seus promotores.


Por estes estamos obrigados a nutrir todo respeito e toda compaixão possiveis. Respeito pela sinceridade que os move ( o cristão tudo cre) e compaixão tendo em vista um estado de espírito porque já passamos em demanda da verdade.


Se bem que as vezes somos nós que, com toda ortodoxia do mundo, carecemos da compaixão divina e não aquele que por um equivoco dista da verdade. Conforme não honramos nem prezamos a verdade como ele honra e preza o que julga ser a verdade...


Pelo contrário muitas vezes ultrajamos a verdade - associando-a a um sentimento tão rasteiro e vulgar quanto o ódio - enquanto o herege odiado ou o adepto da odiada heresia (o samaritano da parabola) adora corretamente ao Senhor amando seus semelhantes e executando o bem.


A boa lógica do sinergismo nos conduz fatalmente a seguinte conclusão: melhor um bom pagão que um mau Cristão.


Melhor um herege que ama do que um ortodoxo que odeia.


Pois ao que odeia nada presta estando separado do Verbo e de sua graça por este sentimento vil.


Já acreditei que Lutero estivesse condenado aos suplícios perpétuos tal como fora levado a crer, desde a mais tenra idade, que idolatras e pagãos seriam condenados aos mesmos suplícios - vãos e ilusórios - a menos que se convertessem ao 'Evangelho' (que nada tinha de evangelho mas de puro mosaismo)


Felizmente o conhecimento do Evangelho acompanhado do estudo da lingua original em que o mesmo foi codificado - o grego - e do salutar influxo da tradição origenista libertou-me desta crença estúpida e vã, verdadeira manobra ou fraude oposta tanto a letra quanto ao espírito de Cristo.


Tanto Calvino, quanto Pio IX, Hitler e nossos fundamentalistas fanáticos todos, mais cedo ou mais tarde, haverão de seguir o fluxo divino da evolução. Todos haverão de se unir aquele que foi erguido no madeiro, de receber de sua divina graça, de viver de sua vida sobrenatural e de progredir de eternidade a eternidade sob o influxo da lei imperecivel e sempiterna do amor.


E quando as mentes e vontades todas se conformarem com a lei divina, o mal - que é um desvio da vontade com relação ao bem inexistindo enquanto substância - deixara de existir. Então todas as coisas que para o Verbo foram criadas pelo Verbo serão restauradas e estarão eternamente submissas a seu poderio, como um escabelo sob seus pés...


Cheguei posteriormente a opinião de que Lutero era um homem como outro qualquer, com seus vícios e suas virtudes.


E cheguei por fim a conclusão de que Lutero possuia algumas virtudes em gráu eminente e algumas idéias bastante corretas, dignas de todo apreço e louvor. Hoje posso afirmar que lho admiro sob diversos aspectos como admiro a Leão XIII, a Maomé, a Kardec e a tantos outros líderes religiosos.


Afinal Lutero não poderia ter dado origem ao movimento da reformação - com todas as suas consequências de ordem social já referidas no artigo precedente - caso estivesse distituido de certa genialidade - aquela genialidade minuciosamente descrita por Ingenieros - di-lo o Pe H. Grisar, e assim o é. Um homem vulgar em posse duma mente ordinariamente dotada jamais poderia ter tido sucesso onde o frade agostinho logrou alcança-lo em que pesem seus formidáveis adversários.


Tenho para comigo que em última analise tais predicados ou talentos acabam por aumentar a culpa de seus erros e deslizes.






UMA ECLESIOLOGIA ERRÔNEA MAS ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA.



Ao afirmar a invisibilidade da Igreja, em oposição a sua visibilidade e a seu aspecto jurídico/administrativo -hipertrofiado pela cúria na esteira da cultura juridica romana - Lutero de certa forma acabou pondo em relevo uma doutrina vital sobre a Igreja de Cristo, a qual todavia, estava quase que esquecida pelas Cristandades apostólicas, refiro-me a doutrina do corpo místico ou da alma da Igreja.


