sexta-feira, 19 de junho de 2009

Minha apologia ao bom protestantismo III - De como me tornei um Cristão inconveniente...







Desde que eclodiu a fé protestante tem interagido de modo dinâmico com as outras fés que se pretendem Cristãs, sejam a ortodoxia, o romanismo e o espiritismo.


No que tange a ortodoxia penso que todos estejam mais ou menos cientes dos esforços empreedidos tanto por protestantes quanto por romanos com o objetivo de revindicar o testemunho da Igreja ortodoxa e de sua tradição em favor de seus dogmas e teorias.


Dentro deste contexto podemos assinalar o debate entabolado entre nosso Patriarca Jeremias e os Drs Crusius e Andreas, a elevação de Lucaris e Criptopoulos ao sólio patriarcal, a reunião de diversos sínodos em Islamboula, Jerusalem e Jassy, a afirmação do canon hebraico do velho testamento da parte da igreja dos russos, etc


No que tange ao romanismo cumpre salientar a canonização das teorias agostianianas por Trento, a querela modernista e o sínodo do Vaticano II com seu 'agiornamento'.


No que tange ao espiritismo Doyle na "História do Espiritismo" e Eppes Sargent nas "Bases científicas do espiritismo" referem minuciosamente ao contributo protestante já liberal, já sectarista (dos Quackers, Swedemborguianos, Irvinguianos, etc) na formação a teoria espirítica.


O protestantismo a seu lado também não pode se manter inume ao influxo das demais correntes espirituais que revindicam o título de Cristãs.


Na Inglaterra por influxo já do romanismo, já da ortodoxia, o anglicanismo foi paulatinamente se afastando dos princípios protestantes e tomando consciência de sua catolicidade do que resultou o movimento de oxford e o anglo catolicismo, já latente nas obras de W. Laud.


No que tange ao reformismo e aos sectarios foi a influencia da Igreja papista que lhos constrangeu a aceitar a uniformidade do Canon neo testamentário, a princípio posta em dúvida por Lutero, Calvino e outros.


Do mesmo modo a regeição do predestinacionismo e o surgimento do setor arminiano no seio do protestantismo não pode ser compreendida sem se levar em conta as disputas sucedidas entre calvinistas e papistas em torno do problema da liberdade humana. Foi a luz de tais polêmicas que parte do protestantismo pode perceber a insustentabilidade da posição 'ortodoxa' e a necessidade já dum recuo, já duma composição.


Outra consequência das disputas com o romanismo foi uma sutil mas perceptivel ruptura com o solifideismo nos termos em que fora professado por Lutero e Amsdorf. A luz de tais disputas e levando-se em conta os acertos inequivocos da posição romanista, o protestantismo pode formular uma posição média segundo a qual as obras são um sinal ou uma evidencia da salvação, o que no fim das contas implica em confesar que sem as obras não há salvação inda que as obras não salvem.


Hoje grande número de protestantes reconhece que fomos salvos para a lei e a obediência em Cristo ou restaurados para uma vida de santidade e não de pecado, tal a posição do grande lider J. Wesley. Cada vez mais os membros mais esclarecidos e eminentes do protestantismo vão aderindo a teoria da justificação vital ou interna e da graça capacitadora que dispõe o homem novo a prática de todas aquelas obras de justiça e piedade impostas pelo Evangelho.


No que tange a ortodoxia é sabido que na Alemanha e Escandinávia o contato com a tradição litúrgica da igreja russa fez com que os luteranos dessas regiões passassem a valorizar cada vez mais suas tradições litúrgicas e a abrilhantar suas formas de culto.


No que diz respeito ao espiritismo é sabido como esta forma tem desafiado todas as outras - anteriores a ela - no que diz respeito as obras caritativas e a assistência social.


