quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Televisão e Evangelismo



Não há dúvida de que muito dinheiro é investido e utilizado para se ter um programa de televisão.

Este dinheiro, obviamente, vem das contribuições do povo de Deus (na melhor das hipóteses).

Ocorre que, há algumas ponderações que poderíamos fazer acerca de tais programas.

A primeira, ao que me parece, que a maior parte do povo que assiste tais programas, já é cristão.

Ou seja, é um bom (mas nem sempre tão bom) entretenimento para crente.

A segunda, podemos nos perguntar, será que estas pessoas que estão a maior parte de tempo no ar pregam mesmo o evangelho de Cristo (e não outro evangelho, como o da prosperidade)? Não parece ter se tornado uma mistura quase obrigatória, a mídia e o evangelho da prosperidade?

A terceira é: será que todo o dinheiro investido nestas programações, se, ao contrário, fosse investido nos pobres, em ação social, não traria um impacto muito maior para o mundo? Acho que podemos fazer esta meditação.

Quarto: será que realmente há expansão do cristianismo na divulgação de tais programas?

O que quero dizer com isso?

Quero dizer que o cristianismo só se expande quando atinge um povo não alcançado pelo evangelho. Mas, ao que tudo indica, tais programas passam onde o evangelho, de algum modo, já foi anunciado. Não sou cético a ponto de dizer que alguém não é beneficiado, e atraído a algum ministério por um destes programas; mas, tal pessoa, de certo modo, já era, muito provavelmente, cristianizada. Tais verbas poderiam estar sendo utilizadas para auxiliar os missionários em locais em que é muito delicado se dizer cristão.

Quinto: será que tais programas levam realmente um evangelho integral para as pessoas? O que quero dizer com isso. O anúncio das boas novas é somente uma parte de todo o processo. Além de evangelizar, é necessário discipular, conviver. Como fazer isso pela televisão? É impossível, obviamente, pois não há pessoalidade. Para que gastar tanto com algo que é somente parcial?

Sexto: não há, com estes programas, dispersão de mão de obra e de utilização de bens? Cada igreja, cada ministério, lança uma grande campanha de arrecadação. Pessoas de outro ministérios, de outras igrejas, acabam contribuindo, e deixando de ajudar um pouco mais sua igreja local. Já que todos querem ter um programa de televisão, não seria interessante vários ministérios se unirem para, juntos, poderem ministrar através de algum programa?

Sétimo: será que, ao exporem tanto assim o evangelho (ou as migalhas de evangelho que alguns parecem apresentar), não o torna assim, corriqueiro, desinteressante? Com o passar do tempo, será que não pode ocorrer justamente o contrário do que se busca. O povo da sua convivência, de modo geral, já não tem, no seu sentir, se sentido enjoado, ou repudiado a maior parte dos programas que passam por aí?

Oitavo: Talvez, como cristãos, nossa missão seja realmente a de influenciar a mídia convencional, colocar músicas de qualidade (levando em consideração o gênero de cada qual) em rádio seculares, ao invés de criar o nosso próprio gueto televisivo.

Nono: Se Cristo estivesse entre nós, como esteve na Palestina, será que não seria o contrário? Será que a mídia não o procuraria, seja para admirá-lo, seja para repudiá-lo? Ou seja, o impacto do evangelho não deveria ser tão grandioso a ponto de despertar o interesse da mída sobre os cristãos? Imagine nos tempos primitivos, a "canal Jerusalém" anunciando o crescimento do cristianismo, a preocupação das lideranças judaicas e romanas, etc?"

Décimo: Cristo faria isso? Ele arrecadaria bastante dinheiro dos seus discípulos, para ter um programa de televisão? Esta é a pergunta da vida do cristão: Cristo faria isso? Afinal, toda obra que não for feita em Cristo, não terá valor para a vida eterna.

Pensemos nisto. Não digo que desta água nunca beberei. Mas certamente, precisarei pensar bastante nisso para poder prosseguir...
(talvez alguém pense: ora, você não está utilizando um blog como meio de divulgação do evangelho? Bom... Pelo menos é de graça, ninguém paga nada...rsrsrs)