Os padres antigos bem sabiam que a Igreja e seus divinos sacramentos não contem em si toda graça ou toda riqueza espiritual que dinamam da Encarnação do Verbo. Sabiam que a Igreja - como agente facilitador de nosso Grande Sacramento - possuia e ministrava visivelmente a graça oferecida por Cristo Jesus, mas sabiam igualmente que este ministério não era capaz de esgotar a munificência desta grande graça...


Eles bem sabiam que haviam verdadeiros Cristãos - nimbados pela graça da Encarnação do Verbo - fora da instituição visivel ou do corpo da igreja. Sabiam que todos os homens de boa vontade espalhados pela face da terra, que coadjuvados pela graça cumpriam seus deveres pertenciam a igreja celestial ou invisivel, a alma da Igreja.


Mesmo aos heréticos que de boa fé haviam desertado da Igreja visivel, mesmo quanto a eles era reconhecida a possibilidade de estarem inclusos na alma da mesma igreja. S Salviano de Marselha, o mestre dos Bispos da Gália, assim pensava e com ele a igreja dos Padres.


Pois entre a Igreja visivel e invisivel não há oposição. Antes uma esta dentro da outra.


No plano humano nossas almas como que estão envolvidas por nossos corpos mortais, no plano divino é a Igreja visivel que esta como que envolvida pela igreja envisivel ou o corpo cercado pela alma. Sublime inversão!


Certamente que o Cristão consciente e perfeito, na medida de sua capacidade, deveria e deve estar vinculado a ambas e em ambas incluso: pela fé ortodoxa e pelas obras de justiça.


O pertencer a igreja invisivel pela ortopraxia (pelas obras de justiça) jamais deveria servir de pretexto para uma atitude de regeição para com a igreja visivel já que o próprio Cristo nosso môdelo possuia duas naturezas: uma visivel e outra invisivel.


Por outro lado o pertencer nominalmente a Igreja visivel pela profissão da fé ortodoxa jamais deveria ter sido encarado pelos profitentes como uma garantia absoluta de salvação. Antes tal sentimento de pertença a igreja visivel deveria atrair-nos cada vez mais a igreja invisivel ou seja aquela alma da igreja a que só pertencem as almas santas e virtuosas que portam Cristo em sí mesmas.


Funesto foi o dia em que essas almas bárbaras e paganizadas conformaram-se com ter seus nomes escritos nos livros da Igreja visivel sem se preocupar em viver a vida de Cristo para que seus nomes estivessem escritos na eternidade...


Houve pois uma dicotomização, uma ruptura, uma fragmentação: muitos se contentaram em pertencer a igreja visivel sem fazer caso daquela união com Cristo que é a razão mesma de sua encarnação e sacrifício. Vinham carnalmente ao templo e cumpriam com as cerimônias todas, viviam entretanto sob a lei do ódio e da mentira.
Assim na mesma medida em que tal tipo de Cristianismo - ritualista ou magico - foi se desenvolvendo a santidade da Igreja foi declinando e dando origem a um sem número de escandalos.


Disto resultou a formação de outro grupo extremista, prenunciado pelos Valdenses, mas arvorado oficialmente pelo Dr Lutero. Segundo estre grupo o estado decaido da igreja visivel, significa que a igreja não é de modo algum visivel, mas apenas e tão somente invisivel.


Como sempre dum extremo chegamos a outro.


Cumpre todavia inocentar Lutero porquanto ele partiu duma concepção mecânica, materialista e falsa de igreja - meramente visivel - para edificar sua concepção fantasmagorica de igreja puramente invisivel.


Entretanto ao apregoar sua concepção de Igreja, inda que extremista e exagerada, Lutero levou a Cristandade Ocidental e de certo modo toda Cristandade apostólica e visivel a achegar-se mais uma vez da antiga doutrina da natureza dupla da Igreja e a admitir que para além de seu corpo a igreja possui também uma alma, conhecida apenas por Cristo e constituida daqueles que lho obedecem. (os demais apenas repetem: Senhor! Senhor!)


