quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O governo cristão e o governo secular

Penso que a maior diferença que pode existir de princípios entre um governo de índole cristã e outro, secular, é o fato de que o primeiro serve o povo, e o segundo, serve-se do povo.

Os anabatistas, radicais defensores da separação entre a Igreja e o Estado, diziam que seria impossível um governo ter tal índole, daí não se imiscuirem nos negócios públicos.

Fato é que, decisões em ambito político afetam cada um de nós, e não participar equivale, na verdade, a um posicionamento, que pode ser considerado uma participação pela omissão.

E fato é que, a maior parte de nós acaba sendo omissa, pois tem outras coisas a fazer; e esperamos que nossos representantes, obviamente, nos representem...

A última votação relâmpago do Congresso Nacional, mais precisamente do Senado, que majorou os próprios salários,  demonstra que temos um governo que serve-se do povo, e não o povo.

Penso ser realmente uma iniquidade que, de uma hora para outra, se aumente em dez mil reais o salário de um político, com o consequente efeito cascata que isso possa produzir, enquanto que o salário da maior parte dos brasileiros perde para a inflação (o projeto original, de Marina Silva, previa o reajuste, de acordo  com a inflação).

Com exceção do partido PSOL, todos os demais partidos, majoritariamente, foram favoráveis a tal aumento.

O iníquo, neste país, não é o valor dos proventos em si, mas a distância econômica e social que acaba ocorrendo entre os mais e os menos abastados. Neste sentido, continuamos a ser um dos países mais iníquos do mundo.

Jesus atacou radicalmente os fariseus, os políticos de seu tempo, por questões parecidas, analogicamente falando, e guardadas as devidas proporções; bem como condenou os ricos. Pouca coisa mudou de lá para cá.

O problema do nosso país é que, a maioria de nós critica, mas acaba fazendo praticamente a mesma coisa quando tem a oportunidade.

É preciso voltar a soar como trombeta a justiça evangélica preconizada por Jesus, pelos seus apóstolos, ou mesmo pelos profetas vétero-testamentários...

A vocação da líderança cristã, segundo Cristo, é servir os liderados, colocando-se como último e menor de todos; na democracia brasileira, um país com cinco séculos de cristianismo, infelizmente, não aprendemos a lição. Daí, o evangelho continuar sendo uma total inversão de valores.