quinta-feira, 28 de julho de 2011

Os estertores dum Cristianismo meramente farisaico...




O Cristianismo agoniza...

Dobram-lhe os sinos e aproxima-se o momento derradeiro em que, como Ananias e Safira, virá a ser uma cádaver em vias de decomposição...

O Cristianismo inculturado no Ocidente perdeu eu rumo e cego corre por um caminho que conduz ao mais negro e profundo abismo.

E como ele toda uma civilização encontra-se cindida em extremos, achacada, enfermiça, debilitada e em franco perigo de morte!

Achadada pelo ateismo, pelo materialismo, pelo neo paganismo, pelo capitalismo, pelo comunismo, pelo totalitarismo, pelo individualismo, pelo fundamentalismo religioso, pelo biblicismo, pelo criacionismo, pelo fanatismo, pela intolerância, pelo fetichismo, pela superstição, pelo maniqueismo, pelo espiritualismo descarnado, etc, etc, etc

Todos estes 'ismos' pelejam contra o homem numa guerra de morte.

Já obscurecendo-lhe a luz da razão, já ameaçando-lhe as liberdades, já isolando-o de seus semelhantes...

Não lograremos escapar ao juizo da mente de Cristo face as exigências do Evangelho e ao imperativo do amor fraterno.

Sucursais do templo de Jerusalem, locais de profanação, lupanares sacros, as organizações religiosas do ocidente converteram-se em valhacoutos e baluartes dum farisaismo louco e sempre refratário aos ensinamentos de nosso Deus e Mestre, Jesus Cristo.

E aí daqueles que não compactuam com semelhante estado de coisas e que recusam-se a aplaudi-lo, convencionando que tudo está maravilhosamente bem.

Afinal dizem eles, quase todos possuem uma Bíblia e clamam o nome do Senhor Jesus Cristo.

Haverá algo mais Cristão do que reconhecer verbalmente que Jesus Cristo é o Senhor? Que ele salva as pessoas do 'diabo' e do 'inferno'?

Penso que o próprio Jesus Cristo tenha respondido a ambas as questões quando disse:

"Não é quem diz 'Senhor, Senhor' que entrará no Reino dos céus, mas aquele QUE EXECUTA A VONTADE PROCEDENTE DOS CÉUS."


&

"Este povo clama com os lábios, mas sua alma esta distante de mim."

Falar em Maomé bem pode ser sinal seguro de islamismo... falar em Buda pode corresponder a budismo... falar em Zarates pode equivaler a mazdeismo...

Falar em Cristo no entanto, ter seu nome constantemente nos lábios e grita-lo a plenos pulmões jamais será sinal de Cristianismo.

E porque?

Porque o Cristianismo não é uma religiosidade verbal, limitada a signos, aparências, exterioridades, etc cuja prática deixe de exercer qualquer impacto ou influxo sobre as relações humanas, comportamentais ou sociais.

O cárater externo do Cristianismo é antes de tudo comportamental ou social.

Eis porque ser Cristão não pode ser confundido com o limitar-se a 'clamar com a boca' e a proclamar um senhorio teorético de Cristo desvinculado de quaisquer implicações existenciais ou sociais.

Ser Cristão é permitir que Cristo efetivamente reine em nossas almas e corações por meio da observância de sua lei, a saber, o Evangelho, mais precisamente o 'Sermão da montanha'.

Por Evangelho não estou me referindo aquilo que muitos convencionaram chamar de 'Evangelho de Paulo', enquanto mera salvação do diabo e do inferno, compativel com a permanência no mal e no pecado.

Jesus não veio trazer aos homens mortais uma libertação artificial, limitada, incompleta, exterior ou forense... não veio nos libertar de qualquer ira, pelo simples fato de que Deus, sendo perfeito, não se irrita nem se encoleriza... Jesus não nos veio salvar de anjos caidos ou de chamas materiais... todas estas imagens grosseiras correspondem a mente carnal.

Afinal porque Deus sendo onisciente produziria criaturas capazes de irrita-lo? Por que produziria anjos e homens capazes de virem a cair? Por que eternizaria o mal e o pecado? Por que torturaria tantos e tantos seres com a dor lancinante do fogo?

Portanto a libertação que Jesus veio trazer aos seres humanos é uma libertação integral, completa, eficaz, totalizante e que corresponde por assim dizer as aspirações que os homens virtuosos sempre nutriram pela perfeição... Jesus veio libertar o homem do mal e do pecado capacitando-o para viver segundo sua lei, lei eterna de amor e ideal perpétuo de justiça.

