quinta-feira, 8 de abril de 2010

O assombro diante do algo




Por Carlos Seino

O prezado leitor já deve ter feito algum estudo, ou visto alguma informação no sentido de se comparar, por exemplo, a estrutura, o tamanho do planeta terra com o sol.

Se acaso tenha tal informação, verá que a terra é muitíssimo menor que a estrela que sustenta este nosso sistema. Acho que a comparação talvez seja a de um pequeno limão perto de uma bola de basquete, ou talvez seja maior ainda a discrepância entre uma e outra.

Entretanto, o sol não nos atrai muito. Não passa de uma bola de fogo. Acho que não faz meditar; só faz temer (e abanar). Vai que este troço explode um dia, é o fim de todos nós. Mas salvo sacerdotes criadores de religião, penso que o sol não faz meditar muito.

Por outro lado, haja vista a grande tecnologia de nossos dias, podemos, por exemplo, comparar o sol com outras estrelas. A estrela “Vega”, por exemplo. Veremos que é aí que o sol se torna pequeno.

Ou então comparar o nosso sistema solar com outro. Veremos que há incontáveis sistemas, talvez tão complexos e interessantes quanto o nosso.

Mas a brincadeira não para por aí.

Sabemos que estamos em uma galáxia, a “Via Láctea”, o quanto ela é bonita e interessante. Se você puder ir no planetário aqui em Sampa, verá ela “bem de perto”, uma grande nuvem no espaço.

Mas aí aprendemos que nossa galáxia é somente uma entre milhares.

Somente uma entre milhares...

E o que somos nós diante desta imensidão toda?

O que representa cada um de nós?

Acho que é uma coisa impossível de dimensionar.

De centro do universo passamos a ser menos do que o pó de nossa sala em um dia qualquer.

Menores que uma bactéria em um ser vivo.

Viajando nestas idéias, acabo pensando o quão talvez fúteis são as coisas que os homens façam debaixo do sol.

Teologizando sobre a natureza, entende?

Não precisa ficar pensando no céu, nas regiões celestiais para ter esta dimensão da grandeza e da pequeneza da existência.

Basta olhar para a natureza, e aí, talvez, possamos vislumbrar um momento de “epifania”.

Fico pensando que quase toda a atividade humana por sobre a terra é composta de mesquinharia.

A cada pilha de papel, a cada carimbo, a cada venda de sapato, a cada programa de TV..., o que é isso diante da imensidão do universo...

Há um complexo de coisas tão belas e interessantes acontecendo ao nosso redor, mas estamos tão envolvidos no “ganhar a vida”, “ganhar o pão”, que mal temos tempos para achar outros sentidos.

Ao que parece, na curta jornada do ser humano sobre a face da terra, somente um grupo muito pequeno de homens puderem ver para além do casulo, para além da cortina de ferro, para além da linha de montagem e estudar realmente a vida, o cosmos, o universo.

Obviamente, a grande e imensa maioria dos seres humanos só quer ganhar mais dinheiro, melhorar de vida, etc. Lembro-me de quando eu, quintoanista de Direito, conversava sobre isso com uns colegas, uma amiga não conseguia entender como a gente podia perder tanto tempo discutindo estas coisas, com provas, OAB, e outras coisas importantes para estudar...

Ocorre que quando observo a grandeza do universo, me passa a sensação de que quase todas as nossas questiculas são nada, são irrelevantes, são passageiras.

Ou seja, nem preciso da teologia para chegar a estas conclusões...

Mas fico mesmo a imaginar quando que a humanidade conseguirá criar uma nova forma de vida, uma nova forma de existência, que possibilite que voltemos a nossa intenção para aquilo que realmente é importante e belo na vida. Com isso, não quero dizer que a beleza só está no inalcançável, mas é esta mesma grandeza que nos faz ver o valor de uma flor, na vida de uma formiga, na imensidão de um átomo, de uma molécula. Nesta beleza da criação, que a tanto nos podia inspirar. Uma nova forma de vida, de tecnologia que não agrida a natureza, mas que nos faça celebrar com ela.

Não precisa muito para manter uma vida; mas na forma de vida que criamos, gastamos quase toda a nossa energia com isso. E só começamos realmente a pensar, a realizar aquilo pelo qual a natureza tem nos programado, quando nossas necessidades vitais estão supridas. O ser humano é a única espécie que talvez, quando suas necessidades básicas estão supridas, que começa a pensar na felicidade (antes, só pensa em comer). Acho que é por isso, por essa sensação básica, este instinto subjacente, que Cristo disse para não nos preocuparmos demasiadamente na nossa subsistência, mas sim viver da confiança.

Que possamos vislumbrar, de algum modo, esta utopia, de criar um sistema de vida em que, de algum modo, todos quanto quiserem possam adentrar mais profundamente no significado e na beleza da existência.