sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Meu amigo ateu...

Um amigo meu, ateu, disse que no dia em que houver provas plausíveis acerca da existência de Deus ele irá nele acreditar...

Disse até que, por exemplo, se aparecesse, nos céus, bem grande, um ente que dissesse: "Olá, habitantes da terra!!!! Eu sou Deus!!! Deveis crer em mim!!!..." ele passaria a acreditar...

Mas aí eu disse: eu é que não iria acreditar! Para se crer em algo deste tipo, nem precisaria ter fé...

Inclusive, eu lhe disse que, ele mesmo, se pensasse melhor, acreditaria menos ainda em Deus, pois certamente, creditaria tal aparição a qualquer coisa, um extraterrestre, uma montagem cinematográfica, a qualquer coisa, menos a Deus...

Se Deus pudesse ser provado pelos elementos de prova que possuímos, seria uma espécie de laboratório, algo manipulado pelo conhecimento humano, portanto não poderia ser Deus...

Enfim, ele concordou comigo, que, de fato, após uma aparição destas, certamente ele se tornaria ainda mais cético...

A fé em Deus é uma crença razoável... Entender que nada surgiu do nada, do acaso, e que há uma possibilidade imensa de existir algo inteligente que a tudo criou é uma hipótese plausível, até mesmo porque, se limitarmos a nossa crença aos elementos visíveis, descritíveis e manipuláveis, não vemos o acaso gerar vida no universo...

Obviamente, os céticos dizem que tais elementos não podem ser observáveis, pois levam milhóes e milhões de anos... mas ao dizerem isso, parece-me que utilizam do mesmo expediente do qual acusam os teólogos, ou seja, jogar um pouco do que fundamentam suas crenças no que não pode ser observável nem mensurável...

Dái, no meu sentir, ser uma hipótese razoável a idéia da existência de Deus, ou de Algo, no lugar do nada (Aquino dizia que poderíamos inclusive utilizar outra palavra que não Deus...).

De qualquer modo, ceticismo, ateísmo, ou fé, é uma postura existencial da qual cada um de nós, por um ou outro motivo, decide adotar. O ser humano tem sede do absoluto, da eternidade, daí, em tudo o que faz, de modo saudável, busca a permanência, pois não aceita passivamente o elemento morte dentro de si, pois, ainda que aprenda a encarar tal fato com serenidade, gostaria sempre de ser lembrado. Daí, Tillich ter dito que, de certa forma, a religião poder ser definida por aquilo que nos toca de forma incondicional...

Meu amigo prefere continar não crendo... Eu prefiro crer... Sou melhor que ele por isso? Não creio. Mas entendo que, o que nos torna humanos é justamente abstrairmos o pensamento, superando o mundo empírico para o racional, para o metafísico, caso contrário, aí sim, não haveria diferença nenhuma entre nós e os macacos... Poderíamos então voltar a andar de quatro ou morar nas árvores que dava na mesma...