terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A fé que alcança (Mc 5.24-34)

Dois personagens se destacam em meio aquela multidão que seguia a Jesus. Um homem e uma mulher. O homem se chama Jairo e a mulher é anônima. Nos doze últimos anos, Jairo desfrutou da alegria do convívio de sua querida filha, enquanto a mulher sofreu nestes mesmos doze anos de uma doença que a privava de dar à luz. Sabe, doze anos são muito tempo em termos de sofrimento e bem pouco em termos de vida.

Sabemos que enquanto Jairo desfrutava de conforto, aquela pobre mulher padecia numa condição de miséria. O homem era líder respeitado de sua comunidade, já a mulher sofria os preconceitos e a exclusão de uma sociedade que a considerava maldita por conta da natureza de sua enfermidade que também a deixara estéril. Jairo aborda a Jesus publicamente, enquanto a mulher o faz discreta e secretamente. Ambos estavam enfrentando dramas terríveis de desilusão após o esgotamento de todos os meios humanos disponíveis com o diagnóstico final dos médicos que disseram que nada mais podia ser feito. Mas, mesmo assim, eles creram que aquilo que era impossível para os homens, era possível para Jesus. Ambos mostraram muita determinação para superar uma multidão a fim de conseguir entrar em contato com Jesus. A fé deles não será em vão!

Uma multtidão mantém contato com Jesus, mas não da mesma forma. Muitos tocavam em Cristo, mas somente a mulher o tocou com fé. Muitos invocaram o seu nome, mas, na ocasião, somente Jairo o fez com fé viva e esperançosa. Jesus conhece e recompensa aqueles que o buscam com fé.

Embora Jairo tenha procurado a Cristo antes da mulher. Enquanto ainda caminhava na direção da casa de Jairo, Jesus pára para dar atenção à ela em primeiro lugar. Pode ser que tal prioridade se deva a compaixão de Cristo pelo estado de fragilidade física e emocial daquela mulher após tantos anos de sofrimento e desprezo. A demora aqui pode ter também algo de proposital à semelhança daquela que culminou na ressurreição de Lázaro, revelando o esplendor da glória do Filho de Deus. Tal demora certamente aumentou a angústia e a provação da fé de Jairo que sabia que sua filha estava à beira da morte e que cada minuto era de suma importância. Às vezes, somos experimentados até o limite.

Quando, finalmente, eles se aproximam da casa de Jairo, chega a notícia da morte da menina. E todos estavam dizendo que não adiantava mais incomodar o mestre. Podemos imaginar como tal notícia deve ter abalado o coração daquele pai. No entanto, mesmo quando tudo ao nosso redor parece dizer que chegou o fim, ainda podemos ouvir a voz de Cristo nos falando: "Não temas, crê somente"!

Então, Jesus adentra ao aposento onde a garota jazia morta. Ali, ele somente permite a entrada daqueles que demonstravam fé e esperança. Somente os que nele creram, puderam de fato contemplar o milagre da ressurreição da filha de Jairo. Uma grande lição para todos nós que precisamos sempre atentar para as palavras de Jesus proferidas instantes antes da ressurreição de Lázaro: "Se creres, verás a glória de Deus" (Jo 11.40)!

Bispo José Ildo Swartele de Mello