Por isso esta escrito: "Se o Verbo vos libertar, sereis verdadeiramente libertos."

Porque a libertação trazida pelo Cristo, quebra todas as cadeias e rompe todas as prisões.

Ser Cristão portanto não se resume a clamar, exclamar, bradar, gritar, etc O Cristianismo não é um espetáculo vulgar, um show ou coisa parecida, mas um principio de religamento, de comunhão e de vida que se externiza por meio da solidariedade ou do convivio fraternal. O Cristianismo é algo que se vive, que se põe em prática, que se faz, que se exercita... algo que se constrói, que se edifica... como um castelo sobre a rocha.

Cristão não é aquele que anuncia ou que proclama o Evangelho com a boca, mas antes de tudo aquele que dá testemunho concreto do Evangelho. Eis o servo discreto, bom e fiel.

Se por um lado o Cristão deve operar de modo a que sua mão esquerda 'não saiba o que executa a mão esquerda' por outro as ações do povo Cristão não podem deixar de brilhar como uma lamparina posta sobre a mesa... associadas as ações 'Cristãs' geradas no Evangelho não podem deixar de exercer um forte impacto sobre as estruturas sociais, penetrando-as todas e transformando-as a luz dos principios e valores procedentes do alto.

O Cristianismo é pois um principio vital interno que afirma-se nas ações pessoais e sociais de seus profitentes, externizando-se e plasmando um universo totalmente diverso do universo plasmado pela ignorância da mente grosseira e carnal.

A que propósito registrei semelhantes locubrações?

Bem...

Acontece que estava a caminhar pela Av Dna Ana Costa, uma das mais movimentadas desta cidade, quando vim parar diante de um Shopping Center recentemente construido e cuja arquitetura é por assim dizer monumental.

Ocorreram-me as imagens dos Zigurates, das pirâmides, dos pagodes, dos templos, das Catedrais e de outros tantos monumentos que o homem do passado consagrou ao numinoso, ao sagrado, ao divino...

Foi então que percebi qual o deus deste século de trevas...

Sua majestade o dinheiro, o capital, o lucro, o comércio, o consumo... E seu templo, sua catedral, seu sólio, o Shopping Center...

Quão vazios encontram-se os templos e igrejas outrora apinhados e quão cheios e repletos estão os templos de Mamon, cujo culto, ao cabo de cinco séculos, veio a suplantar o de Jesus Cristo e a apresenta-lo como uma divindade morta.

E assim o é.

Pois o mesmo Jesus Cristo que em Bizâncio fez surgir orfanatos, escolas, universidades, dispensários, hospitais, hospicios, reformatórios, albergues, asilos, beneficencias, etc hoje limita-se a promover shows de música, dança e estripulias do gênero, com o intuito de alienar os operários e de enriquecer ainda mais os opressores.

Este Jesus que não promove mais o ser humano, aliviando suas mazelas e misérias, não é mais o Jesus apresentado pelo Evangelho, sobretudo pelo vigésimo quinto capítulo de S Mateus.

Artistas ousaram proclamar-se mais conhecidos do que este Jesus, porque este Jesus não passa duma Xuxa ou dum Sérgio Malandro disfarçado... animador oculto de platéias ou auditórios.

Proclamo este Jesus como falso. Como uma caricatura do verdadeiro Jesus que os homens não desejam servir e cujas exigências não estão dispostos a cumprir.

Ponham nas mãos de Jesus as truculentas leis de Moisés e todos aclamarão: Viva Jesus, o Jesus da pena capital, o Jesus da guerra, o Jesus do machismo... seja bem vindo.

Apresentem Jesus como Legislador que sancionou o Evangelho, em especial o sermão de montanha e que promoveu o amor, a justiça, a paz, a misericórdia, etc e todos dirão como os judeus: Morra Jesus, queremos Barrabás, Moisés, Josué, Caleb, Finéias, David, Salomão, etc

A Jesus não se quer porque Jesus exije amor, justiça, renúncia, mansidão, etc

Eu estava absorto, refletindo de fato sobre tais coisas diante do novo Shopping, quando meio distraidamente minhas vistas pousaram sobre o pórtico e as lojas: Mc Donalds, Habibs, e...

Meus olhos recusaram-se a crer no que viram quando pousando sobre uma loja de roupas foram capazes de ler as seguintes palavras escritas no painel:

'Moda evangélica'

Como desejo pontuar bem aquilo que penso, creio e escrevo, devo dizer que não fiquei escandalizado pelo fato da 'moda evangélica' ser uma loja.

