domingo, 14 de junho de 2009

Minha apologia ao bom protestantismo II - Basta ter gênio para ser reformador?




"Assim pelos frutos é que os conhecereis. Pois nem a árvore boa pode deitar frutos maus e nem a árvore má pode deitar frutos bons."





LUTERO E SUA VIDA PESSOAL.



Tampouco era Lutero isento de predicados pessoais ou de virtudes como levianamente sustentam os romanistas fanáticos.


O fanatismo por sinal - seja protestante, romano, ortodoxo, hebreu, ateu etc - impossibilita a apreenção da verdade objetiva por parte do fanático e lho mantem num estado de perpétua alienação. Sataniza todos os que não pensam com ele e vive tramando conspirações burlescas em sua própria mente.


No fim das contas todo fanático é um infeliz com sérios problemas de ordem pessoal a serem resolvidos.


Mas voltemos a Lutero e seus predicados...


Dentre os principais méritos do frade alemão convem salientar antes de tudo uma rude franqueza que não sabia dissimular e que não poupava a quem quer que fosse.


Fosse com relação ao Papa, aos reis, aos demais reformadores, a seus amigos e inimigos, Lutero constumava sempre dizer aquilo que pensava, diretamente e sem rodeios ou papas na lingua.


Dizia que aquela era sua opinião, sua fé ou sua vontade e ponto final.


Sob tal aspecto folgo em imita-lo e em detestar a hipocrizia acima de tudo.


Creio que tal fosse o parecer do divino Mestre, quando no capítulo vigésimo terceiro do primeiro Evangelho exprobrou aos fariseus por sua refinada duplicidade...


Lutero mandava matar e dizia que mandou matar, bebia e dizia que bebia, odiava e confesava que odiava enquanto tantos dos nossos odeiam fingindo que amam, bebem afetando sobriedade e armam ciladas ocultas para seus desafetos tecendo apologias a honestidade? São os nossos homens de bem...


Prefiro os homens francos que como Lutero assumem seus vícios, defeitos, gostos, opiniões, etc Sabem mais a Cristo, que a hipocrisia Cristo não tolerava...




LUTERO E SUA VIDA FAMILIAR



Creio que não devemos atirar lama sobre a reputação de quem quer que seja.


Afirma o Pe Tihamer Thot que se trata dum grave pecado contra o mandamento de Deus.


"Não darás testemunho falso."


Entretanto homens que pretensamente serviam a Cristo e que diziam estar defendendo a igreja de Cristo não hesitaram a atirar lama sobre a reputação de um morto: Lutero.


Tais homens, mais chegados ao ímpio Maquiavel que ao Verbo imaculado, ousaram publicar coisas pavorosas sobre a vida pessoal e particular do patriarca reformista, ousaram dizer que seu casamento com Catarina de Bora não passava dum torpe concubinato, que teve relações pré matrimôniais com ela e que lha traia com diversas amantes.


A tal respeito faço minhas as considerações do douto gramatico Othoniel Motta: Tais individuos deviam ao menos ter respeitado a figura da mulher, da esposa e da mãe Catarina de Bora, porquanto também eles, que não tomaram esposa, tem mães.


É verdade professor Othoniel, também os caluniadores de Lutero e sua esposa, a mãe e mulhes Catarira de Bora, tiveram mães, porém, apesar disto, o celibato forçado, cujo dom não traziam em seus corações, esterilizou em tais elementos todos os sentimentos nobres e elevados convertendo-os em verdadeiras feras ou em bestas humanas... Maravilhosos são os frutos do verdadeiro celibato, daquele celibato autêntico que procede do Verbo e busca apenas e tão somente a sua glória, venenosos os frutos do celibato imposto e conspurcado...


Convem o douto Jesuita H. Grisar, homem competente e responsável, que Lutero não teve qualquer intimidade com Bora antes das bodas e que parece ter sido fiel a sua consorte durante toda vida.


É verdade que após sua saída do convento e antes de seu casamento levara uma vida assaz promiscua e que costumava a repetir: "A primeira puta com que nos deparamos resolve nossos problemas afetivos."


Entretanto tais palavras não nos autorizam a afirmar que atraiçoava sua Catarina...