Correspondeu a eclesiologia de Lutero a um propósito amoroso de Cristo para com sua esposa e seus filhos: o propósito de impedir que ela perdesse de todo sua consciência e se esquecesse de sua própria alma vindo a encara-se a si mesma como um organismo ou instituição meramente física ou material. Lutero foi necessário dialeticamente falando, para conduzir a eclesiologia da igreja a um são equilibrio.
Do contrário toda piedade e toda relação com Deus tornar-se-ia contratualista, magica e meramente externa perdendo seu elan vital.


Ao proclamar a tése duma realidade exclusivamente invisivel e incognoscivel da Igreja Lutero muito colaborou para que a Ortodoxia retomasse e a tése paulina do corpo místico, desenvolvida quatro séculos depois pelo Bispo romano Pio XII, num belíssimo escrito.







UMA CONFUSÃO IGUALMENTE NECESSÁRIA A RESPEITO DA FÉ E DAS OBRAS.



De certa forma o contexto em que Lutero viveu valorizava mais as obras eclesiásticas, especificamente falando, do que as obras éticas ou humanitárias ordenadas pela lei de Cristo.


Refiro-me as obras prediletas dos fariseus que privaram com o Senhor e seus apóstolos, dos puritanos judaizantes guiados por Calvino, dos maometanos, etc


Tais obras significam: Ir ao culto, descansar no domingo, estudar as escrituras, orar por horas a fio, jejuar, pagar dízimos, etc


Efetivamente tratam-se de obras, algumas em certa medida necessárias e uteis, e sem embargo tratam-se de obras que não correspondem de modo algum a essência do espírito Cristão.


É certo que a principio Lutero combateu a surpervalorização de tais obras e que ao faze-lo fez bem expressando em certa medida aquele espírito que animava ao glorioso Paulo.


Entretanto a Igreja, senhora duma tradição milenar, baralhou a questão ao cogitar noutro tipo de obras: as obras éticas, relacionadas com o próximo as quais por vezes são alistadas como obras de caridade ou de misericórdia.


Tratam-se daquele tipo de obras interiores referidas no Sermão da montanha - pacifismo, misericórdia, etc - e exteriores referidas no derradeiro sermão: dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, vestir aos nus, etc


Diante da questão formulada, Lutero, não o sei porque, ou manteve o baralho da igreja ou tudo baralhou ele mesmo. Pois não pode ou não quiz distinguir entre um e outro tipo de obras (as legais ou religiosas de Moisés, de Constantinopla, Roma ou Genebra e as éticas ou de caridade propostas pelo Senhor em seu Evangelho) e acabou por condenar todas as obras juntas - inclusive aquele tipo especifico de obras determinadas por Cristo em seu Evangelho - crendo estar seguindo ao apóstolo Paulo.


Da leitura da Epistola aos romanos depreende-se facilmente que Paulo afirma a caducidade e inutilidade duma certa lei: a lei dos judeus, seja a lei civil, seja a lei penal, mas especialmente a lei religiosa ou ritual. Não se refere o apóstolos das gentes a toda sorte de lei, e tampouco a lei moral confirmada e desenvolvida por Cristo, e menos ainda a Lei Suprema da Caridade por ele formulada nos seguintes termos: amai-vos uns aos outros como vos amei.


Jamais passou pela cabeça do apóstolo revogar a lei do amor ou a lei de Cristo e afirmar que o homem pode se salvar odiando ao próximo ou desobedecendo aos preceitos do Evangelho, preceitos que ele mesmo referendava em cada uma de suas epistolas...


Entretanto ao lermos os escritos desse homem genial nos deparamos justamente com a teoria inusitada segundo a qual a caridade nada é e para nada serve (cf Comm aos Galatas III. 11) e segundo a qual o homem se salva em seus pecados, na desobediência, na rebelião, pecando e exclusivamente pela fé.


A graça não é para Lutero o que é para Wesley: uma graça que capacita. Wesley, influenciado por Arminius, postula uma graça que possibilita ao homem viver a lei do amor na obediência do Evangelho. Para Lutero a graça significa perdão ou não condenação...

