quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Enganar pessoas não é e jamais será salva-las, só a verdade salva!

Não falo sem conhecimento de causa, nasci, cresci e vivi até meus dezesseis anos de idade numa determinada organização religiosa, pentecostal, histórica e bastante conhecida por todo este Brasil.

O lado materno de minha familia quase que em sua totalidade pertence ao segmento pentecostal, tendo eu primos na Assembléia de Deus (a qual vizitavamos assiduamente durante a infância juventude por ser considerada igreja irmã), no anabatismo, na IURD e em outras organizações protestantes cujos nomes são demasiado complicados para que deles me recorde no momento...

Como educador em atividade já há cerca de vinte anos, quase dez na esfera municipal e três na esfera municipal - da qual pedi exoneração - tenho tido a oportunidade de conviver com um bom numero de jovens pertencentes a essas confissões e de conversar detidamente com eles sobre o assunto religioso.

No mais sou leitor de diversas publicações oficias como a Folha Universal, No cenaculo, O puritano, O estandarte, etc colecionador de panfletos, etc possuindo ademais um volumoso arquivo formado por diversas reportangens extraidas da imprensa dita profana, sobre a temática pentecostal, isto sem falar nos livros, livretos, folhetins e teses que também tenho recebido praticamente de todo territorio nacional e américa latina, pois o tema é de meu maior interese e não me disporia a aborda-lo sem ter pleno conhecimento de causa.

Como intelectual inserido e educador consciente, sou constrangido a respeitar com a mais profunda veneração aos sentimentos das pessoas que pertencem as instituições acima citadas.

Sei que parte dessas pessoas buscam a Deus de todo coração e que procuram honestamente o caminho da vida eterna.

Não dirijo minha crítica as pessoas, quero dizer a irmandade, ao povo, mas as lideranças e sobretudo as doutrinas.

As lideranças porque mesmo no campo pentecostal parte delas é ligeiramente mais instruida que as massas e sobretudo a doutrina que, partindo de meus estudos e de minha experiência pessoal não é apta para concretizar a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo neste mundo, perpetuando situações de estrema injustiça.

Um de meus melhores amigos é um pastor Batista, lider da congregação batista de meu bairro, pessoa finíssima e de certa cultura.

O pastor anterior, que era pentecostal, uniu-se ao pastor da Assembléia de Deus e ambos exortados por uma de minhas vizinhas, decidiram por abrir uma sala de orações em minha rua, que é uma rua tipicamente residencial. Com isto estourou um conflito prenunciado há dez anos atrás, no qual tomei parte ativa e este conflito prolongou-se por meses a fio, pondo o projeto dos pastores a perder.

Entrementes a junta dos batistas dedignou o pastor pentecostal e mandou um pastor tradicional para ocupar seu lugar. Minha vizinha rebelou-se contra a nova ordem alegando ser contrária a do Espírito Santo e foi como que 'excomungada' tendo de passar a outra organização...

Devido a todos estes acontecimentos fui ter com o novo pastor batista do bairro, para informar-me melhor sobre o ocorrido e desde então nos tornamos bons amigos. O pastor adora discutir sobre alta teologia, então voces ja imaginam...

Outro dia fui até seu gabinete, ao lado do templo vizita-lo e começamos a debater sobre o pentecostalismo.

Desde o inicio do debate o pastor marcou sua posição.

No entender dela o pentecostalismo é um erro ou uma falsidade, porquanto fora predito pelo apóstolo que com o andar dos séculos os dons seriam suspensos como de fato foram.

Perguntei-lhe então sobre a origem das manifestações pentecostais e ele me deu a entender todo sem geito que não passavam de micagens ou encenações. Depois vim a saber que o pastor não tem o mínimo conhecimento de parapsicologia...

Neste caso, indaguei, o amigo é contra o pentecostalismo?

-- De forma alguma, retrucou o reverendo, não creio no pentecostalismo mas nem por isso sou contra ele. Uma coisa é ser pentecostal e eu não o sou e outra totalmente distinta é ser anti-pentecostal e isto também não o sou.

-- Então, perguntei-lhe, o amigo permite que suas ovelhas, frequentem os cultos dos pentecostais ou que se portem como pentecostais em seus cultos?

O pastor fez uma cara de repugnância e respondeu-me:

-- Minhas ovelhas não precisam disto, não bebem mais leite, ingerem apenas e tão somente alimento sólido.

Percebendo o alcance das palavras do pastor, incentivei:

-- Continue por favor.

E ele continuou:

-- Penso que o pentecostalismo cumpre com a missão de atrair as pessoas menos instruidas a igreja evangélica e de po-las em contato com o Evangelho e a salvação.

