quarta-feira, 31 de março de 2010

Sobre a naturalidade de nossa bondade

"...quando deres esmola, não saiba sua mão esquerda o que faz a direita..."


Sempre achei este mandamento de Jesus um tipo de força de expressão para reforçar a determinação de que não deveríamos dar esmola e fazer "tocar a trombeta diante de nós", ou seja, não fazer cariade para "aparecer" diante dos homens.

Também já fiquei matutando como esta passagem do sermão do monte poderia se harmonizar com a passagem do mesmo sermão que diz que nossa luz deve brilhar diante dos homens para que eles vejam nossas boas obras para que glorifiquem ao Pai que está nos céus.

Curioso.

Como fazer com que vejam nossas boas obras quando ao mesmo tempo não é nem pra nossa mão esquerda saber o que faz a direita?

Bom.

Outro dia ocorreu um fato corriqueiro que me fez pensar acerca desta questão.

Cheguei ao meu trabalho, já fui sentando em minha mesa, etc, quando me ocorreu se eu havia batido ou não o ponto eletrônico.

Tive que pedir a minha supervisora que verificasse através de uma rede de sistema se realmente constava que eu havia registrado a minha chegada.

Quando ela verificou, realmente ocnstou que eu havia marcado o ponto.

Ou seja, eu fiz algo de forma rotineira e inconsciente. Bati o ponto conforme faço todos os dias.

O que eu quero dizer com isso?

Que sou um zé mané super distraído?

Sim, isto também.

Mas o que eu realmente quero dizer é que as boas obras devem ser tais em nossas vidas, que ocorram de forma tão natural ao ponto de nos tornarmos inconscientes delas.

Há muitas coisas que fazemos inconscientemente, todos os dias, pois se tornaram parte de nossa rotina, de nosso próprio ser.

Penso que Jesus quer que a bondade seja natural em nós. Que não seja um parêntesis em nosso cotidiano. Que enquanto nos tornamos, de certo modo, conscientes do que fazemos, talvez signifique que não seja parte íntegra de nosso ser.

Talvez isso seja se tornar como criança.