sexta-feira, 6 de maio de 2011

Homoafetividade e promiscuidade


Trecho da entrevista de Ricardo Gondim à revista Carta Capital:
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossensuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.

Um aluno, colega meu, indignou-se com este trecho da entrevista do Ricardo Gondim, e ficou como que pasmo, como quem não acreditara no que acabara de ler.

Dizia: “eu não acredito que o Pastor Ricardo é a favor da união entre homossexuais”.

Aí, eu que não tinha lido a entrevista, mas conhecendo relativamente o pensamento relativamente progressista de alguns evangélicos, notadamente do Gondim, disse que provavelmente o mencionado pastor estava se referindo à união civil, o reconhecimento jurídico de tal união, coisa que é defendida por muitos outros pastores.

Foi então que outro aluno disse: mas o Gondim falou que é diferente ser promíscuo e ter relação homossexual. Ser homossexual já não é ser promíscuo?

Aí, eu respondi: “Não necessariamente. Alguém pode ser homossexual e nem ter relações homossexuais”. Ou seja, pode ter a tendência a não sentir atração pelo sexo oposto, e nem por isso, praticar com alguém do mesmo sexo.

Obviamente, perguntaram, como pode alguém ter uma relação estável, como o Ricardo disse, e ainda não ser promíscuo...

Eu já estava me sentindo o advogado do Pr. Ricardo, e disse que precisava ler a entrevista primeiro (isso, sem falar quando me perguntam de teísmo aberto, e coisas do tipo...).

Agora que li, penso que minhas opiniões se confirmaram, então, passo a formular minha opinião acerca da questão.

Tecnicamente, uma é a relação heterossexual, outra, a homossexual. Promíscuo é alguém descontrolado sexualmente, praticando com várias pessoas, etc, pode ser homo, pode ser hétero. Não tem a ver com a orientação sexual.

Daí, alguém que viva em união estável com um único parceiro, estará praticando o homossexualismo (ou expressando sua homoafetividade, conforme muitos preferem), mas não estará sendo promíscuo, tecnicamente falando. Penso que a distinção é esta, e penso que é isso que o Pr. Ricardo quis dizer.

É muito difícil para a mentalidade conservadora de boa parte dos evangélicos aceitar este tipo de distinção.

Algumas igrejas, como parte dos anglicanos e luteranos no Brasil (e no mundo), estão acolhendo este tipo de parceiros homoafetivos. Entendem que assim fazendo, fortalecem os valores da família entre os tais, e os livra da promiscuidade, sem a necessidade de que estes precisem criar igrejas quase que exclusivamente para gays.