segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dialogo sobre a evolução da consciência Cristã

Diodoro = Presbítero ortodoxo
Fortunato = Cristão convencional




Fortunato: Salve nobre Diodoro, posso saber qual o objeto de tuas doutas ponderações?
Diodoro: Estou a refletir os diferentes caminhos trilhados pela Igreja do Oriente e a Igreja do Oriente.
Fortunato: Acaso ambos os caminhos não levam aos pés de Jesus Cristo?
Diodoro: Certamente que Jesus Cristo se aproxima de tantos quantos buscam-no com pureza de coração e nobreza de alma... e quando pensam nele ele já os encontrou e os uniu a si pelo laço das misericórdias infinitas.
Sem embargo disto um dos caminhos descritos continua sendo o caminho do meio ou da convergência entre o imanente e o transcendente, enquanto o outro tem alimentado a sêde ou a nostalgia da transcedência abosluta e engendrado a apostasia.
Fortunato: Descreve-me a apostasia.
Diodoro: A apostasia é a negação da Trindade, da Encarnação de Deus, da encarnação da fé e da lei eterna do amor... apostasia é o triteismo, o expiacionismo, o espiritualismo descarnado, o individualismo, o solifideismo, o gracismo, o presdestinacionismo e tudo quanto tem depositado ódio ou indiferença nos corações dos homens mortais.
Fortunato: Caso demos credíto as tuas endeixas estamos a viver a Era da desencarnação do Verbo.
Diodoro: Efetivamente o novo Cristo anunciado é um Cristo sem icones, sem amigos, sem sacramentos, sem obras, sem poder para santificar, sem força suficiente para transformar as estruturas sociais... um Cristo que flutua noutra dimensão e que paira por sobre nós... um Cristo diafano e transparente... um Cristo fantasmagórico... espectral... invisivel... transcendente.
Esse novo Cristo espiritualizado e trancafiado nos reconditos no céu não é o Cristo do Evangelho e da tradição...
Pois o Verbo encarnado é um Verbo com...
Verbo com carne, Verbo com aparência, Verbo com parentes, Verbo com amigos, Verbo com sacramentos, Verbo com obras, Verbo com santidade, Verbo no mundo, Verbo vivido, Verbo com os homens, com os pobres, os persseguidos, os pacíficos, os injustiçados, os misericordiosos.
E devo dizer-te nobre Fortunato que Jesus já não tem sido anunciado como Emanuel, o Deus presente...
Fortunato: Amargas são as tuas quixas bom amigo.
Diodoro: Justas são as minhas queixas pois os que vivem o Cristo não creem, enquanto os que afirmam crer não vivem...
Vejo o mensagem de Cristo vivida pelos liberais, pelos espíritas, pelos agnóstas... e menosprezada ou até desprezada por tantos quantos fazem gala de suas ortodoxias mortas...
Pois uma fé que recusa encarnar-se merece ser considerada como morta em si mesma.
Como podemos crer numa fé desencarnada e numa salvação diafana se nosso Deus é Deus encarnado entre os homens?
Fortunato: Sendo assim não tens qualquer esperança?
Diodoro: Muito pelo contrário Fortunato vivo de esperança e de teimosia. Minha fé na regeneração da mensagem Cristã e na restauração da convergência é tudo quanto me sustenta e me mantem de pé.
Creio na superação da crise e da ruptura.
Creio na vitória sobre o judaismo, sobre a letra morta, sobre o paulinismo...
E num retorno consciente ao Cristo total, ao Evangelho, a autêntica palavra de Deus, ao livro sagrado...
Creio num retorno consciente ao Cristocentrismo por parte daqueles que se apresentam como Cristãos.
Fortunato: Diz me pois como se concretizaria semelhante retorno.
Diodoro: Precisamos imitar o exemplo dos Santos Padres congregados pela segunda vez em Nicéia e levar nossa fé na encarnação do Verbo as últimas, derradeiras e finais consequências.
Fortunato: Que consequências Diodoro?
Diodoro: Para nós ortodoxos o mesmo Cristo representado nas icones, é o Cristo dado nos sacramentos, o Cristo presente nos santos seus amigos, o Cristo operando a conversão dos impenitentes no mundo espiritual, o Cristo que condiciona nossa salvação a ação, o Cristo que devolvera nossos corpos refeitos no último dia... percebes que uma linha transverssal atravessa todos os nossos artigos de fé proclamando que o Deus Cristão não é o deus invisivel dos judeus e muçulmanos mas o Deus encarnado, Enanuel.
A mensagem a ser afirmada em cada ato de fé, de culto ou de vida é a Encarnação do Senhor.
Fortunato: Portanto segundo acreditas podemos afirmar que o Cristianismo é a religião da Encarnação?