Desde moço frequento lojas religiosas, romanas e protestantes, como a 'manancial evangélico', em busca de literatura especializada na área teológica. Tantos quantos refletem sobre a fé, frequentam tais lojas e busca de livros...

Devemos no entanto questionar até que ponto é permitido lucrar com tais publicações que por assim dizer estão associadas ao nome sagrado de Jesus Cristo. Qual a margem justa de lucros? Qual o processo de produção?

Acontece que até pouco tempo as vitrines das lojas protestantes e papistas eram ocupadas prioritariamente por livros ou estampas... Rara era a loja papista que comercializava 'uniformes' cristãos padronizados (pelo corte e pela adição do nome de Jesus Cristo) e o mesmo se pode dizer das lojas protestantes...

Incomodava-me no entanto os adesivos com o nome de Cristo para serem postos sobre os vidros dos automóveis, vidraças, geladeiras... com o premeditado intuito de mostrar a sociedade quão cristãos ou devotos eram seus proprietários ou de proteger tais objetos contra supostos poderes diabólicos...

Destarte o nome de Jesus era coisificado e comercializado como qualquer objeto seja ele um papel higiênico ou um cigarro.

Estabeleceu-se toda uma relação capitalista de compra, venda e lucro em torno das coisas divinas.

Tornado a este mundo Simão, o mago de samaria; tornar-se-ia um bom cristão fabricando e vendendo adesivos com o nome do Espírito Santo... seria já piedade e não simonismo, porque os tempos mudam e o nome de Jesus virou já uma marca como Adidas, Nestle, Cica, etc

Patenteou-se uma marca intitulada 'Gospel' da qual o casal Hernandes tornou-se proprietário no Brasil... Já o sr Malafaia, 'papa' do fundamentalismo tupiniquim patenteou a marca 'vitória em Cristo' com o intuito de explorar financeiramente o novo filão... a formiga smilinguida certamente foi patenteada por alguém...

Que os protestantes perdoem-me o azedume.

Cresci ouvindo que a Igreja papa era falsa porque vendia indulgências e comercializava sacramentos, acusação com que me deparo nas principais obras de polêmica anti romanas.

Que dizer então sobre a comercialização do nome mais sagrado que há? Do nome pelo qual fomos chamados e restabelecidos.

Dizem que se trata de algo muito cristão gravar o nome do Senhor sobre nossas roupas e objetos pessoais... Jesus no entanto criticou os fariseus pelo emprego de Filatérios, Mezuzas, Thalites, franjas, etc e os reformadores denunciaram como farisaico o culto externo oficiado pela Igreja e o emprego de simbolos no culto divino.

Afinal quantos daqueles que ousam gravar sobre os vidros de seus automóveis 'propriedade exclusiva de Jesus' colocam tais automóveis ao serviço do próximo, socorrendo seus vizinhos em caso de necessidade???

Jesus no entanto sequer possuia uma pedra sobre a qual pousar sua fronte cansada... ele que jamais possuiu carruagem ou liteira hoje possui uma imensa frota de carros... exótico não?

Escandalizam-se os devotos que o nome de Jesus seja impresso sobre a parte traseira ou frontal das saias e bermudas... acontece que a os genitais e as nadegas também foram projetados e produzidos pela vontade de Deus... maniqueismo???

Irreverencia talvez...

No entanto onde esta escrito para por-mos o nome nas mangas ou colarinhos de nossas blusas??? Ou sobre as portas de nossas geladeiras abarrotadas??? Ou sobre nossos automóveis poluidores??? Ou sobre tantos e tantos produtos fabricados segundo a lei da mais valia???

Santificará o nome de Jesus um objeto produzido a custa do suor, do sangue e das lágrimas de nossos irmãos??? Santificara o nome divino coisas fabricadas no bojo da iniquidade??

"Gravamos o nome do Senhor sobre tais objetos com o intuito de protege-los das influências perniciosas do Demônio."

Neste caso, permitam-me dizer, a religião dos srs não vale mais do que a dos antigos pagãos que gravavam os nomos de seus gênios tutelares sobre todos os objetos de uso pessoal com o intuito de protege-los, pois trata-se de magia ou seja macumbaria de branco, fetichismo, superstição...

A propósito os pagãos eram mais reverentes, aos menos para com os grandes deuses, cujos nomes não ousavam 'profanar' de modo assim tão vulgar... os papistas profanaram do mesmo modo os nomes de seus santos... o nome de Cristo no entanto, sempre havia sido respeitado até que se consuma-se a associação: neo protestantismo/capitalismo.