A graça salva o criminoso como é, sem que ele mude sua natureza ou se torne um homem novo, não é capaz de torna-lo santo. A graça enunciada por Lutero não comporta poder, é uma graça fraca e arruinada.


Uma leitura superficial de seus escritos basta para convencer qualquer pessoa desprovida de preconceitos de que o reformador alemão sempre sustentou o antinominiasmo. De que foi seu herdeiro, interprete e sucessor - contra Melanchton acusado de romanização - Nicolu Amsdorf. Este Amsdorf publicou em 1559 uma obra intitulada "As boas obras como obstáculo a salvação" onde alertava seus confrades sobre a necessidade de se vindicar a pureza da doutrina luterana do solifideismo contra os inovadores e esta obra foi acolhida e ovacionada por diversas universidades Luteranas da Alemanha.


Entretanto a teoria luterana do solifideismo também serviu de estimulo para que a Igreja considerasse tanto mais detidamente quais são as obras necessárias a salvação e quais obras não são assim tão necessárias estabelecendo uma hierarquia de obras pautadas no Evangelho e cujo ápice é ocupado certamente pelas obras de misericórdia ou relacionadas com o próximo.


Somente após o advento de Lutero a igreja ousaria aprovar catecismos nos quais esta explicitamente escrito: "Quando estamos prestando qualquer tido de serviço ao próximo que diga respeito a sua vida e dignidade - como dar-lhe remédios ou alimentos - e o horário de tal serviço se choca com o horário da missa ou da reza, deve-se faltar a missa ou a reza e não pode haver hesitação, muito menos pecado."


Se hoje sabemos o que devemos fazer em primeiro lugar, o que é essencial, o que é fundamental, o que é divino e pomos a alteridade em seu devido lugar, isto se dá em parte, graças a contribuição de Lutero.


Pois seu extremismo e seu confusionismo indicaram que também a igreja acalentava teorias extremistas, legalistas, judaizantes e confusas sobre as obras e auxiliaram a purgar tais defeitos precisando a doutrina ortodoxa. E assim tais teorias, malgrado os esforços do clero, foram cedendo espaço a uma noção mais salutar, equilibrada e fiel aos imperativos do Evangelho e da tradição.


A ortodoxia tem muito a aprender analisando o conflito de extremos havido entre Roma e Wittemberg.







LUTERO E A SÃ DOUTRINA SOBRE A INSPIRAÇÃO BÍBLICA.


Nas principais vertentes do protestantismo, em grande parte da igreja papista e na mente da maioria dos nossos ortodoxos prelavece nos dias de hoje a tése da inspiração mecanica, verbal, plenária e totalizante, a qual constitui por assim dizer uma ameaça ao pensamento livre e a civilização contemporânea.


Aliada ao biblicismo igualmente viscejante na grande maioria das organizações e seitas a dita doutrina sobre inspiração converte a Bíblia sagrada numa espécie de Enciclopédia dos escoteiros, de oráculo ou de idolo e já foi escrito que ela é uma pessoa...


Entretanto Lutero, o qual conhecia razoavelmente bem as escrituras (melhor do que a imensa maioria dos modernos), não partilhava dessa teoria, atribuindo-a por sinal aos frades analfabetos da Idade média...


Conhecedor das obras de Basílio, Crisóstomo, Jerônimo e Agostinho para Lutero cada livro sagrado possui um grau de inspiração diverso conforme continha um número maior ou menor de palavras de Deus ou de profecias sobre Cristo - para nos atermos apenas ao Testamento Velho - vaticinando seu advento e sua obra. Para Lutero cada livro devia ser aquilatado conforme expressava - em maior ou menor medida - a mente de Cristo.


Desde então todas as almas de escol tem seguido Lutero, mesmo Doellinger, um de seus mais denodados críticos. A esse propósito leia-se H H Howley de manchester.


Aqueles que como nós já escrutinaram o problema sob todos os apectos (Verbal - dos originais e das traduções / mecânico - da liberdade do instrumento humano / plenário - da oposição que há entre as teorias presentes nos livros mais antigos e as teorias presentes nos livros mais recentes e Totalizante - dos incotaveis erros em matéria de História e ciências presentes no Testamento antigo) só resta aplaudir Lutero de pé.





