sábado, 16 de julho de 2011

Dialogo II entre o cristão e o judeu sobre o nascimento virginal de Nosso Senhor Jesus Cristo






Abraão: rabino judeu
Theoctisto: Bispo ortodoxo



Theoctisto: Dia virá em que tu e teus irmãos havereis de contemplar o Filho da Virgem descendo das nuvens com grande poder e glória.
Abraão: Que o Santo e Bendito se compadeça de tua cegueira. Pois quem já ouviu dizer que homem algum tenha nascido de Virgem.
Theoctisto: Acaso não esta escrito:
"O Senhor nosso Deus mesmo vos dará um sinal: A Virgem conceberá e dará luz a um Filho que receberá o nome de Emanuel."?
Abraão: Pasma-me a leviandade com que vós nazarenos recorreis aos livros santos, alterando suas palavras.
Theoctisto: Grave é a acusação lançada contra nós e nossos pais...
Abraão: E no entanto verídica ou não foi um dos vossos que substituiu a palavra 'moça' pela palavra 'virgem' alterando o significado da profecia?
Theoctisto: Estas enganado rabino, não foi nosso Mateus que traduziu Isaías para o grego vertendo 'almah' por Virgem, mas vossos antepassados radicados na cidade de Al Iskandaria.
Caso tenha ocorrido alguma alteração a responsabilidade por ela cabe exclusivamente a vossos mestres, escribas e doutores e não a nossos evangelistas e apóstolos.
Ou ignorais que a Septuaginta é no mínimo cem anos ou um século mais antiga que a religião de Cristo?
Abraão: Pouco me importa que tenham ou não tenham sido vossos apóstolos os primeiros a falsear nossas santas escrituras, uma coisa é certa: Vossas crenças estão fundamentadas todas numa falsa tradução de nossas escrituras.
Theoctisto: Rabino, expõe sem temor algum teus argumentos.
Abraão: Simples, quando queremos dizer 'moça' empregamos almah e quando queremos dizer virgem empregamos Batulah.
Eis porque o profeta dirigindo-se ao rei, vaticinou que uma de suas jovens esposas viria a engravidar brevemente e que esta gravidez seria como que um sinal da presença de Deus entre o povo de Jerusalem.
Theoctisto: Sabemos no entanto que a linguagem é um fenômeno dinâmico, que todo e qualquer idioma sofre alterações com o passar dos tempos e que as palavras vão assumindo novos e multiplos significados; eis porque vossas escrituras desiganam virgem por almah em ao menos três lugares.
Abraão: ...
Theoctisto: Examina Ct 6.8: "Sessenta são as rainhas, e oitenta, as concubinas, e as virgens, sem número". É com este termo que todas as mulheres são descritas na corte salomônica. A palavra 'almah' descreve aquelas que são elegíveis para casamento, mas que não são esposas (rainhas) nem concubinas. Todas estas "virgens" amavam o rei e desejavam ser escolhidas para estar com ele (ser a noiva)
Noutro passo (prov 30,19) Salomão ou quem escreve em seu nome, reconhece quão díficil era 'paquerar' uma almah naquele tempo. Aqui o único significado possivel para almah é o de Virgem pois os antigos hebreus não flertavam com mulheres casadas...
Eis porque a matricarca Rebeca é designada pela palavra almah, (Gn 24,43) antes de ter consumado seu matrimônio com Isaac, donde se infere que também neste passo devamos ler Virgem.
Donde ser infere que vossas escrituras dão almah - Moça/jovem por Virgem, a menos que a palavra em questão viesse a ser seguida pela expressão 'conhecida por varão'  ou desposada.
Todas as cerca de quarenta vezes em que almah ocorre isoladamente no texto jamais designa uma jovem casada ou não virgem.
Portanto caso o profeta não desejasse que tomassemos almah por Virgem, bastar-lhe-ia ter advertido que a dita almah era uma 'almah desposada' ou seja uma mulher jovem ou uma jovem senhora.
Abraão: Caso o profeta quizesse designar uma verdadeira Virgem, eliminando toda e qualquer dúvida deveria ter empregado a palavra Al Betulah que designa sempre e invariavelmente uma mulher Virgem.
Theoctisto: Perdoa rabino, mas estas novamente a faltar com a Verdade.
Abraão: Prova-o!
Theoctisto: Com prazer.
Acabei de demonstrar que a palavra almah nem sempre exclui o estado virginal.
Agora haverei de demonstrar que a palavra Betulah nem sempre comporta o estado virginal.
Acaso vossos mesmos videntes que acusaram a casa de Israel de prostituir-se não a designaram como a betûlãh de Ieová ou betûlãh (filha) de Israel (Jr 31,21)?
Digo mais rabino pois os vossos profetas também designam várias nações pagãs por betulôth: Is 23.12, Sidom; Is 47.1, Babilônia; Jr 46.11, Egito e sem embargo os mesmos profetas asseveram que tais nações 'não são recomendadas por sua pureza!
Ja na literatura ugarítica, a palavra é usada para aludir à deusa Anate, irmã de Baal, e dificilmente virgem.
Segundo Gesenius Betulah corresponde ao assirio Batultu, que significa apenas jovem.. e não Virgem.
