domingo, 10 de outubro de 2010

Marina venceu Silas



O resultado das eleições parece ter demonstrado que Silas não tem tanta influência entre os evangélicos quanto gostaria.

Marina foi a candidata que mais cresceu nestas eleições.

Uma mulher honesta, santa (nas palavras do próprio Caio Fábio) que, segundo Ariovaldo Ramos, exortou a que pastores e mestres não lhe fizessem campanhas de púlpito, não fizessem de suas igrejas currais eleitorais.

Fiquei impossibilitado de postar durante um tempo, por isso não consegui comentar o vídeo de Silas antes.

De qualquer modo, os motivos que ele deu para não votar em Marina não forma convincentes nos termos em que ele propôs.

No que tange à questão dela ponderar em se fazer um debate público acerca do aborto, isto reflete sua antiga posição sobre o tema.

Ela, pessoalmente se posiciona contra, mas chama toda a sociedade para o debate, para a responsabilidade.

Qual o problema disso?

É um assunto que nos toca profundamente. Faz com que cada brasileiro, cada cidadão deste país, tenha a oportunidade, vida democracia direta (que é a aspiração final de toda verdadeira democracia) decida por si o seu futuro político e social, e se responsabilize, diante de Deus e da sociedade por suas próprias decisões.

Obviamente que a democracia direta pode ser usada demagogicamente, mas quem conhece o histórico de Marina Silva sabe que ela não é uma demagoga.

Eu mesmo, pessoalmente, não sou absolutamente favorável a utilização deste método, entretanto, não é motivo tão grande para fazer o alarde que Silas fez, em minha opinião.

Entretanto, o segundo motivo dado por Silas foi pior ainda.

Dizer que ela, como Senadora, engavetou um projeto de lei, em minha opinião, é o fim da picada.

Um Senador não pode engavetar, salvo melhor juízo, um projeto de lei.

Ele pode votar contra, a favor, se abster de votar, faltar na sessão, mas engavetar um projeto, não.

Quem pode engavetar é o Presidente da República, mas aí há mecanismos jurídicos constitucionais para suprir a omissão do Executivo.

O referido projeto falava em colocar um exemplar da Bíblia em cada biblioteca pública do pais.

Ora, sem tal lei, é provável que a maior parte das Bibliotecas já tenha uma (pelo menos as que conheci).

Por outro lado, gostemos ou não, o estado é laico, não podendo beneficiar religião alguma.

E o estado laico, gostemos dele ou não, é uma garantia de liberdade para as religiões e pensamentos minoritários na sociedade.

Daí, ainda que pela via da argumentação nos dada por Silas, é bastante válido o pensamento de Marina sobre o assunto.

De qualquer modo, penso ser uma discussão muito pequena a ponto de se retirar o apoio a alguém.

Uma coisa que acho estranho é o constante apelo de Silas no sentido de se apregoar que o Brasil é composto de 90 por cento de cristãos.

A raiz histórica das Assembléia de Deus não parece ter tratado os católico romanos como cristãos desde os seus primórdios.

A grande maioria dos católicos romanos (ou todos) são objeto da tentativa de conversão por parte dos assembleianos, e talvez, do próprio Silas.

Se são cristãos, não precisam ser convertidos...

Por isso, soa estranho que, tão somente quando for para provar um ponto de vista pessoal, ele invoque tão robusta estatística a favor dos cristãos, mas na vida diária, se negue, pela prática, o "status" de cristãos aos fiéis católico romanos; caso contrário, porque não participar do CONIC e outras entidades ecumênicas, enfim?

Estas são ponderações mais teológicas, eu sei, mas estão no discurso de Silas.

De qualquer modo, feitas estas breves ponderações, no meu entender, Marina acabou, ainda que indiretamente, vencendo Silas, pois foi a candidata que mais cresceu nestas eleições.