segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O ateísmo e violência.

Não penso que o fato de alguém, ou uma doutrina se declarar ateísta, ou materialista histórico, justifica a violência.

Nem mesmo ameniza, ainda que comparada dos péssimos exemplos de cristãos nominais, ou não.

Isto porque, no meu sentir, os que aderiram a esta forma de ação estiveram impregnados, de um modo ou de outro, ao menos de uma cultura cristã (pelo menos na Europa), no sentido de terem tido alguma informação dos mandamentos de Cristo.

De modo que, ainda que toda, ou a maior parte da sociedade de seu tempo não tenha vivido o evangelho (e, em algum tempo, será que a maioria algum dia viveu?), ainda assim estes não têm desculpa, pois rejeitaram também o Senhor que os resgatou.

Um outro aspecto que considero importante é o fato que, mesmo defensores de doutrinas materialistas, foram, em vários exemplos, pacifistas.

Nem todo socialista era um bélico, ou acreditava na força das armas para transformar o mundo.

O próprio Marx fora advertido que o seu sistema iria criar um modo de vida muito mais autoritário e opressivo que buscava combater.

Também o protestantismo teve o seu testemunho pacifista.

Muitos dos que estavam com os reformadores (com razão, sem razão, Deus os julgue), afirmavam que o uso da força era necessário para que a Reforma se efetivasse.

E realmente a força foi veementemente utilizada, de todos os lados, em todos os fronts.

Mas Deus não deixou de dar de seu testemunho durante, não somente aqueles dias, mas também em dias anteriores, como bem demonstraram muitas seitas durante a Idade Média.
Os anabatistas, de Baltazar Hubmaier, de Mennos Simons, era totalmente pacifistas.
Portanto, assim como os socialistas tiveram o testemunho de pessoas que vislumbraram uma forma diferente de socialismo, pela educação e pela consciência, também os protestantes tiveram o seu testemunho em uma via pacífica também, o que talvez os tornem indesculpáveis (agora, penso que deve haver uma diferença, visto que os países atingidos pelas primeira reforma, costumam venerar os reformadores; agora, não sei os países que aderiram ao materialismo histórico assim o fazem com os seus revolucionários - pode ser um argumento ingênuo, eu sei...)

Portanto, não há ser humano desculpável diante de Deus, pois algo de sua lei está gravada no coração de todos os homens.

Daí, mesmo se aqueles declaradamente ateus não tivessem tido nenhum testemunho cristão, penso que ainda assim não poderiam ser desculpados.

Agora, a diferença, no meu sentir, é que, não obstante as monstruosidades que os cristãos fizeram, ainda assim, é possível desassociar completamente o que os pretensos cristãos fizeram de terrível com aquilo que Cristo ensinou.

Uma leitura razoável do evangelho demonstrará que Cristo não compacturaria de modo algum com o massacre de índios, a chacina de latinos, o extermíno de judeus ou árabes.

Por isso que, não obstante o protestantismo ter oprimido lamentavelmente a população negra dos EUA, ainda assim, é do próprio protestantismo que boa parte (talvez, as maiores) reações a tal coisa se sucedeu.

Isto porque, os próprios negros oprimidos acreditaram no Cristo que o protestantismo proclamou, ainda que forçosamente naquelas terras, mas rejeitaram tal opressão feita pelos brancos.

Ou seja, foi possível disassociar as obras dos algozes brancos do Cristo anunciado; e isto é maravilhoso, pelo menos para mim!

A própria arma do opressor voltada contra este, lançando-se em rosto deste que ele, o bom homem branco protestante, em nada era parecido com o Cristo que dizia anunciar.

E a luz da verdade foi brilhando afinal.

Igual coisa, penso, pode ser descrita na África do Sul. Desmond Tutu é um exemplo disso; do anglicano colonizador ao anglicano defensor dos direitos humanos, na luta contra a tirania.

Portanto, isso é maravilho no cristianismo. Disassociar a obra dos cristãos nominais da obra do Cristo redentor.

Entretanto, no meu entender, me parece não ser possível fazer com alguns filósofos materialistas que, realmente, de fato, pregaram a revolução, o derramamento de sangue, além de, talvez, estarem bastante equivocados na solução que tencionavam dar ao problema que combatiam, mesmo no plano econômico (caso contrário, não teriam que manter a sua própria população em suas fronteiras na base das armas e das ameaças - parece que nem o pobre e triste povo acredita neste tipo de socialismo). Claro que há toda uma guerra ideológica, um jogo de informações, a força da mídia, etc; mas ambos os tipos de sistema manipulam, de certa forma, a informação.

E, conforme disse, não penso que o fato de serem ateus os torna mais escusos pela violência praticada, visto que, ainda que ateus, pois o não fazer ao próximo o que não se que contra si, é um princípio, tanto da razão natural, como da teologia natural.

Não sou historiador; os dados são muito confusos e manipuláveis. Mas ouvi dizer que poucos meses de Revolução Russa e Francesa derramaram mais sangue do que séculos de inquisição católica. Mas, conforme disse, não sei se tal coisa é verdade; é algo que preciso estudar um pouco mais.