Melanchton afirma que após as bodas seu furor carnal arrefeceu e que doravante soube viver apenas para sua família.


Quanto a seu casamento jamais ter passado de torpe concubinato levando-se em conta que ambos os nubentes: Martinho e Catarina, eram religiosos e que haviam feito votos, é uma outra questão...


É indubitavel que tanto Lutero quanto Bora tivessem feito votos tendo em vista a abstenção de relações sexuais, sabemos entretanto que durante a Idade Média, até mesmo crianças eram prometidas por seus pais a um tipo de vida que sempre deveria ter sido fruto de opção pessoal e voluntária - todos os manuais de teologia condenam irremissivelmente tais votos impostos a meninos e meninas bem como os casamentos arranjados, entretanto na prática eram ações bastante comuns e seus frutos eram o sacrilégio e o adultério fatalmente - e não de coerção externa, talvez fosse o caso da infeliz Catarina...


No caso de Lutero sabemos que foi levado a abraçar a vida religiosa levado, não pelo amor a Cristo e pelo conhecimento do real valor pertinente a vida celibatária, mas, por uma superstição grosseira referente a um voto feito a Santa Ana durante um temporal!


Cumpria a Igreja romana, caso esta entidade ainda possuisse algum discernimento espiritual, cambia-lo de volta a praça do mercado e talvez, se isto tivesse sido feito, Lutero tivesse se tornado um grande humanista ou um grande personagem político. Entretanto a dita igreja pouco se importou com os motivos que levaram Lutero a decidir-se pelo calibato e acolheu-o de braços abertos. É bastante provavel que os frades tivessem percebido de pronto seus talentos e aproveitado a feliz oportunidade para prende-lo junto a seu instituto...


Entretanto que são os votos duma menina e dum jovem impressionavel diante de Cristo? Serão verdadeiros votos para toda vida, votos que foram feitos sem a consideração do que seja toda vida?


Enquanto membros da Igreja romana e persuadidos de que tais votos eram divinos Lutero e Bora atentaram contra eles?


Não há nenhuma indicação segura a tal respeito de que ambos tivessem sido devassos e sacrílegos, o próprio Lutero pouco depois de lançar o hábito as úrtigas afirmou que: enquanto cri nos votos levei vida sóbria e regular. As próprias gravuras que nos restaram desta quadra no-lo representam como um frade curvado e mascilento.


Somos levados a concluir que ao contrário do Bispo paraguaio, que enquanto Bispo, traiu vergonhosamente seus votos e que ao contrário de tantos e tantos Bispos e Padres, amancebados, pederastas e pedófilos que nos cercam, Lutero foi fiel a seus votos, e fiel até o dia em que deixou de crer neles.


Evidentemente que no dia em que deixou de crer neles não estava mais obrigado a guarda-los, antes estava livre para contrair matrimônio com Catarina, porque assim lho indicava sua consciência e é a consciência que devemos seguir sempre enquanto imagem e filha primogênita de Deus.


Já não encontrando razão de ser numa vida que tão apressadamente abraçara por um motivo tão futil quanto ridiculo, Lutero estava perfeitamente livre para dar um novo rumo a sua vida tão atormentada.


E agindo como agiu legou-nos um grande exemplo de sinceridade, exemplo digno de todos os aplausos e encômios se temos diante de nós a vida dissimulada que levam os clérigos de hoje mantendo filhos e amantes as custas das pobres ovelhas que tosquiam... Diante do triste exemplo de tantos e tantos sacerdotes sacrilegos, que violam publica e cinicamente seus votos, que zombam dos altares sagrados, que levam uma vida artificiosa e folgada sentimos que a hinra de Lutero esta mais do que vindicada!


Porque os clérigos não cuidam em sanear seu próprio grêmio denunciando as aventuras de seus confrades e exigindo para eles as punições estipuladas pelos sagrados cânones? Tal obra seria muito mais util a igreja do que a confecção de tantos e tantos panfletos mentirosos escritos com o sórdido objetivo de comprometer - e sem necessidade alguma como veremos mais a frente - a figura do pretenso reformador alemão, o qual seja reformador ou não merece tanto respeito como uma pessoa qualquer.


Tais deformidades da crítica fundamentalista levaram o insigne Leão XIII a escrever que: "A igreja não precisa de mentiras para se manter de pé."