Diodoro: Todo aquele que nega que Jesus Cristo veio na Carne não é dos nossos, sentenciou o apóstolo, esta é minha fé.
O Cristianismo é a religião da encarnação e do amor segundo a qual Deus se faz homem com o intuito de despertar os homens mortais do sono em que jaziam por obra do pecado.
Deus se faz carne ou melhor se faz homem, se humane e se humaniza para demonstrar concretamente seu infinito amor pelos homens.
Fortunato: Penso ser exatamente isto que a igreja ensina.
Diodoro: Esta nossa Cristandade inconscientemente cooptada pela teologia hebraica do privilégio ou da eleição só tem palavras amargas para aqueles que se recusam a abraçar seu falso moralismo maniqueu... nossa cristandade farisaica sabe apenas a corrupção, pecado, fragilidade, inferno, condenação, Diabo, possessão, catastrofismo, etc
É uma Cristandade dualista em que o Diabo também tem sido afirmado como um ser necessário.
Uma Cristandade pessimista cujo principal enfoque tem sido o mal e o pecado e não a penitência e a reparação.
Uma Cristandade sádica cujos membros deleitam-se antecipadamente com a imagem de seus desafetos ardendo numa grande churrasqueira.
Uma Cristandade derrotista que afirma a fragilidade do homem restaurado em Jesus Cristo e a eternização do mal após o juizo.
Uma Cristandade maniquéia que substituiu a condenação do ódio e da injustiça pela condenação do corpo e da sexualidade humana.
Uma Cristandade excludente que excludente que tem operado ativamente contra as minorias etnicas, a mulher, a criança, o homossexual, etc
Uma Cristandade verdadeiramente idolatra que se vendeu ao poder do dinheiro e converteu seus templos em sucurssais do templo de Herodes com seus cambistas e vendedores de indulgências.
Uma Cristandade sem entranhas que sacrificou as bemaventuranças em nome das guerras e da pena capital.
Uma Cristandade que não cessa de voltar suas costas ao Evangelho em demanda da Torá e do Apocalipse...
Fortunato: Penso que ao menos algumas de tuas queixas sejam razoaveis.
Diodoro: A evolução espiritual da Igreja Ortodoxa foi bruscamente cortada pelo advento do islamismo e o triunfo da cultura árabe... mem seus moldes arcaicos, conservadores e tradicionais.
Devido a sua dupla herança: judaica e romana ou seja a um lado judaizante e a outro pragmatista; a igreja de Roma jamais fez escola no plano da teologia, resvalando por sinal num tradicionalismo beócio donde somente veio a ser tirada por Anselmo, Aberlardo e Aquino...
Por duas vezes o Ocidente foi bruscamente apartado da atmosfera espiritual helênica: por ocasião das invasões bárbaras e por ocasião de reforma.
A primeira conflagração apartou definitivamente de Justino, Clemente, Origenes, Eusébio, Crisóstomo, etc concedendo a palma da vitória a Agostinho e ao infernismo...
A segunda, chefiada por hebraistas, impulsionou-o mais uma vez na direção do Velho Testamento, sacrificando até mesmo a Septuaginta...
A Igreja oriental conheceu a paralisia, enquanto a ocidental conheceu o recuo e nele permanece...
Fortunato: No alguns dos vossos ortodoxos tem passado ao islan.
Diodoro: O problema enfrentado pela Igreha ortodoxa é diferente, chama-se palamismo.
Fortunato: Posso saber porque o amigo nutre tanto ódio pelo palamismo.
Diodoro: Simples, porque o palamismo não corresponde a tradição legada por nossos padres: Justino, Clemente, Origenes, Eusébio, Ambrósio, Damasceno, Eustátios, etc que eram varões de grande erudição tanto em matéria de conhecimentos religiosos quanto profanos.
O palamismo abandonou esta tradição imemorial e fez da ignorância sua bandeira.
O sultão fechou nossas academias, universidades, bibliotecas e escolas; o palamismo fechou os corações de nossos monges e padres a luz da instrução e da cultura teológica.
Desde então o povo tem imitado os sacerdotes ineptos e praticado a religião sem conhece-la.
Para a maior parte dos ortodoxos a religião é como um relógio ou um anel que passa de pai para filho como herança e não como algo verdadeiramente significativo porque se deve viver e morrer.
Nossos ortodoxos não teem consciência ortodoxa... Passam pela ortodoxia e deixam que ela passe por eles...
Com os ocidentais se sucede exatamente o oposto estudam suas fés e perdem-nas.
Já o romano ou o protestante quando analisa suas crenças a luz da razão e da história, entra em dilema tendo de decidir-se ou pela crença ou pela razão...