Portanto inda que consideremos as formas opostas a ortodoxia como heréticas não deixamos de reconhecer o contributo das mesmas no que diz respeito a espiritualidade e a vida Cristãs e julgamos que cada uma delas tem sua razão de ser e seus méritos em que pese seus erros doutrinais, os quais nós, em comunhão com a antiga e grande igreja dos Bispos, condenamos de todo coração.


Entretanto, como já dissemos os erros doutrinais pertinentes ao campo da divina revelação nem sempre correspondem a desvios de ordem moral.


Feitas as devidas ressalvas estamos já preparados para manifestar publicamente o quanto devemos ao protestantismo no que diz respeito aquele espaço da espiritualidade que não é ocupado pelo dogma e que não se choca com ele.


Pois sabemos distinguir perfeitamente entre o que é revelado e proposto como de fé e o que é puramente teológico e especulativo no corpo da mãe igreja.


Ao título de Ortodoxo e Católico prezamos acima de tudo, ao rótulo de capacho do clero ou de clericalista desprezamos como coisa perniciosa e vã.


Não é ao doutor X ou ao padre N que nos subordinamos mas a tradição apostólica, ao acordo dos Teóforos padres nossos, aos concílios e sínodos pois não presicamos de muletas clericais.


Que o clero cuide em dispensar os santos mistérios com mais zelo e piedade do que em pensar por seus filhos, pois no que diz respeito ao pensamento todos possuimos a mesma capacidade.





O LUTERANISMO OU MELHOR O LIBERALISMO PROTESTANTE ALEMÃO.




Egresso a igreja papólica conheci o Evangelho, o Novo Testamento, a econômia da divina graça e aprendi a ama-la em oposição a econômia revogada dos hebreus.


Entretanto não foi esta comunhão que me fez odiar até a mêdula não os fundamentalistas e judaizantes, mas o fundamentalismo judaizante.


Enquanto filhos obedientes dessa igreja bem poderiamos ter permanecido no remansso do franciscanismo apenas levemente tocados pelas locubrações modernistas dum Tyrrel ou dum Loisy, as quais procedem em última analise do protestantismo liberal.


Também o espiritismo, mais que o romanismo, incompatibilizou-nos com a visão fundamentalista de nossos avoengos, todavia como veremos, não foi a igreja papólica que nos poz em contato com o ideário espírita ou que de alguma forma colaborou na gênese deste ideário.






Hoje sabemos que o bom liberalismo, o liberalismo moderado, o liberalismo Cristão, que limitou-se a demolir os mitos e a autoridade do Velho Testamento em matéria de fé, surgiu no seio da própria ortodoxia, se levamos em conta os nomes de Marcion, Apeles, Clemente, Origenes, Eusébio, Teodoro, etc...


E que ressurgiu posteriormente no corpo da Igreja romana sob os auspícios do grande Padre Ricardo Simon e do médico Jean D astruc. Pois foram estes dois filhos a igreja papalina que retomaram a critica no terreno do Testamento antigo e que reiniciaram o ataque a suas fábulas.


No entanto o papado, cujas bases são incapazes de resistir a uma crítica mais acurada no campo da História não podia encarar com bons olhos tais iniciativas e esclarecimentos.


De modo que as sábias constatações de Simon e Astruc morreram com eles e não poderam ser levadas a frente pelos súditos da papocracia. Receberam-nas os agnóstas como Voltaire a um lado e os luteranos por outro e desenvolveram-nas a partir da segunda metade do século XVIII.


Nos pódromos do luteranismo a tomada ou retomada de tais requistórios deve-se primeiramente a Josias Semler, o afamado pioneiro nos estudos sobre o canon alexandrino e a septuaginta em suas relações com a formação do Novo Testamento e a teologia Cristã primitiva.


Entretanto, paralelamente aos esforços positivos de Semler e outros teologos - quase todos luteranos - protestantes dignos de toda nossa estima e consideração, desenvolveu-se uma corrente paralela, indigna de nossos encômios e cujo fruto mais maduro são as teses do Sr Bultmann.


