quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma religião que acolhe...

Ouvi de um certo teólogo, não lembro-me onde, e gostei... Não lembro mesmo; quando lembrar, posto a fonte...

Há basicamente três formas dominantes de se pensar em Deus...

Uma das formas, talvez mais indiana, diz que Deus está em tudo, se confunde com tudo...

Não há um para além em que a divindade esteja, mas com tudo ela se identifica...

E há uma outra forma, judaica-islâmica, em que Deus não se confunde com nada criado, pois está absolutamente para além de tudo... é absolutamente transcendente... tanto é que não se pode representá-lo com nenhum tipo de símbolo e imagens...

E há uma forma de se pensar em Deus em que as duas visões são relativamente acolhidas...

C. S. Lewis ensinou certa vez que, quando olhamos para uma casa, ou uma obra de arte, podemos conhecer um pouco, ou muito sobre o seu construtor, sobre o seu autor... Mas não podemos conhecer totalmente o autor, pois ele não se confunde com a obra... Apenas expressa, de modo maravilhoso, o coração do artista...

Entretanto, para a esperança cristã, o construtor "entrou" dentro da casa, e se deu a conhecer... e se identificou completamente com sua construção...

Então, para esta terceira forma de pensar, Deus, de modo algum, se confunde com tudo... Entretanto, também não é somente o totalmente outro...

Ele é o totalmente outro mais presente do que nós em nós mesmos... é o transcendente totalmente imanente...

Daí, esta terceria forma de pensar não precisa ver as outras como inimigas... mas as acolhe, e as completa, e as recebe de braços abertos...

Aquele mesmo teólogo que não me lembro agora ainda ensinou que, os reis magos, aqueles que adoraram Jesus, eram tipo de bruxos, de feiticeiros talvez, e foi com os elementos de sua religião, que nada tinha de judaísmo, que chegaram até o Cristo... E eu observo que boa parte dos líderes religiosos do povo do livro, dos ortodoxos de então... ficaram tão distantes de Jesus, não o encontraram de modo algum...