No mais era Lutero um pai exemplar.


Tendo sido rudemente espancado durante a infância por sua progenitora Margarita Ziegler, a ponto de, como dizem alguns (Hausrath por exemplo) perder o juizo, Lutero sempre tratou seus filhos com um amor e carinho exemplares. Jamais lhos espancou e aconselhou seus seguidores a abolirem os castigos corporais que até então eram aplicados em todas as escolas primárias da Germânia.


Costumava a reunir sua prole diante da lareira e a tocar e cantar para ela hinos tanto sacros quando profanos.


Ao que parece também respeitava sua esposa tratando-a frequentemente por Kate, solicitando seus conselhos e tributando-lhe máxima deferência.


Quando da morte de uma sua filha: Magdalena, Lutero, sentindo vibrar sobre si um rude golpe inda soube ser genial, pois tendo-lhe alguem lhe dito: 'Conforme-se olhe para o divino crucificado'

retrucou de pronto: mas o crucificado não perdeu uma filha na flor da juventude! E dizendo tais palavras soube ser ele mesmo e tampouco mentiu, pois cada dor é única e pessoal...



Não esbanjarei papel e tinta tentando convencer a quem quer que seja sobre a erudição de Lutero no que diz respeito as escrituras e mesmo a tradição da Igreja.


Vivesse hoje Lutero seria aclamado como patrólogo, coisa que naqueles tempos não existia.


Cumpre ressaltar ainda que Lutero foi o inventor daquele gênero de obras populares chamado catecismo, o qual foi posteriormente adotado por sua arqui inimiga a cúria romana, pela ortodoxia, pelo espíritismo e praticamente por todas as crenças e ideologias que aspiram ser conhecidas.





O OUTRO LADO DA MOEDA...




Que Lutero tenha sido um grande lider espiritual, uma personagem cativante e uma influência poderosa até nossos dias, alguém necessário a própria Igreja, não para salva-la, mas para aperfeiçoa-la de certa forma, nos parece exato; entretanto que tenha sido o reformador do Cristianismo nos parece uma pretensão inaceitavel.


Já porque deveriamos iniciar nossa demonstração, demonstrando que o Cristianismo é reformavel e não incorruptivel. Quando digo reformável digo apenas teoricamente ou credalmente e não moralmente.


Todos concordamos e sabemos que a Igreja deve reforma-se moralmente todos os dias e acrisolar-se no crisol da virtude.


Todos sabemos que todos os dias a igreja deve vigiar e purgar-se do mal para manter-se pura.


Todos sabemos que a igreja deve disciplinar seus filhos e neles a si mesma até a consumação dos séculos.


A questão a ser resolvida não é esta da reforma moral atinente a liberdade humana, e sim a duma suposta reforma doutrinal que tenha por fim restabelecer a algum artigo de fé divinamente revelado por Cristo e por assim dizer regeitado por sua igreja...


A dificuldade a que nos propomos é a da apostasia doutrinaria da igreja instituida por Cristo e se tal apostasia é necessária ou possivel. Se a igreja de Cristo pode ser infiel a Cristo a ponto de deixar de cumprir com sua função ou propósito que é conservar e custodiar a divina revelação...


Poderia Cristo ter erigido uma igreja doutrinariamente falivel sendo ele já todo poderoso, já infalivel e cada ponto de sua doutrina vital para todos os seres humanos de todos os tempos e lugares?


Não seria tanto mais digno de seus propósitos e perfeição edificar uma Igreja doutrinariamente incorruptivel, jamais batida ou vencida pelos poderes do abismo?


Qual a importancia duma igreja tão falivel quanto os individuos e sujeita ao veredicto subjetivo dos mesmos? Qual o valor de sua reformação?


Encetada uma primeira reformação manter-se-ia falivel a Igreja? Por quanto tempo e até quando?


Quem seria apto para julgar a necessidade de novas reformações?


Estaria a Igreja em perpétuo estado de Reforma?


Então como evitar a relativização completa duma doutrina que a História da Igreja é impotente para certificar?


Não insistirei mais sobre tal questão e nem julgo que este seja o lugar para faze-lo.






Concedamos porem que Jesus Cristo desejasse estabelecer uma igreja reformavel e não uma igreja incorruptivel e perfeita.