Refiro-me aquela crítica sem precedentes nos campos do romanismo e da ortodoxia, iniciada pelo Sr Reymarus e que tomou por objeto já o Novo Testamento, já o dogma Cristão, encarando o primeiro como totalmente indigno de crédito e o segundo como pura e simplismente mítico.


Cumpre assinalar ainda que - a partir do século XIX - ambas as correntes passaram a ser alimentadas por aquele anti-intelectualismo semeado por Lutero, regado por Kant e ceifado por Schleirmacher o qual acabou por lançar as bases duma espiritualidade meramente romântica e sob diversos aspectos já agnosta, já naturalista, a qual, segundo cremos - na esteira do protestante Fernand Buisson - não tem sua razão de ser no contexto Cristão, mas que foi acolhida de braços abertos por certos setores do luteranismo, apelando ao principio do Livre examinismo. Tal o cavalo de que os incrédulos sitiantes se valeram para tomar posse da Tróia ou melhor da Jerusalem divina.


Desgraçadamente as duas críticas ou liberalismos - o anti-judaizante que tem em vista o Antigo Testamento e suas fábulas visando uma purificação da Igreja e o anti-cristão que tem em vista o Novo Testamento e os mistérios do Cristianismo - se associaram, sem entrelaçaram, se misturaram cada vez mais em diversos sistemas e tem sido quase que sempre aceitas ou regeitadas como um todo: seja pelos agnóstas que em nada creem ou pelos fundamentalistas que se jactam de crer em tudo, inclusive em fábulas indigestas, que não são cristãs.


Tal não é a nossa posição, posto que deploramos todos os extremos.


Nem comungamos deste espírito já relativista, já cético, já emocionalista e romantico por termos sido formados na escola do estagirita e dos realismos comtiano e marxista, que conferem a nosso liberalismo uma feição tipicamente historicista.


Nem comungamos com esse agnosticismo ou com esse naturalismo que pretendem se passar por Cristãos. (pelos agnóstas e naturalistas assumidos e não Cristãos nutrimos o maior respeito e simpatia)


E tampouco nos alinhamos aos fundamentalistas infensos a todo e qualquer tipo de crítica religiosa. Nós não tememos professar uma crítica respeitosa cujo objetivo é expurgar a instituição cristã de elementos alienigenas ou culturais, sem jamais perder em vista aquele símbolo ou conjunto de artigos de fé que constituem o amago ou a essência da divina revelação.


Entretanto se os pastores ou mesmo os padres exigirem algo mais de nossa razão, ou seja, algo que não proceda diretamente da boca de Jesus Cristo e que tenha sua origem nas sentenças dos hebreus, estamos preparados para lhes dizer um sonoro: Não!


Nosso Mestre é Cristo e nossa Mestra a mãe Igreja quando nos fala de Cristo e seus mistérios e não dos Abraões, Moisés, Josués, Davides, Salomões, etc Aos quais nada devemos, a menos que, como setas ou placas nos tenham apontado este Verbo a cujo magistério infalivel nos submetemos mansamente, convencidos pelo testemunho de tantas e tantas profecias e pela elevação de suas doutrinas.






Foram os teologos protestantes ou luteranos liberais ou neo ortodoxos que nos conduziram a nossos referênciais e que nos reconciliaram com a civilização moderna.


Refiro-me aos Tillich, aos Brunner, aos Dillitzch, aos Ritzchl, aos Fosdick, aos Culmann, aos Bronw, aos Rodrigues, aos Rizzo Jr...


No que se refere aos anglicanos poderia citar Colenso, Ch Gore, o imortal C S Lewis, etc


Foram estes e muitos outros escritores, teologos e pensadores que me levaram aos pés de Lamarck/Darwin, Freud, Marx, etc


Haja visto que Tillich pretende - e tal pretenssão é vital para a Cristandade - conciliar organicamente o evolucionismo biologico, o psicanalismo e o marxismo com aquilo que acredita ser a essência da doutrina Cristã.