Abraão: No entanto quanado a palavra betulah é associada a uma mulher hebréia tratasse sempre de uma Virgem.
Theoctisto: Vejo-me constrangido a afirmar que o douto rabino labora em erro novamente.
Abraão: Falar é facil, demonstrar é que é díficil...
Theoctisto: Não, não é díficil sr rabino.
Começe folheando o primeiro livro atribuido a Moisés (24,16) no qual Rebeca é descrita como "Jovem bela e VIRGEM (betulah) que jamais fora tocada por varão."
Acaso vossa caridade já ouviu falar em uma virgem 'tocada' por varão?
Abraão: Certamente que não.
Theoctisto: A verdade salta a vista caro rabino, se após designar Rebeca como 'betulah' o autor do livro sentiu-se obrigado a esclarecer que a dita 'betulah' jamais havia sido tocada por varão, é porque naquele tempo a palavra betulah não significava exatamente virgem.
Abraão: Não compreendo até onde quereis chegar negando que almah corresponda a mulher e que betulah corresponda a virgem.
Theoctisto: Quero dizer que a principio, uma expressão podia corresponder a outra, ja porque, naquelas priscas eras, toda jovem devia ser ou virgem ou lapidada.
As vezes porém sucedia que a personagem em questão era jovem e casada, neste caso o autor do registro fazia um acrescimo: jovem desposada ou que já conhecia varão.
Posteriormente, quando os costumes tornaram-se mais 'livres' o termo solteira também deixou de corresponder a virgem.
Foram as alterações porque passou a sociedade judaica que determinou a especiação das palavras pouco antes ou pouco depois desta nossa era.
Desde então os hebreus passaram a distinguir rigorosamente entre jovem, solteira, virgem e casada.
Dai a especiação bahur, naarah, betulah e almah, ignorada na época em que os registros proféticos foram consignados, até o terceiro século antes desta era.
Quando partis da rigidez que atualmente caracteristica vosso léxico com o intuito de interpretar estes textos antiquíssimos resvalais num escandaloso anacronismo.
Quando a compreenção do texto não era facilitada por qualquer acréscimo ou pelo contexto vossos antepassados recorriam a tradição.
Abraão: Neste caso deveis acatar a tradição segundo o qual a profecia de Isaías refere-se a uma virgem desposada e não a uma virgem verdadeira.
Theoctisto: Errado pois o emprego do termo grego Parthenos por Almah corresponde a uma tradição bem mais antiga do que a vossa tradição, que segundo cremos preponderou no seio do judaismo com o intuito de cortar passo ou Cristianismo ou seja por puro e simples espírito de rivalidade ou oposição.
Os autores da Septuaginta no entanto compreendiam que na profecia em questão almah significava Virgem e não jovem casada.
Abraão: Vossa interpretação é falsa porque o falso Messias Jesus surgiu mais de sete séculos após a morte de Ezequias.
A escritura no entanto afirma que o sinal era para Acaz, de modo que Acaz deveria te-lo visto.
No entanto Acaz não viu o vosso Messias nem vosso Messias a Acaz
Logo o sinal prometido ao rei pelo profeta não diz respeito a Yoshua ben Pandira.
Theoctisto: Com que cinismo não profanais vossos registros filhos de Jacó!
Pois o pronome empregado na segunda pessoa do plural refere-se não ao Rei Acaz mas a casa real de Judá, cujos derradeiros representantes, filhos de Herodes e Mariane, contemplaram o ministério de nosso abençoado Redentor.
Abraão: Tu no entanto não nos explicas porque o profeta se refere aos assirios uma vez que quando vosso Messias veio ao mundo o Império Assírio havia desaparecido há séculos.
Theoctisto: Querias que Isaias dissesse os romanos?
Ele certamente pode ver que no tempo do Messias Jesus a Palestina seria oprimida por um povo bastante parecido com os assírios e por isso, ignorando o nome desse povo, lançou mão da analogia e designou sob a alcunha de 'assírios', sendo perfeitamente compreenssivel que na mente do profeta as cenas pertinentes ao futuro temporal ou político da palestina tivessem se misturado com algumas cenas do tempo obscurecendo o cenário sem que a parte essencial da profecia - pertinente ao nascimento virginal do messias - ficasse comprometida.
Abraão: Parece no entanto que estais em contradição com o profeta.
Theoctisto: Não percebeo de que modo ou maneira estejamos em contradição com o profeta.
Abraão: O profeta declarou que o menino em questão haveria de optar pelo bem ou pelo mal, vós no entanto dizeis que vosso messias jamais cometeu ou conheceu a iniquidade.
Theoctisto: Irineu já vos respondeu, dizendo que perceber a existência do mal no mundo e distigui-lo do bem é uma caracteristica do homem adulto e que o messias Jesus após abandonar a alimentação e o pensamento típicos da infância tornou-se capaz de - enquanto homem - distinguir o bem do mal, escolhendo sempre o bem e a virtude e neles persseverando imaculada e retamente.