quarta-feira, 16 de março de 2011

Do dever de se evitar uma espiritualidade egoísta

Leitura sugerida: Isaías 58.1-12

Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desabrigados, e se o vires nu, o cubras e não te escondas do teu semelhante?


Uma das tentações que a religião judaico-cristã sempre corre é a de se tornar egoista, auto-centrada, sendo utilizada somente como meio para a obtenção de interesses puramente pessoais.

Neste tipo de religião existem obras de aparente piedade, como ir ao culto para ouvir a palavra, orar e jejuar com frequência, etc. Talvez agregadas a tais características poderíamos acrescentar uma moral rígida, totalmente voltada para o “eu”, individualista, enfim.

Entretanto, Deus manda o profeta Isaías combater radicalmente este tipo de postura, dizendo que tal religião não Lhe pertencia, nem era de Sua vontade.

A religião judaico-cristã só expressa a vontade do Deus que diz adorar quando se torna uma religião “com o outro” e “para o outro”, e que procura romper as estruturas injustas e iníquas de seu tempo (que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo), bem como incentivar a prática da caridade (repartas o teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desabrigados, e se o vires nu, o cubras) àqueles que têm necessidade.

A sua espiritualidade se expressa na atitude de amor para com os pobres e necessitados, com os famintos e oprimidos.

E é seguindo tais preceitos que alcança a promessa de cura, de justiça, e de comunhão com Deus, sendo, portanto, a espiritualidade do amor, do serviço ao próximo, da comunhão com o Senhor.