Todos os pensadores acima referidos e muitos outros são plenamente favoráveis a um ou outro aspecto da proposta de Tillich e eu mesmo não posso pensar doutra maneira confesando-me tributário de tão magestosa visão.


Ou o Cristianismo se assumirá enquanto crença ou religião sui generis, cujo fim último neste plano converge para a moral e fará as pazes com os grandes paradigmas da biologia, da psicologia, da sociologia e da política, fraternizando-se com eles, fecundando-os e colaborando sobrenaturalmente no que diz respeito a construção de um novo modus vivendi, oposto a todo tipo de pensamento mágico/idealista, ou, preso a um modelo de pensamento ou a um substrato cultural que lhe serviu de base, perecerá com ele.


É necessário lutar e combater para emancipar o Cristianismo, não de seus autênticos mistérios, mas de toda aquela ganga mitólogica que herdou do judaismo e das religiões pré Cristãs, do pensamento mágico e da ideologia teocrática.


Faz-se mister combater por um Cristianismo que reconheça seus límites enquanto fenômeno puramente religioso, abdicando daquela vã pretensão que é submeter a ciência e a sociedade, sem no entanto abdicar de inspirar suas decobertas e avanços numa perspectiva eminentemente ética ou moral.


Nada mais salutar que as humanitárias inspirações e diretrizes emprestadas pela divina revelação seja a ciência seja a sociedade. Nada mais repugnante do que essas tentativas mal sucedidas de recriar uma sociedade confesional, clerical ou teocrática no seio da qual seja reconhecido a instituição religiosa o abuso de julgar sobre as descobertas ciêntificas ou as conquistas sociais.


A Igreja romana nos proibia de ler as obras de Marx, Freud, Darwin, etc e nós como filhos obedientes e temerosos não ousavamos tomar tais obras em nossas mãos. Desejavamos antes tocar um basilisco ou uma aspide!


Os teologos e expositores protestantes nos fizeram o grato favor de nos por em contato com as matrizes do pensamento moderno, posteriormente, quando já podiamos discernir entre teologia, canonismo e revelação/tradição, pudemos compulsa-las sem quaisquer receios.


Tampouco entramos em contato com os escritos espiríticos através do romanismo.


Nossa educação calvinista nos tornará impermeáveis e infensos a qualquer aspecto do pensamento espírita e a igreja romana só fizera por reforçar tais preconceitos.


Enquanto filhos da Igreja romana só nos foi dado ler as críticas grosseiras e implacaveis de Klopembourg, Raupert, Zioni, Lepicier e outros, nas quais não só o aspecto doutrinal do espiritismo era irrefragavelmente esmiuçado a luz dos evangelhos e da tradição como até mesmo seu aspecto fenomenologico era satanizado ou naturalizado e seu aspecto moral ou ético minimizado ou distorcido. (neste ponto a crítica de romanistas e protestantes ao espiritismo sempre me pareceu inconsistente e também a tése demomologica que implica no Demônio - se é que ele existe - executar boas obras e reproduzir o mandamento do amor em suas pretenssas comunicações)


Quanto a literatura espíritica propriamente dita só tomamos contato com ela em meio a nossas polêmicas com o protestantismo.


Como é assaz sabido de todos os padres -romanistas - de outrora, sempre evitavam conferenciar com os leigos doutras religiões ou vertentes, especialmente em público e em dar a público tais controvérsias.


A experiência mostrou desde cedo aos jesuitas - que eram um instituto de controvérsias a favor do papado - que a publicidade de tais controvérsias (sucedidas entre romanos e protestantes ou entre os protestantes entre sí especialmente quando envolviam os lideres religiosos) redundavam sempre em certo resíduo de ceticismo no coração de alguns e que tal veneno se avolumava mais e mais na medida em que as seitas terçavam armas umas contra aos outras ou em que alguns ministros mais atilados da igreja papal nelas se imiscuiam.