Quando um ortodoxo abandona sua fé, geralmente não cogita a respeito da verdade ou do erro.
O ocidental pelo contrário passa ao islan, ao judaismo ou ao budismo após tomar consciência de seu erro.
Fortunato: Logo nossas igrejas possuem fiéis com, digamos assim, mais qualidade?
Diodoro: Isto é ponto pacífico. O aparelho educacional nos países ocidentais é um colosso em comparação com as estruturas educativas dos países árabes, fundamentadas na tradição.
A todo instante romanos, luteranos, calvinistas, batistas e até mesmo pentecostais tem suas crenças postas a prova nas escolas não confesionais, especialmente no que diz respeito aos mitos de origem judaica ou ao conteudo agostiniano.
A igreja ortodoxa perde fiéis pela porta da ignorância ou da indiferença teologica.
As igrejas ocidentais perdem fiéis pela porta do esclarecimento...
Fortunato: Devo concluir pois que a instrução científica esta voltada para a Cristandade Ocidental como o islan esta voltado para nossas igrejas ortodoxas?
Diodoro: Não é nada lizongeiro para a ciência ser comparada com o islan.
De certo modo porém a analogia é quase perfeita.
Digo quase perfeita porque o problema da I Ortodoxa não é externo ( o islan ) mas interno: o palamismo, a ignorância, a falsa segurança...
Via de regra nossos ortodoxos creem que Jesus cumprira a promessa de sustentar a Igreja face a seus adversários independentemente das atitudes dos membros da igreja...
Laboram pois numa grosseira e degradante superstição, pois quando Jesus disse: 'As portas do inferno não prevalecerão contra ela...' FOI POR TER CONHECIDO E VISTO QUE OS HOMENS AUXILIADOS POR SUA DIVINA GRAÇA TOMARIAM A DEFESA DA FÉ AMEAÇADA.
Destarte não excluiu a atividade do elemento humano, antes previu os resultados da interação entre ele o socorro divino.
Caso a igreja restomasse a senda dos estudos e a vereda da escolástica o islan seria contido, senão esmagado pois carece de toda base filosófica e de toda sustentação histórica enquanto o cristianismo ortodoxo tem por base a filosofia perece e o testemunho objetivo da História.
Já as cristandades ocidentais sofrem defeito interno ou seja de fabricação.
Fortunato: Defeito interno ou de fabricação, que é isso?
Diodoro: A construção do papado a um lado e a regeição do episcopado a outro situam tais Cristandades em dois extremos que não contam com o testemunho favoravel da história.
O papado tem dado vezo a manipulações políticas e inumeros jogos de poder enquanto o livre examinismo tem atomizado por assim dizer o protestantismo e produzido o escandalo das seitas beligerantes.
Num e noutro terreno fixou-se a antropologia negativa ou pessimista de Agostinho.
Além disto ambas as comunhões subordinaram-se aos intereses econômicos do sistema dominante e contribuiram poderosamente para a formação duma sociedade, não digo agnosta ou secular, mas positivamente ateistica e neo pagã em parte da Europa.
No entanto o principal problema enfrentado por tais Cristandades no tempo presente é o fermento judaizante e obscurantista representado pela intromissão da religiosidade nos domínios da ciência.
Fortunato: Quer dizer o fundamentalismo de teor criacionista?
Diodoro: Caso o fundamento posto fosse Jesus Cristo e seu Evangelho não teria do que me queixar.
No entanto o fudamento posto não passa de um mito judaica de origem sumeriana.
Os mitos judaicos se literalmente assimilados e compreendidos estão em franca oposição face a percepção e o intelecto humano.
Neste caso a razão e o direito assistem a ciência, pois ela esta em seu campo ou terreno e os fanáticos religiosos não. São invasores e arrivistas...
Paradoxal constatar que as mesmas formas religiosas que recusam encarnar-se no plano da ética, da transformação social e e das estruturas materiais, pretendam ministrar lições sobre a origem do universo e a constituição da sociedade, penetrando destarte no plano da imanência e justamente no setor em que jamais deveriam penetrar...
Esta mânia de sacralizar a cultura hebraica e moda de pontificar sobre tradições rabinicas conduzirá as cristandades ocidentais a destruição e ao desaparecimento face a indifença generalizada, o ateismo e o islamismo dando vezo a inumeros conflitos no plano social e político.
Fortunato: Então...
Diodoro: Cada cristão esclarecido deve exercer seu papel de profeta e lutar por um cristianismo equilibrado e harmonioso a luz da Encarnação e da experiencialidade histórica.
Precisamos tornar as fontes: O Evangelho (em grego) e a tradição patristica oriental em especial a origenista.
Isto se chama resgatar a centralidade e a soberania do Evangelho a luz da consciência comunitária dos primeiros séculos.