Serve pois como começo, depois as pessoas vão se aprofundando mais e pondo de lado as aberrações.

Era o que eu pensava sobre a RCC quando tornei-me tradicional (não tradicionalista - isto só ocorreu bem depois ) crendo que ela servia para os menos instruido, como começo ou forma de atrai-los a igreja.

Depois, pensava eu, na medida em que forem tomando contato com a tradição da Igreja iriam abandonando gradativamente suas aberrações...

Na altura em que conversava com meu amigo pastor - há cerca de seis meses - porém já havia superado esta concepção há mais de década e ja era capaz de compreender o quando era ingênua.

Nem na igreja romana nem no protestantismo o movimento é: pentecostal > tradicional mas em larga escala > tradicional > pentecostal na medida em que até mesmo algumas pessoas medianamente instruidas tem se deixado levar pela histeria coletiva e lançado as urtigas, tradições, rituais e costumes.

Para finalizar a conversa meu amigo me fez a seguinte pergunta (que alias já ouvi de inumeros lábios e já vi ser escrita por diversas penas):



Caso tais pessoas não estivessem no pentecostalismo ou na RCC onde estariam?
Entretanto os cultos e missas animadas atraem multidões a Cristo apontando-lhes a salvação?
Penso que do contrário tais pessoas estariam fora das igrejas tradicionais.
É possivel que fossem indiferentes ao fenômeno religioso ou que não acreditassem em absolutamente nada.
Acaso não estariam nas esquinas, nos bares ou na orgia não fossem as manifestações sobrenaturais caracteristicas de tais movimentos.


No entanto quem disse tais palavras nem era pentecostal, nem cria no pentecostalismo.


Em que pese meu grande respeito pelo pastor, somente uma figura poderia vir a minha mente naquele momento: a de Maquiavel e não a de Cristo.

Lembrei-me de que segundo Maquiavel os fins justificam os meios.

Fala-se de Jesus Cristo, ótimo, não se importa o que seja dito, atrai pessoas, deve ser bom...

Nosso Evangelho é tão fraco que desejamos que as pessoas não se esqueçam de falar de Cristo, inda que o que elas digam não seja muito decente...

Cristo no entanto não partilhava deste modo de pensar.

Ele era um daqueles casmurros que se importava muito com os juizos de essência ou com a verdade a pondo de dizer que a verdade libertaria os homens.

Se não creio que o pentecostalismo não procede de Deus ou do Espírito Santo, como posso deixar de me posicionar contra ele e de dar-lhe combate?

Se ao invés de apontar as pessoas as verdadeiras causas de seus sofrimentos tal movimento lhas disfarça e até tira proveito disso como poderia apoia-lo?

Se tem servido de apoio a teologia da prosperidade como posso crer que ele esta de algum modo promovendo a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Toda falsidade e malignidade do pentecostalismo se manifesta nestas três palavras: teologia da prosperidade, teologia putrida, blasfema, suja, sacrilega e anti-cristã em tudo, absolutamente tudo oposta aos valores e principios enunciados no Evangelho.

A teologia da prosperidade é um materialismo fetichista enquanto o Evangelho é humanismo, salvação do homem todo, regeneração do espírito e do corpo para a glória de Cristo Jesus.

Não há como disfarçar ou minimizar o significado da teologia da prosperidade.

Pois foi esta teologia infernal que inspirou a Judas, Simão - o mago, Ananias e Safira, dentre outros.

O que Getúlio dizia da saúva podemos dizer com toda propriedade da teologia da prosperidade: ou o Cristianismo destrói a teologia da prosperidade ou a teologia da prosperidade destruira o Cristianismo.

Quando discernimos um cancer em processo formativo num corpo ainda são, não costumamos a passar a mão sobre ele para acaricia-lo: extirpa-mo-lo antes que dimine o corpo.

Deus não pode salvar as pessoas por meio de recursos que sejam imorais.

Portanto se não cremos no pentecostalismo não podemos crer que ele corresponda a um propósito de Deus para a salvação dos homens, e sim que corresponda a um propósito de apostasia.

Pois os pentecostais creem sem sua boa fé que tudo quanto se passa entre eles é produto da ação e operação do Espírito Santo enquanto nós cremos que seja tudo fruto de encenação, de auto sugestão ou de poderes mentais (paranormalidade).

Logo se os pentecostais estão certos nós estamos completamente errados e menosprezamos a atuação do Espírito Santo, por outro lado, se nós estamos corretos eles é que estão a divinizar manifestações de origem puramente humana ou natural.