Nesta caso quem estaria autorizado a reforma-la e quais credencias deveria apresentar deacordo com o Evangelho?


Bastaria ser um homem genial e virtuoso ao menos em suas relações pessoais?


Bastaria um Martinho Lutero?


Podemos encara-lo cegamente, sem medo, receio e temor como o reformador nato ovacionado por D,aubigne, Michelet, E G Withe, Themudo Lessa, R F Hasse e tantos outros?


Cumpre associar-nos a esta respeitável grei ou manter certa atitude de reserva?


Penso que se a igreja carecesse mesmo dum reformador doutrinário este deveria assemelhar-se ao máximo possivel a seu divino fundandor e Mestre Jesus Cristo.


Creio que a conduta do homem comissionado a restabelecer a divina revelação deva refletir como num espelho a imagem do Verbo encarnado por quem a divina revelação foi manifestada aos homens.


Julgo que o carater do verdadeiro reformador devesse expressar em sua vida os mesmos traços que o carater de Nosso grandioso Salvador.


Um reformador cuja conduta fosse de certo modo alheia ou diversa da conduta moral de nosso Senhor Jesus Cristo não me satisfaz de modo algum.


Tenho para comigo que se a Igreja tivesse de ser mesmo reformada, tal incumbência teria sido legada a um Crisóstomo, a um Francisco, a um Vicente de Paulo, a um Damião de Veuster, a um Albert Schweitzer ou a um Bonhoeffer nos quais percebo Cristo com muito mais nitidez do que em M Lutero em que pesem suas virtudes já assinaladas.


Não se diga que Deus ao comissionar escolhe o que é desprezivel pois as santas escrituras querem dizer desprezivel aos olhos do mundo pela pobreza ou pela ingenuidade e não desprezivel para Deus pela conduta viciosa e imperfeita.


Deixei de crer na veracidade da Reforma no exato momento em que percebi não ser Lutero o personagem mais santo e virtuoso do Cristianismo, tal como mo haviam descrito na infância. Tendo conhecimento de muitos Cristãos mais virtuosos do que ele não pude mais admitir que uma missão tão importante e de certa forma semelhante a do Verbo fora confiada a alguém que como ele não soube reformar-se moralmente a si mesmo.


Caso Kardec tivesse ao menos aparência de ortodoxia, ficaria com ele. Não é o caso pois por mais que admire a moral elevada proclamada por ele e seus sucessores sua total liberdade em matéria de doutrina - como a regeição da Trindade, da Encarnação e da Ressurreição final - incompatibiliza-me consigo.


No que se refere a Lutero nossa incompatibilidade não se dá apenas no campo da doutrina mas principia no âmbito vital de sua postura diante da vida.






A OUTRA FACE DE LUTERO



Não posso admitir como reformador a um homem que a um lado se poz ao lado dos poderosos e dos burgueses e a outro aconselhou ele mesmo o massacre de milhares e milhares de camponezes que haviam crido em suas palavras e promessas dentre eles Th Munzer.


Certamente que Munzer era em varios aspectos inferior ao mestre de Wittemberg, entrentanto este homem bronco soube discernir o lado de Cristo numa luta empenhada com armas que não eram as de Cristo.


Soube ir ao magnífica e ler: ELE DERRUBA AOS PODEROSOS DE SEUS TRONOS E EXALTA AOS HUMILDES.


Donde se vê que a Virgem ou o Espírito que a move nada tem de monarquista ou de integrista como julgam nossos tortodoxos isentos de juizo...


Vão lá dar lições de política a Nossa Senhora...


Lutero mesmo reconheceu sua responsabilidade no que diz respeito a hecatombe social, entretanto negou agir em seu nome, alegou ser uma espécie de cavalo montado por Cristo e afirmou que o sangue do divino Crucificado lhe apagava os milhares de homicidios...


Porque implicado na morte dos camponezes Lutero se fez homicida milhares de vezes.


Entretanto reza a palavra de Deus que é inspirada e sem falha: NO HOMICIDA NÃO HÁ VIDA ETERNA...


Portanto um homicida não pode ser arvorado como reformador daquela instituição sagrada que foi erigida com o propósito divino de promover há vida em todas as suas formas e expressões.







OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS BURGUESES E PODEROSOS.




Ademais obtendo o poder Lutero tornou-se, como todos sabem tão arrogante quanto os ministros iniquos a quel fazia guerra.


Chamou em seu auxilio o poder temporal e abençoou as inquisições que logo foram erigidas nos principados luteranos.


Disse que quem não concordava com ele já estava fadado as penas eternas e foi chamado por Muntzer de 'papa da Wittemberg'.


Do mesmo modo que o patriarca de Constantinopla até hoje cobiça o principado funesto e sacrílego do papa romano...


Mandou que o povo fosse tratado a socos e conduzido ao culto luterano pelas baionetas.


Aconselhou que os dignatários da igreja romana e os anabatistas fossem varridos a espada.


Recusou-se a cumprimentar Zwinglio e festejou sua morte, bem como as de Karlstadt e Eckius.


Confesou odiar e amaldiçoar seus desafetos conforme estava persuadido de que a caridade era apenas um aspecto periférico do Cristianismo.


E assim mostrou-se totalmente alheio aquele espírito que animou os mártires de outrora nas catacumbas de Roma...





NOÇÕES INCOMPATIVEIS COM O EVANGELHO



Uma das notas marcantes do terceiro Evangelho é a presença da mulher ou melhor daquelas santas mulheres que assitiram ao Verbo de Deus, que aliviaram suas penas enquanto percorria aos agrestes rincões da Palestina e que permaneceram fiéis até o fim, até ao calvário, até a cruz.



Uma das notas do Cristianismo verdadeiro deve ser a promoção da mulher e de sua dignidade.



Lutero entretanto não pensava deste modo, conforme deduzimos de seus escritos:


"As palavras e atos de Deus são bem claros: as mulheres foram feitas para ser esposas ou prostitutas" (Martinho Lutero, "Works 12.94")



"Tenham seus filhos e façam o que puderem. Se morrerem no parto, benditas sejam, porque certamente morreram fazendo a vontade de Deus...Vejam como são débeis e pouco saudáveis as mulheres estéreis. As que foram abençoadas com muitos filhos são mais saudáveis, limpas e alegres. Mas se eventualmente se esgotam e morrem, não importa. Que morram dando à luz, pois para isto existem" (Martinho Lutero, "Works 20.84")


Certa vez até ousou referir-se as mães comoa vacas que estouram...



Sobre os judeus e o ódio que nutria aos mesmos não há praticamente nada a ser dito.


Somente um cego é capaz de negar que suas obras influenciaram Hitler e cominaram na morte de seis milhões de inocentes em camaras de gaz.


Diante disto pouco sobra ao papado para vangloriar-se...





LUTERO E A CIÊNCIA





O protestantismo não tem sido de forma alguma justo ao lembrar a conduta da Igreja papista com relação a Galileu, a denuncia-la, a exproba-la e a tirar partido disto quando sabemos que o primeiro protestante moderno - Lutero - chamou Nicolau Copérnico de POLONÊS IMBECIL.


Ademais a crença de Lutero em trols, duendes, gênios, bruxas, malefícios, etc só contribuiu para impulsionar a perseguição e a queima de feiticeiras e satanistas num momento em que graças ao renascimento cultural e científico e a atitude corajosa que alguns teologos papistas como Callidius e Edeline, estava logrando arrefece-la...


Segundo lemos em Waltari - o aventureiro - a reformação foi uma verdadeira caça as bruxas, pois enquanto os papistas ao menos simulavam um arremedo de julgamento as massas protestantes faziam justiça com as próprias mãos e linchavam essas infelizes.


Mesmo o grande Wesley não pode escapar aos prejuizos de tal educação e teve de afirmar que 'Se não há bruxas a Bíblia esta errada'


E Blackstone: Não há dúvida de que existem bruxas pois esta escrito na palavra de Deus.


São todos tributários do pensamento acanhado de Lutero.


É verdade que certos personagens santos e virtuosos como S Antonius do Egito (vide Vita in R Fullop Muller) também alegavam encontrar-se com o Diabo de tempos em tempos, mas não com a mesma frequência de Lutero, o qual dizia estar mais próximo do demo que da Catarina e que vez por outra baixava as ceroulas e mandava o rabudo lamber-lhe o cú. Tal o pitoresco exorcismo que a IURD não conservou!




