domingo, 7 de março de 2010

Não dizimistas são ladrões?

Infelizmente, tenho ouvido uma maior radicalidade neste discurso, qual seja, de que os não dizimistas são ladrões.

Tudo isso, baseado sempre no discurso do profeta Malaquias, que trovejou contra os israelitas dizendo que estes roubam a Deus por não dizimarem e ofertarem na "casa do tesouro" (templo).

E o pior, é que, no enrijecimento de tal discurso, muitos acabam dizendo que, os não dizimistas não serão salvos. Já ouvi isto pessoalmente de pastores que pregam para milhares de fiéis, que, se não dizimarem, não vão para o céu.

O raciocínio é simples: os que não dizimam são ladrões, e os ladrões não entrarão no Reino, conforme muitas passagens das Escrituras.

Entretanto, tais pastores, pela sua ignorância, ou má fé mesmo, não mencionam o seguinte:

A Igreja não é o Templo de Jerusalém; os pastores não são Sacerdotes Levitas, e o Brasil não é Israel!

Ou seja, a Igreja não realiza sacrifícios que apontam para o sacrifício vindouro do Cordeiro que tira o pecado do mundo; os pastores não são levitas, que não podiam de modo algum ter propriedade nenhuma em Israel nem de outra coisa se ocupar, e o Brasil não é uma sociedade teocrática como Israel, em que o dízimo estava integrado, por assim dizer, no sistema tributário da nação.

Por isso, os fiéis cristãos não podem ser chamados de ladrões por não dizimarem.

Mas pior são aqueles que associam o dízimo com a salvação, redefinindo a soteriologia cristã!

Verdadeiros enganados e enganadores, blasfemadores do santo evangelho, decaíram da graça!!!

Não percebem que fazem como aqueles cristãos judeus que associavam a salvação com a necessidade de circuncisão, que o apóstolo dos gentios tão bravamente combate em seu ministério?

Àqueles diziam que, para alguém ser parte do povo de Deus, tinha que ser circuncidado. Ora, isto é até compreensível, visto que, por séculos, os judeus guardaram um mandamento que foi dado à Abraão.

Mas ainda assim, Paulo, corajosamente, disse que pelas obras da lei, ninguém seria salvo!!!

Entretanto, os espertinhos facínoras dizem que o dízimo existia antes da lei, pois os patriarcas dizimavam; inclusive o próprio Abraão dizimou à Melquisedeque.

Ora; a circuncisão também foi dada antes da lei, e nem por isso Paulo deixou de identificar tal ato com uma "obra da lei".

Isto porque, a própria lei incorporou a circuncisão em seus estatutos, como o fez com o dízimo.

Daí, o dízimo também poder ser identificado como uma obra da lei.

E, por obras da lei, ninguém será salvo!

Portanto, blasfemam do evangelho os que fazem a salvação depender do ato de dizimar!

Já escrevi sobre isso aqui, mas, a medida que aumenta tal prática no meio evangélico, me vejo a escrever novamente. Infelizmente, isto é combater um gigante com uma mísera pedrinha! Espero que esta pedrinha atinja em cheio bem no meio da testa do gigante para derrubá-lo!

Veja que este não se trata de um texto que desincentive a contribuição de qualquer fiel à sua própria congregação; nada disso. Não é disso que tratamos aqui. De quanto der, faça-o para a glória de Deus!

Sequer duvidamos da benção divina que vai para aqueles que de coração contribuem para a causa do evangelho!

Entretanto, é preciso rechaçar com veemência qualquer tentativa de associar a salvação a uma auto-justiça, uma obra humana!

Afinal, "pelas obras da lei, ninguém irá se salvar" e, "pela graça somos salvos, por meio da fé; não de obras, para que ninguém se glorie!

Soli Deo Gloriae!
Crux sola est nostra theologia!