Desde então Cristo tornou-se servo de Mamon... Cristo é comercializado, vendido, leiloado e Mamon recebido...

Não foi para proteger objetos e coisas materiais que o Verbo Encarnado revelou o Evangelho Eterno da graça e da glória!!!

Tais minhas conjecturas e guardara-as para mim mesmo até o dia em que ví o nome de Cristo e do seu Evangelho associado a um determinado corte de roupa ou 'moda'... FOI A GOTA, como se diz.

Mesmo não sendo protestante sou Cristão. Jesus Cristo é o supremo objeto de meu amor e de minhas adorações.

Machuca-me ve-lo blasfemado e escarnecido pelos ateus, materialistas e agnósticos diante das loucuras perpetradas por uma cristandade decadente.

Afinal que sabe Jesus Cristo de 'moda' ou 'modas', ele que é Deus imutavel e sem sombra de variação?

Em que parte do Novo Testamento encontra-se semelhante palavra?

Em que parte do Evangelho Jesus aborda assuntos concernentes a trajes, roupas ou vestimentas???

Onde e quando o Verbo da vida estabeleceu canônes relativos as vestimentas de seus adoradores e servos?

Quando foi que nosso Senhor ocupou-se de tão frivolas puerilidades?

Qual base, qual fundamento, qual esteio para semelhante discurso?

Ao menos os papistas eram honestos quando registravam em suas placas 'artigos religiosos' ou 'artigos católicos'...

Ao menos poupavam semelhante vexame ao Cristo e ao Evangelho ora expostos aos motejos da turba multa.

Porque não registraram 'moda bíblica' uma vez que o tão querido 'velho testamento', ocupasse amiude de tais assuntos?

Porque apesar da 'inspiração plenária, verbal e linear' e dos decorrentes múrmurios contra a evocação de mortos, o Domingo, as imagens, o homossexualismo, o consumo de sangue ou mesmo de carnes impuras... a imensa maioria dos protestantes e judaizantes não deseja trajar-se como os antigos hebreus.

E no entanto a moda 'evangélica' (ou seja do tempo de Cristo)...

A moda 'evangélica' de hoje nada é senão a moda de hoje ou de cinquenta anos atrás, com a adição do nome sagrado... é a mesma moda profana enfeitada com inscrições e simbolos divinos...

Afinal os apóstolos não trajavam ternos, enquanto as santas mulheres cobriam-se com a 'burka'...

Portanto semelhante moda nada tem de 'bíblica', sendo tão anti bíblica como a de oitenta anos atrás...

Mulher judia alguma ousava mostrar suas canelas enquanto os homens ignoravam o que fossem calças.

Portanto não existem trajes por assim dizer sagrados e imutaveis ou uniforme Cristão.

Semelhantes estereótipos nada teem de religiosos.

É tudo vaidade, vontade de aparecer, vã ostentação.

Quem deseja honrar verdadeiramente ao Senhor Jesus Cristo observa e cumpre seus estatutos buscando assistir aos famintos, sedentos, nus, enfermos, crianças, idosos, encarcerados...

Segundo a religião pura e crença imaculada é assistir aos orfãos, viuvas e estrangeiros em suas necessidades.

Assistia aos primeiros cristãos o direito de gravar o nome sobre seus objetos, porque tinham tudo em comum segundo o preceito do amor... hoje no entanto a palavra 'irmão' converteu-se em letra morta dando lugar a infame luta de classes, promovida pelos ricos e poderosos com o apoio da clericalha venal...

As relações de cofraternidade sucederam-se as de dominação entre patrões e empregados, sendo estes, comumente, explorados por aqueles sem que os ministros religiosos fizessem quaisquer objeções.

Por isso sinto-me indignado quando vejo o nome do Senhor acobertando tanta canalhice, tanta injustiça, tanta exploração, tanta selvageria...

Horrorizam-se os falsos Cristãos quando apontamos seus erros e denunciamos seus crimes como esta determinado na Lei do Evangelho. De curvarem-se ante os altares de Mamon, prestarem culto ao dinheiro e profanarem a beleza do nome não se envergonham...

Tristes tempos estes...

O islã, com todos os seus erros trará mais piedade e coerência, como o espiritismo, apesar de seus erros doutrinais, tem produzido mais obras... venha o islã e destrua as obras da cristandade farisaica...