quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Deus não é patrão...

A maior parte de nós, algum dia, já preencheu uma ficha de emprego.

E, também a maior parte de nós, creio, já trabalhou algum dia...

Se o patrão te contratou, obviamente, algo ele gostou em você...

E, a medida que você produz e dá lucro para a empresa, o patrão vai gostando ainda mais de ti, e te recompensando por isso...

Será que as vezes não transmitimos esta mesma percepção para Deus?

Será que também as vezes não acabamos achando que vamos ser mais amados por Deus a medida que vamos produzindo?

Antigamente, se dizia que projetávamos em Deus a relação com o nosso pai terreno, afinal, ele era o pater, o patriarca, o dono do patrimônio, e porque não, o patrão?...

Hoje, a presença do nosso pai é fraca, na maior parte das vezes, daí, ao que parece, muitos projetam a figura do patrão no Pai...

Daí, por isso, tanto ativismo nas igrejas evangélicas, relatórios, prestação de conta, necessidade de angariar novos clientes, contribuintes, levantar lucro...

E isto é uma loucura...

Obviamente, ninguém diz isto claramente, mas, a medida que o obreiro produz, talvez alguns lhe passem a sensação de estar sendo mais aprovado, mais amado por Deus...

Entretanto, tal noção é absolutamente falsa, absolutamente enganosa...

As Escrituras nos asseguram que fomos amados ainda quando nós éramos pecadores... e, continuando pecadores, continuamos sendo amados... Absolutamente, absurdamente, graciosamente e imerecidamente amados!!!! Toda a expressão máxima do amor de Deus nos foi dada em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Daí, no meu sentir, não se aumenta o amor de Deus por nós a medida que produzismo para Ele...

Tudo o que se faz para Ele é em resposta ao amor que Ele já nos deu, e que foi acolhido em nossos corações...

Daí, apelos por produtividade não serem o ideal, pois poderá ser produzir um bom proletário no campo religioso, mas estaremos produzindo bons amantes?

Por isso, você, ministro religioso, tome cuidado para não passar, mesmo que sem muita inteção, esta noção para seus paroquianos, a de que eles precisam conquistar o coração divino através de favores e trabalhos...

Isto não seria graça... seria feitiçaria, ou algo do tipo...

Infelizmente, muitos temem admitir a absoluta mensagem do amor e da graça de Deus, pois não querem, ou temem que as pessoas sejam livres...


Carlos Seino