SUA TRADUÇÃO DAS ESCRITURAS






Lutero também não foi honesto no que tange a sua obra prima que é a tradução alemã das escrituras sagradas.


Foi ele que principio a traduzir templo ou sinagoga por Igreja com o intuito de dar respaldo a sua teologia da apostasia, mantida em traços gerais por diversas seitas até o dia de hoje.


Quando sabemos que não havia verdadeira Igreja antes de Cristo, seu fundador e fiador.


Também aplicou aos sacerdotes, paramentos e vasos dos sacerdotes judaicos os nomes porque eram conhecidos os sacerdotes, paramentos e vasos da Igreja papista em sua época e país levando a parte menos instruida do povo a confundir a Igreja com a sinagoga e a pensar que foram os padres e bispos da Igreja papalida que condenaram e crucificaram o Salvador.


Quando eu era menino cheguei a ouvir duas senhoras muito idosas, uma pertencente a Assembléia de Deus e outra ao Adventismo, que os padres romanos haviam condenado e crucificado a Cristo!!!


Lutero também acrescentou palavras inexistentes a sua tradução da epistola dos romanos com o objetivo de dar respaldo a sua teoria do solifideismo.


E repudiou diversos livros como a epistola de S Tiago, porque impugnava como de fato impugna a mesma teoria.


E se não costumava empregar a mentira em suas relações sociais e pessoais afirmou que "Uma boa mentira em favor da Igreja não constitui pecado."





SUA IRREVERÊNCIA PARA COM NOSSO SENHOR.



Uma das atitudes de Lutero que me choca até o dia de hoje e que me choca repetidamente é uma de suas alusões ao carater de Nosso Senhor Jesus Cristo e a suas relações com Maria Madalena e a Samaritana, ei-la:



"Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela? " Depois, com Madalena, depois, com a mulher adútera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer" (Lutero, Tischredden, Conversas à Mesa, N* 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).



Penso que só esta frase tão ímpia e tão crua basta para que o Cristão repudie suas pretensões enquanto reformador do Cristianismo.


O mesmo F Brentano tendo em conta que jamais qualquer pagão, agnosta, materialista ou ateu ousara referir-se a Cristo em termos tão asquerosos, cogitou de que Lutero possivelmente estivesse chapado, digo bebado...






AS FALTAS DE LUTERO CONTRA OS MANDAMENTOS NEGATIVOS E MENORES



Se de fato o Cristão deve ser homem sóbrio, regular, moderado e perfeito, quanto mais aquele Cristão que pretendeu ou pretende arvorar-se em reformador da instituição Cristã.


Convem de fato que além de amar e servir a comunidade tal homem se abstenha de bebedeiras, de glutonarias e até mesmo de palavras de baixo calão.


Se assimo é ou deve ser Lutero deixou muito a desejar, pois após abandonar os votos em que não cria mais e a contrair matrimônio passou a empanturrar-se duma tal maneira que converteu-se num autêntico elefante, a ponto de não poder vestir-se sozinho e de ter morrido, possivelmente de indigestão. Seja como for sucedeu-se com ele aquilo que o velho Platão e o nosso Dr Seino afirmaram que se sucede com a maioria dos intemperantes: perdeu a saúde e viu-se completamente achacado por diversas enfermidades sem que oração ou milagres pudesse salva-lo.


No que tange a suas bebedeiras cada qual pode consultar a obra o Pastor calvinista Vicente Themudo Lessa (Lutero) o qual diante das inumeras confisões expontâneas do ex frade alemão, , admite-as, alegando todavia que se tratava dum costume geral da época...


E onde fica a reformação? A graça de deus? O poder? Os milagres? O testemunho?


Afinal tantos homens como Patricio, Crisostomo, Ambrosio, Francisco, Campanella, Babeuf, Thureau, Ballou, Tostoi, Freud, etc teem logrado ultrapassar a época em que viveram e algum deles quiça com as forças da natureza apenas, porque Lutero sendo comissionado por Deus não o logrou?


A suas palavras de baixo calão, tão infensas a mentalidade puritana, alude Heinrich Bullinger de Zurich nos seguintes termos: "É detestavel e obscena a linguagem de Lutero."