LUTERO E A SÃ DOUTRINA SOBRE A EUCARISTIA.



Atualmente os ocidentais: protestantes e romanistas encontram-se cindidos em dois grupos diametralmente opostos no que tange ao sentido da eucaristia.


Um dos extremos sustenta que não passa de símbolo ou dum pão que mastigado com fé nos une a Cristo.


E o outro estremo afirma que o Sacramento constitui a mesma carne e o mesmo sangue do Senhor tal e qual foram gerados pela Virgem Santa.


No primeiro extremo nos deparamos com uma doutrina absolutamente espiritual e naturalista a qual faz da eucaristia um lanche e no segundo extremo nos deparamos com uma doutrina materialista e grosseira que equivale a um perpétuo milagre.


Admitida a teoria puramente símbolica não há como se compreender as palavras do Apóstolo sobre discernir (diakrinos) o Senhor no pão ou fazer um exame de consciência antes de recebe-lo. Admitida a teoria materialista - segundo a qual o Senhor esta todo inteiro e vivo em cada particula do pão e do vinho - não podemos compreender como o Senhor determinou a recepção do Corpo e do Sangue no pão e no vinho ou seja em dois tipos. (nem a igreja papista o pôde por isso instituciolanizou a meia comunhão)


Tudo fica mais claro quando nos damos conta de que a origem a transubstanciação ou da conversão dos elementos esta relacionada com aquele povos bárbaros que invadiram a Europa durante a Idade Média, os quais só eram capazes de compreender materialmente as coisas santas e divinas... já a teoria da presença puramente símbolica foi expressa pela primeira vez pelo reformador Zwinglio, homem assaz afeito aos escritos e aos pensamentos dos antigos gregos, ao espiritualismo descarnado e ao naturalismo contido nos mesmos.


De modo que o extremismo materialista vigente na doutrina romanista acabou por suscitar, como sempre um outro extremismo representado pela doutrina de Zwinglio.


Obviamente que nem uma nem outra corresponde a verdade dos fatos ou seja ao sentido do Evangelho e da tradição apostólica.


E Lutero bom conhecedor tanto do Evangelho quanto da tradição é uma testemunha de peso no que diz respeito a tal questão.


Pois sua posição refere a posição da ortodoxia a esse respeito.


Toneladas de folhas de papel já foram gastas tanto por romanistas quanto por protestantes durante dos séculos XVI e XVII no sentido de provarem uns e outros que a compreenção da Igreja Ortodoxa sobre a Eucaristia é ou materialista ou puramente simbólica nos moldes de Trento ou de Zwinglio.


Os autores da "Perpetuidade da fé da Igreja sobre a eucaristia" (Jesus Solano - BAC - também )coletaram centenas de citações - quase sempre truncadas - de nossos doutores e teologos sobre a crença da Igreja na presença real, querendo vende-las como se equivalessem a sua crença na Transubstanciação...


Já os autores protestantes encheram diversos livros com identicos testemunhos sobre a subsistência do pão e do vinho após a consagração, mesmo sabendo que tal afirmação não corresponde a sua crença zwingliana puramente simbólica, só pelo gosto de desmarcarar aos romanos ou para mistificar.


Como resolver a dita questão?


Ouçamos o insigne Mestre e teologo metodista nosso Patricio Dr Guaracy Silveira:


"A consubstanciação talvez fosse mais crida pelos antigos padres e foi ESTA A DOUTRINA PROFESSADA POR LUTERO." in Evangelho, Patrologia e razão p 109


Mais uma vez aplaudimos Lutero de pé.


Efetivamente a Igreja ortodoxa afirma que Cristo - e não necessariamente o corpo de Cristo e menos ainda materialmente - esta verdadeiramente presente no pão, o qual não é por isso mesmo nem pão, nem pão bento apenas, mas veiculo sagrado da presença de Cristo. Afirma que Cristo ali esta misteriosamente, por seu poder e vontade e que não deseja saber como isto se dá.