Até onde sabemos os Francas, Liberalis, Brandões e Julios Marias só encetavam ou publicavam controvérsias com os grandes líderes protestantes na medida em que acreditavam ser possivel esmaga-los e atrair aos braços da Hidra romana um número de fiéis que compenssa-se certa produção de ceticismo, sempre tributário de tais controvérsias.


O protestantismo muito mais impulsivo que o romanismo, mal chegou a este pais e já se lançou a controvérsia. Vieira Ferreira, Miguel G torres, Eduardo C Pereira, Cerqueira Leite, Teixeira da Silva e outros logo se engalfinharam não com os clérigos, mas com os leigos da igreja romana, de que temos exemplo em suas disputas com o paladino romano Carlos Pimenta de Laet e outros de menor porte, e outros ainda de notória e comprovada inabilidade no campo da teologia.


Assim a disputa e a chicana religiosas se instalaram neste pais. Sob a alegação de que o muito escrever ou discutir sobre religião é indice de vitalidade religiosa...


Chegados a este pais com muita sede os herdeiros de Lutero foram logo ao pote e de pronto travaram batalhas escritas com os representantes do positivismo, como Almeida Novais e especialmente com os adeptos do espiritismo, igualmente recém chegado a estas plagas, os arranca rabos entre protestantes e espiritas nestes arraiais foram talvez mais numerosos que os arranca rabos ocorridos entre protestantes e romanos, já porque os romanos - sabendo que seu telhado era de vidro - preferiam não responder, já porque os espíritas eram quase sempre pertencentes as elites e a gente mais instruida daquela sociedade.


Foi através deles que fomos postos em contato - indireto a principio - com o espiritismo e não doutra forma.


Filhos obedientes da Santa Madre nos deleitavamos em folhear as obras dos grandes controversistas romanos já alistados aos quais se deve acrescentar Lúcio Navarro, Justino Mendes, Florêncio Dubois, etc


Esgotado tal filão e desejando escrever um elencos ou sintagma de controvérias - parte do qual já foi publicada em nossos blogs - levamos a cabo examinar também as obras dos controversistas protestantes e nos puzemos logo a pescrutar Alvaro Reis, Erasmo Braga, Galdino Moreira, Jeronimo Gueiros, Carey Taylor, Crabtree, Otoniel Mota, Luiz de Oliveira, etc


Ora no rodapé de todas estas obras papistas e protestantes nos deparamos com um aspecto da polêmica que por hora não nos dizia respeito, mas que, sem embargo chamou nossa atenção.


Refiro-me a certo número de alusões a polêmicas travadas entre os paladinos de Lutero e os filhos de Kardec e em número assaz abundante.


Procuramos de todas as maneiras ter acesso as versões protestantes de tais polêmicas, entretanto logo descobrimos que tais versões não costumam a ser publicadas... Assim, após muita relutância fomos obrigados a adquirir as versões espíritas, porque os espíritas, sentindo que venceram tais disputações costumam puplica-las e estuda-las amiude.


Começamos pelos autos da polêmica entre Schutel e o Pr Faustino Ribeiro porque os textos de ambos os contraditores fora publicado na integra pela editora o Clarim, fazendo Justiça ao dito pastor e facilitando a compreenção do leitor.


Tal obra foi para nós um primeiro caminho de Damasco (pois ainda não haviamos lido 'O Para e o concílio" e permaneciamos atados a cúria romana) pois percebemos de pronto a superioridade da argumentação espiritica tanto no que dizia respeito a abolição do Velho Testamento quanto no que dizia respeito a da tése demoníaca a qual implicava no Diabo estar promovendo o mandamento do amor que é o maior mandamento do Evangelho.


