quinta-feira, 13 de maio de 2010

A eclesiologia de Inácio

A ECLESIOLOGIA DE INÁCIO

"Segui todos ao bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitério como aos apóstolos; respeitai aos diáconos como à lei de Deus. Sem o bispo, ninguém faça nada do que diz respeito à Igreja. Considerai legítima a eucaristia realizada pelo bispo ou por alguém que foi encarregado por ele. Onde aparece o bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica" (Inácio aos Esmirniotas).

Inácio foi o primeiro escritor cristão a mencionar a tríplice ordem na Igreja: bispos, presbíteros e diáconos, e isto, de forma bastante hierarquizada.

É daqui que provavelmente se firma a doutrina da sucessão apostólica, doutrina que afirma que os bispos são sucessores dos apóstolos na liderança da Igreja, e que, quem se rebela contra o bispo, na verdade, se rebela contra o Cristo.

Inácio entendeu que, no fortalecimento da liderança institucional da Igreja, também se fortaleceria a unidade contra as heresias e perseguições.

Todas as igrejas cristãs com mais de um milênio e meio seguem tal modelo eclesiástico.

Obviamente, nem mesmo tal sistema foi capaz de impedir os cismas na igreja, sendo que católicos e ortodoxos estão há quase um milênio separados. Católico romanos, ortodoxos, cristãos coptas, armênios, etíopes, assírios, entre muitos outros, seguem este sistema de governo. Dos mais próximos da Reforma, temos os anglicanos e os luteranos escandinavos. Entretanto, mesmo sem sucessão apostólica, a imensa maioria das igrejas protestantes parece seguir o sistema episcopal, como os metodistas e pentecostais. Nos EUA já existem até batistas episcopais!

O protestantismo, no seu plano doutrinário, desconsiderou tal eclesiologia, a da sucessão apostólica e liderança dos bispos, dando liberade quanto à questão do governo da igreja, e reservando à unidade uma noção mais espiritualizada que institucional.

Em Inácio, a Igreja física e espiritual são uma mesma realidade. Fora do bispo, fora da Igreja e fora de Cristo. E assim prevalece tal discussão até os nossos dias.