segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Uma certa ascética é preciso..


Quando se fala em ascetismo, logo pensamos em padres ou andarilhos malucos que vão andar por aí sozinhos, sujos, afastados de tudo e de todos...

Nâo duvido que haja altos níveis de espiritualidades e de contemplação que envolvam tal procedimento; quem sou eu para criticar... (ainda mais se levarmos em consideração a sociedade em que vivemos...)

Ocorre que, com certeza, assim como tomamos banho para tirar a sujeira, e evitamos que ela nos cubra, na medida do possível, também na alma devemos "tirar a sujeira", ou evitar que ela nos cubra. Não é a toa que o simbolo muitas vezes utilizado para a a Palavra é de uma água límpida e purificadora.

Daí, a necessidade de uma certa ascética intramundana. Quem é que fica com a alma totalmente saudável consumindo toda a sujeira destas emporcalhadas novelas e distrações, programas que exaltam o hedonismo, o culto de si próprio, a competição, a violência?

A absoluta dependência destas distrações, penso, provam a pobreza de nossa vida interior, ou ainda, a própria pobreza de nossa vida comunitária.

Nossa vida é tão desinteressante assim que precisamos constantemente nos empolgar com a fictícia vida de outras pessoas que nos vem pela telinha?

Ou talvez esta meditação toda seja uma grande viagem de quem leu um pouco de Taizé, de Jean-Yves Leloup, Teresinha, A. W. Tozer, entre outros... Não que eu queira ser um crítico chato, desmancha prazeres, como os mais ríspidos pastores ultra pentecostais tradicionalistas que conheci. Nada disso (eu mesmo, neste espaço, já compartilhei alguns filmes que assisti). É tão somente uma sugestão de quem, a passos de tartaruga, tem reconhecido que o belo, o santo, o profundo, o significado também pode ser obtido no silêncio e na reflexão, e que pode haver formas mais dinâmicas, prazerosas de intercomunhão do que jogar todos os pontos em um programa de televisão...