Erasmo que é insuspeito de todo puritanismo corrobora as palavras de Bullinger e registra que jamais fora capaz de ler suas obras até o fim devido a linguagem desabusada com que se deparava em cada página. in Grisar "Luther" p 154


Segundo o hebreu Zweig na vida e Erasmo Lutero referius-e ao grande humanista holandez como a um bezouro fétido destinado a ser esmagado por Deus com um rôlo...







Conclusão:



Hoje admitimos a genialidade de Lutero, seus predicados e virtudes, a necessidade imperativa da reformação implementada por ele, a contribuição providencial tanto dele quanto de seu povo ao bem estar e a sanidade da verdadeira Igreja, seu papel crucial no que diz respeito a evolução espiritual sa humanidade num processo dialético que parte de conflitos e busca sínteses cada vez mais perfeitas.


Lutero para nós não é mais aquele possesso ou danado e tampouco um homem qualquer.


Lutero foi um homem de seu tempo que colaborou para alterar as estruturas religiosas que o cercavam e cuja ação suplantou seus próprios planos e cálculos a ponto de se perder de vista e de influenciar até mesmo a mim que não sou protestante e que vivo na longinqua América, na terra de S Vicente.


Poucos homens como Buda, Sócrates, Confúcio, Aristoteles, Cristo, Paulo, Agostinho, Maomé, Francisco, Copernico, Vesalius, Da Vinci, Galileu, Descartes, Voltaire, Russeau, Lamarck, Marx, Freud e Einstein conseguiram influenciar os homens na mesma medida ou em medida maior que este ex frade alemão.


Indubitavelmente o nome de Lutero deve ser incluido neste rol, no rol dos homens que mais teem influenciado o pensamento e a conduta dos seres humanos, seja para o bem ou para o mal em vária medida.


Entretanto admitida a reformabilidade da divina revelação e da doutrina Cristã, não concordamos em atribuir-lhe esta suma incumbência, vital para todos os seres humanos.


Pois não percebemos que esteja a altura desta missão.


Que credências ofereceu ele?


Milagres como aquele que instituiu nossa econômia?


Não.


Santidade heróica ou mártirio?


Não.


Grande segundo o mundo não percebemos que Lutero seja grande segundo a mente de Cristo.


Um Origenes ou Colenso correspoderiam melhor a este papel.


Ao menos no meu parecer.






Não se diga pois que satanizamos a Lutero ou que lho detestamos.


Temos procurado formar uma imagem sóbria e equilibrada a seu respeito, entretanto não podemos abrir mão da mente ou do Espírito de Cristo que é a caridade, a justiça, a alteridade, a compaixão, etc


Nossos antepassados estavam no erro certamente, mas nos ensinaram um princípio bom que conservamos até hoje (legítimo princípio calvinista): Jamais abrir mão do Evangelho, jamais negociar o Evangelho, jamais ser flexivel a respeito do Evangelho.


Mil vezes fomos chamados de espíritas (não nos ofendem, antes nos elogiam pois todos os espíritas que conheci e conheço não pessoas honestas e virtuosas) entretanto os espíritas são pessoas bastante flexiveis, nós não, por herança genética ou cultural somos irredutiveis.


Procuramos assumir uma postura delicada tomando exemplo a esta figura que tanto prezamos e admiramos que é o Dr Seino, entretanto permanecemos completamente imunes a todo tipo de relativismo, impávidos e irredutiveis! Que Aristóteles nos valha e conserve sempre assim!


Julgamos de nossa parte ter feito justiça a Lutero.



No próximo artigo - se a saúde debilitada nos permitir - tributaremos o preito de nossa mais que sincera gratidão ao Luteranismo liberal ou ao liberalismo teologico protestante, mostrando que são nossos verdadeiros mestres em matéria de socialismo, psicanalise, evolucionismo, etc ou seja quem foram aqueles que nos griaram aos grandes mestres: Voltaire, Marx, Freud, Lamarck/Darwin, etc


E assim todos saberão em que medida, sem sermos protestante, temos sido influenciados pelo pensamento protestante.


Graça, paz e bem ao amado e fatigado leitor em nome de Jesus Cristo Senhor Nosso!