Diante disto julgamos necessário adquirir e compulsar todas as obras do gênero e assim fizemos examinando as controvérsias travadas entre: Benedito Afonso da Fonseca (ex protestante passado ao espiritismo) e seu primo e amigo Ernesto Luiz de Oliveira (o mesmo que disputou com o Pe Franca na obra "Roma, a igreja e o anti-Cristo") - vide protestantismo e Espiritismo B. A da Fonseca - FEB - 1941 - obra indispensavel - Carlos Imbassahy (o decano do espiritismo brasileiro na época), Jerômino Gueiros, José Nigro e Galdino Moreira (pastores protestantes) - vide "A margem do espiritismo" - FEB - 1950 - Romeu do amaral Camargo (ex protestante) e Otoniel Mota - vide "O protestantismo e o espiritismo" - Ferraz - 1928 - Figner (espirita) e Emilio W Kerr, etc, etc, etc


Foi assim, guiados pela polêmica protestante, que fomos levados ao exame das obras espíriticas.


E julgamos por bem começar por Dale Owen - região em litigio - Stainton Moses e Marshal, todos clérigos protestantes ou anglicanos que advogavam o título de Cristão para o espíritismo.


Foi ali que nos deparamos com uma alusão a afamada obra composta pelo ex papista Eppes Sargent "As bases científicas do espiritismo", a qual de pronto adquirimos, e examinos, e nos deparando com uma enorme lista de teologos e lideres protestantes europeus simpaticos ao espiritismo, a sua doutrina ou a sua ética. Alistamos a bibliografia e ali bebemos por via do espiritismo um sem número de referências a teorias postas em circulação pelo protestantismo liberal lá na Europa ou nos EUA, as quais jamais haviam sido publicadas aqui no Brasil.


Foi assim que o protestantismo dito ortodoxo nos familiarizou com a literatua espírita e que a literatura espírita nos poz em contato com um numero ainda mais numeroso de teologos protestantes liberais reforçando nossa tendência liberal no que diz respeito ao Velho Testamento e aos elementos culturais judaicos presentes no Cristianismo atual.


Por isso devo agradecer ao protestantismo por me ter prestado este grade favor de me ter posto em contato com uma literatura tão salutar como a literatura espírita, tributária por sua vez, em grande parte, das críticas feitas pelos teologos protestantes liberais (em especial aos luteranos alemães) já ao Velho Testamento, já ao Novo.


Foi assim que me aproximei ainda mais do liberalismo teologico e recebi mais ainda de Marx, Freud, Darwin, etc Poderia se quizesse ter recebido também Hume, Kant, Avenarius, Mach, Heidegger, etc Felismente, graças a igreja papólica, eu já havia sido iniciado nos mistérios de Sócrates, de seus predecessores (como Demócrito e outros), Platão e sobretudo do divino Aristoteles cujo modo de pensar (lógico) plasmou o meu.


Por isso meu pensamento permanece orbitando entre o racionalismo, o empirismo, o construtivismo, o materialismo, o realismo, a dialética, o humanismo, etc e alheio ao influxo de Agostinho, Sigerius, Ockan, via Lutero, Kant e seus sucessores.





Ninguém é capaz de calcular o quanto sou grato a esta vertente do protestantismo por me ler libertado das fábulas hebraicas, da letra morta e daquela mentalidade mágica que ainda hoje é tão peculiar a certar formas de Cristianismo.


Ao protestantismo liberal devo em última analise a profissão de um Cristianismo ciente de seus límites e que não entra em contradição com a ciência ou a sociedade profana.


E não gostaria nem um pouco de que o protestantismo ou a reforma tivessem deixado de existir.


Pois não estou nem estaria disposto e engolir a xaropada criacionista, nem mesmo pelo preço daquilo que considero o maior valor de minha existência: o Evangelho.


E caso tivesse de me curvar entre os elementos e representanções da cultura judaica embutidos no evangelho, como Abraão, Moisés, caleb, machismo, escravismo, etc preferiria ser agnósta do que ser Cristão.


Pois não devemos associar a pérola trazida dos céus pelo Logos com bijuteria de procedência humana.


Cumpre salientar sempre mais a singularidade da figura de Jesus e a especificidade de sua doutrina em face as puerilidades hebraicas.