Portanto se estivermos certos eles estão errados.

E se estão errados deus não pode esta por trás operando uma operação de erro ou engano.

Neste caso o pentecostalismo enquanto erro deve ser estirpado.

Pouco importa se as igrejas pentecostais estão cheias se aqueles que lá estão estão sendo enganados.

Pois se enganado jamais será sinônimo de ser salvo.

Jesus jamais recorreu ao engano ou acobertou qualquer erro com a desculpa de agradar seus ouvintes e de salva-los, ele sempre disse tudo muito bem dito na cara de seus interlocutores.

E é assim mesmo como ele, Jesus, nosso Mestre e modelo que devemos proceder.

Não me interesa para onde iriam todas aqueles pessoas mas apenas e tão somente se lhes estão dizendo e mostrando a verdade.

Não precisamos de igrejas superlotadas, precisamos de igrejas que digam a verdade que agrade quer desagrade.

Não precisamos temer a igreja vazia, mas apenas e tão somente um evangelho esvaziado de seu conteúdo.

Já dizia aos carismaticos há quinze anos atrás: querem as igrejas cheias realizem campeonatos de futebol dentro delas ou vendam cachaça uma vez que já introduziram nelas o rock e o sambão.

Precisamos de Cristãos cheios da compreenção do Evangelho e não de templos cheios.

Templos cheios jamais significaram muito.

Durante toda a Idade Média as igrejas sempre estiveram cheias.

Também estiveram lotadas as igrejas da Alemanha durante a Guerra dos camponezes e as de Inglaterra durante a revolução Inglesa e isto não serviu para absolutamente nada pois aquelas gentes nada sabiam ou queriam saber do Evangelho e sua lei.

Durante o décimo nono século ocorreram diversos reavivamentos nos EEUU a de par com eles o exterminio dos indios e o martirio dos africanos, em que pesem as igrejas repletas de gente.

Entretanto homens repletos de Cristo como Ballou, Tolstoi, Paulo Freire... fizeram muito mais pelo Cristianismo do que todas essas multidões que encheram os templos e igrejas da Cristandade.

Quantas vezes as igrejas cheias não tem servido a propósitos iniquos?

Acaso as igrejas não estavam lotadas quando os judeus foram apressados como animais remetidos aos campos de concentração?

E o que os povo ou a massa religiosa fez?

Nada, nada, nada...

Alguns poucos homens como Schindler, Faulhaber, etc fizeram alguma coisa salvando algumas centenas de pessoas.

No entanto o Cristianismo possuia força fisica suficiente para ter resistido a politica Yankee ou a politica alemã caso fosse consciente... o pior de tudo é que houve cooperação em larga escala...

Portanto ter igrejas cheias e regurgitantes não serve para nada se aqueles pessoas não sabem o que é igreja, qual a função da igreja e sobretudo o que é ser igreja...

Elas pensam que sabem o que é igreja quando pula, gritam, cantam, dançam, entram em transe, etc mas será que sabem colocar-se a serviço do irmão?

Não me refiro a uma ou outra delas que por educação lho tenha aprendido, mas se tais igrejas cheias de fato fazem alguma diferença no contexto social.

Em que medida as tais igrejas cheias teem mudado algo?

Qual a marca deixada na História por tais comunidades em que pesem sua animação?

Por mais que doa a certas pessoas ouvi-lo é necessário dizer que a igreja não é um clube ou uma clinica de terapia a qual se vá para dirimir o stress ou mitiga as frustrações...

Percebo as coisas da seguinte maneira: Durante os dias de semana os operarios e trabalhadores são explorados e teem sua dignidade estiolada no ambiente de trabalho, ficam estressados, nervosos, irritados...

Eis que desponta o Domingo e o operário vai ao culto carismático ou pentecostal como que vai a um baile ou a um show qualquer distrair-se, passar por terapia (imposição de mãos) e ouvir mensagens otimistas de conformismo, voltando mais aliviado para casa e pronto para enfrentar mais uma semana da trabalho...

Francamente tal analise me revolta.

Pois nos revela um Cristianismo moralmente falido e a serviço de intereses burgueses figadalmente opostos aos valores e principios enunciados no Evangelho.

Que deveria fazer a dita comunidade caso fosse de fato nimbada pela luz do Espírito Santo da verdade?

Mostrar a este pobre homem o quanto é explorado e velipendiado em sua dignidade!

É justamente esta mensagem de veracidade e de libertação com que nos deparamos em grande parte dos sermões dos Padres antigos.

No entanto penso que suas igrejas não eram tão cheias quanto as nossas.

Que importa se eles cumpriam com o propósito de Cristo?