sábado, 30 de janeiro de 2010

Moralismo cruel..

Temos que tomar cuidado para não nos tornarmos moralistas cruéis...

Este é um dos grandes riscos que a religião pode acabar por criar...

Pessoas julgadoras, dos escrupúlos e atos alheios.

Vocês já repararam o quanto, muitas vezes, somos tão radicais, convictos contra aquelas coisas que para nós aparentemente não apresentam nenhum risco?

Por exemplo, o protestantismo evangélico, que é bastante iconoclasta, costuma criticar, por meio de seus fiéis, com grande veemência os católicos e membros de outras religiões que utilizam imagens. Isto porque, o protestante julga que este é um pecado mais do que vencido pela sua religião, pelo menos no que tange ao uso de imagens...

Lembro-me de quando eu era novo convertido, e que já havia vencido o terrível vício do cigarro, e era bastante exigente com aqueles novos convertidos que se achegavam a igreja, exigindo deles a mesma radicalidade para largarem tal vício...

Costumamos ser ríspidos contra aqueles atos que parecem não nos apresentar nenhum risco. Um hétero, por exemplo, pode demontrar bastante intolerância para com o homossexualismo, dizendo rispidamente que tal coisa é imoralidade, e coisa do tipo; mas quando é confrontado pela sua cobiça ao sexo oposto, pornografia e coisa do tipo, desculpa-se dizendo que é uma questão de fraqueza...

E o moralista acaba que, muitas vezes, criar um rígido método comportamental, uma rígida disciplina, e passa a explícita ou implicitamente "punir" os que não conseguem se adequar a tais regras. E o problema maior é quando começam a pesar de modo diferente os diversos pecados de seu próprio código, sendo que, cada grupo religioso parece ter a sua lista de pecados mais mortais, mais sérios, por assim dizer. O meio evangélico, por exemplo, é bastante radical contra o alcool, o fumo, e pecados sexuais, enquanto que pecados estruturais, bem como o egoísmo que o gera, sequer são mencionados. Um fiel evangélico neo-pentecostal se torna alguém perfeitamente conformado ao capitalismo, por exemplo, quando, se lesse algumas passagens com a mesma literalidade com o qual lê a Bíblia, veria que acumular dinheiro, riquezas, entre outras coisas, pode parecer terminantemente proibido pelas Escrituras.

Vi um pastor norte americano, no youtube (se achar o vídeo, posto por aqui) falar com tanta radicalidade contra o homossexualismo, com tanta grosseria, propondo até uma possível agressão física contra o homossexual que o "cantasse" que imediatamente lembrei-me da crueldade que estamos a nos referir.


Daí, não importa qual seja o seu código moral, aquele conjunto de regras que você extrai da sua leitura das Escrituras. Nunca podemos deixar de ser pessoas encharcadas pela misericórdia e pelo amor de Deus, pela compreensão, pela inclusividade, pela escuta atenta. Somente quando nos colocamos radicalmente ao lado do outro é que podemos realmente compreendê-lo e amá-lo, mesmo se dele discordarmos em alguns pontos.