Já no Concílio de Florença nossos representantes havia declarado: verdadeiramente presente, mas não fisica ou materialmente presente.


Entretanto se compulsarmos os primeiros padres, como Justino, nos deparamos em seus escritos com a teologia primeva, saida das catacumbas> É o Logos ou Natureza divina de Cristo que penetra e diviniza os elementos que se tornam tipos (símbolos ou substitutos) de seu corpo e sangue, assim o Logos como que se encarna um a segunda vez no pão e no vinho por obra e graça do Espírito Santo e a manducar-mos os mistérios ingerimos a divindade e nos divinizamos (Tertuliano).


Lutero como Pedro de Ailly e João Gerson dentre outros pensava mais ou menos deste modo evitando a ambos os extremos: o que faz o pão deixar de ser o corpo que é para o Logos e o que faz o corpo converter-se no mesmo corpo material gerado pela Virgem.






A SÃO DOUTRINA DE LUTERO SOBRE A SANTÍSSIMA VIRGEM.



É assaz sabido de todos que a excessão dos metodistas - que constituem uma cisão do Anglicanismo - a imensa maioria dos protestantes regeita os dogmas da Maternidade divina de Maria Santíssima, publicamente honrada pelos Padres ortodoxos congregados em Éfeso e sua Perpétua Virgindade, igualmente referida pelos Teóforos Padres no quinto Concílio.


Entretanto a dita regeição, iniciada por Pedro de Vermiglia e M. Bucer, não corresponde ao pesamento do grande reformador alemão, o qual a este respeito faz côro com a santa Igreja de Deus, ouçamos suas sábias palavras:



"Maria, a Mãe de Deus, não tenha sido virgem antes e depois do parto, mas tenha gerado Cristo e outros filhos com contato com José" (Weimar, tomo 11, pg. 314). Os irmãos de Jesus, mencionados no Evangelho, são parentes do Senhor (Weimar, tomo 46, pg. 723; Tischreden 5, nº 5839).


"Ele, Cristo, nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria... Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem e ela permaneceu virgem mesmo depois disso" (Martinho Lutero, "Sermões sobre João", cap. 1 a 4, 1537-39 d.C.).


Ao referir-se a Mat 1, 25 ("Mas não a conheceu até o dia em que..."): "Destas palavras não se pode concluir que após o parto, Maria tenha tido consórcio conjugal. Não se deve crer nem dizer isto." (Obras de Lutero Ed. Weimer, Tomo 11, pág. 323).




Assim nós ortodoxos nos vangloriamos de neste ponto seguir a doutrina e a opinião de Lutero, posta de lado pelos protestantes de hoje.


Pois se Lutero era de fato bom conhecedor das escrituras, do texto grego e da História da Igreja a ponto de ter desmascarado o papado e restabelecido a verdade eterna, fica díficil admitir que aceitou por puro preconceito a um erro tão pueril e funesto.


Neste ponto nós somos mais Luteranos e mais fiéis ao pensamento do grande e habil reformador do que seus atuais seguidores.


Diante das palavras de Lutero - quase que repetidas por Zwinglio e até mesmo por Calvino (!!!) - custo a compreender o pôrque dos protestantes de hoje fazerem tanta tempestade em torno de tais doutrinas...




Conclusão: sob tais aspectos e muitos outros poderiamos aplaudir e exaltar a figura de Lutero com toda justeza.


Poderiamos mencionar ainda as adiaphoras ou questões neutras - que estão de certa forma presentes no pensamento ortodoxo sob a expressão teolougomena e de que é tributário o anglicanismo - a respeito das quais os anabatistas, calvinistas e outros sectários teem feito tanto barulho, ainda aqui - ano menos quanto a noção - Lutero merece nossos aplausos e ovações.

Dando largas a pena nosso elogio sobre Lutero tomaria a forma de um livro, pois sob vários aspectos e justiça e a verdade nos obrigam a reconhecer seu gênio e como veremos no próximo artigo, a razão de ser e os méritos da seita que fundou, a saber a Luterana da qual nosso pensamento é em parte tributário.


continua.