sábado, 16 de julho de 2011

Torpe concubinato > O corpo de Jesus contínua sendo martirizado, e martirizado pela própria Cristandade...

Dizem que após cometer seus crimes Constantino foi procurar os sacerdotes pagãos para saber que sacrifícios purificatórios deveria oferecer aos excelsos numes...

Os padres no entanto, consultando os oráculos, responderam-lhe que seus pecados eram tão graves que não conheciam qualquer expiação possível.

Foi quando certos elementos de um clero degenerado acenaram-lhe com o perdão fácil: Batiza-te Constantino e as águas sagradas, pela fé em Jesus Cristo, te tornarão tão puro quanto uma criança récem nascida...

Além disto era necessário vencer Maxêncio, apoiado pelos pagãos e odiado pelos Cristãos, aos quais perseguia com requintes de crueldade.

Alguns dos soldados de Constantino eram já Cristãos... alguém teve a idéia de inventar uma sinal miraculoso e um lábaro, o exército de Constantino foi engrossado por contingentes abrigados sob o escudo da fé e a cruz de Cristo...

Uma batalha foi dada sobre a ponte Milvío... Maxêncio afundou-se nas águas pantanosas do Tibre e Constantino apossou-se a uma só vez do cesáreo manto e da tiara sacerdotal.

No entanto ele não havia se esquecido da recusa por parte do clero pagão de apagar seus crimes... e por isso não só abraço como sustentou a Igreja de Cristo conferindo-lhe poder e glória.

Desde então o conflito estabeleceu-se no corpo mesmo de Cristo que ficou como cindido em dois partidos: o da lei e da ordem políticas, sempre disposto a colaborar, conservar e manter e o da resistência, do engajamento, do compromisso, ou seja o da ordem divina que para os poderosos deste mundo significa apenas desordem...

Doravante não tem havido paz para o povo de Jesus Cristo mas apenas árduo combate. Ao menos para aqueles que teem consciência e que sabem penetrar o significado mais profundo dos fatos.

Pois cooptando o clero cristão a custa de privilégios e imunidades, o Imperador julgou poder abafar o espírito mesmo de Jesus Cristo e a luz do Evangelho da verdade, ou seja, os sagrados princípios da justiça, da paz, da caridade, da misericórdia, da tolerância, da solidariedade, da fraternidade, da generosidade, etc cuja força divina solapava-lhe a base dum sólio feita de sangue, suor e lágrimas...

Constantino também soube desenvolver e aplicar com maestria a teoria ritualista ou fideista do batismo protelando-o até a última hora. E assim seduzido por falsos mestres continuou a perpetrar os mais horrendos crimes como o assassinato de seu próprio filho Crispo, educado pelo sábio Cristão Lactâncio; o assassinato de sua esposa Fausta, de seu cunhado Lícinio, dos filhos do infeliz Maxêncio, e de tantos outros que tiveram a infelicidade de cruzar consigo...

E assim veio a perecer miseravelmente em seus crimes e pecados, sem reparação, penitência, justiça ou Deus, clamando em vão por uma salvação fácil, imaginária, conveniente e ficticia...

Conforta-nos saber que acabou seus dias batizado por um ariano, negador da Santa e Indivisivel Trindade e da Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo... astuto, o maior de todos os adversários que a Igreja já conheceu, foi pego nos laçoes de sua própria astúcia.

Dizemos que Constantino foi o pior de tantos quantos perseguiram a Igreja de Deus porque foi o primeiro a injetar veneno e peste no organismo sagrado, por veneno e peste compreendemos a legalização do dízimo farisaico, a dispensa do serviço militar aos clérigos, a construção de templos, a publicação de Evangelhos, o fornecimento de provisões aos Bispos e Monges, a fiscalização das eleições para as funções divinas, etc

Benefícios malignos em troca dos quais os Imperadores exigiram submissão passiva por parte da Igreja e do clero, diante de suas politicagens maquiavélicas através das quais oprimiam e esmagavam as pessoas humanas pelas quais o Deus do Evangelho desejou encarnar-se e morrer.

Constantino desejou e obteve para sí e para os seus este novo Evangelho, condescendente e tolerante face a iniquidade, esse Evangelho falso e judaizante da coerção, das guerras, dos morticínios, dos impostos pesados, da fome, etc

Se bem que devido a influência do Evangelho, da tradição apostólica e do episcopado oriental, o Império de Bizâncio viesse a conhecer um certo contrapeso e a tornar-se em certa medida a primeira e talvez a única civilização Cristã que já existiu sobre a face da terra tendo em vista seu imenso aparelho voltado para o serviço e assistência social, representado por dezenas ou mesmo centenas de berçários, creches, escolas, dispensários, hospitais, hospicios, refeitórios, reformatórios, albergues, etc Foi sem dúvida alguma o primeiro grande esforço institucionalizado tendo em vista a promoção da pessoa humana.

Seja como for o exemplo de Constantino não pode deixar de ser fecundo...

Eis porque um Ambrósio e um Basílio foram ameaçados por seus sucessores, Crisóstomo exilado e Máximo mutilado, para sermos suscintos...

No Ocidente foram os Bispos de Roma que cobiçando o poder e a glória dos tirânos, lançaram mão da espada e das 'pragas' amealhando países inteiros e erguendo um trono para sí...

Desde então os intereses dos papas romanos sempre correspoderam aos intereses e desejos dos ricos e poderosos, merecendo eles o título de vigários da iniquidade... pois não houve sequer uma tentativa ou ensaio por parte dos ocidentais para retornarem ao Evangelho e a legítima tradição dos padres que não fosse dirimida por seus cobiçosos lideres espirituais.

Os papas sempre foram um estorvo face aos anseios dos romanistas mais sábios e piedosos tendo em visto um retorno aos princípios e valores perpetuamente fixados pelo Verbo divino.

Bispos, presbiteros e leigos cuidaram muitas vezes de exercer piedosa mediação e de vindicar os direitos ameaçados da pessoa humana face a prepotência dos princípes e reis; os papas no entanto mais de uma vez souberam vender a justiça e frustrar a ação de seus santos subalternos...

Pois eles nem souberam nem quizeram dar ouvidos as palavras sagradas: Dai a Deus o que é de Deus e a cesar o que é de cesar...

Cristo conferiu-lhes a suprema glória do episcopado, eles no entanto, insatisfeitos, voltaram suas vistas a púrpura e a coroa dos césares... surgindo das trevas da Idade Média esse híbrido monstruoso do Bispo/Rei, envolvido em intrigas, guerras e conflitos e lavado no sangue dos inocentes e pobres da terra.

Viu-se então o espetáculo dos Ocidentais forjarem para sí um califa cristão, a exemplo dos maometanos...

Posteriormente arvoraram-se os reformadores, os quais como é sabido, destruindo o episcopado - ao invés de torna-lo independente e livre - fortaleceram ainda mais as cadeias do absolutismo e da servidão.

Onde puderam tomar o poder - como na desditada Genebra - fizeram-se papas com inquisição e tudo, torturando e sacrificando seus opositores... onde não lograram tomar o poder, aliaram-se aos poderes iniquos e estruturas malignas sancionando toda sorte de traições, assassinatos, roubos, adultérios, etc em nome da fé e de sua suposta 'verdade'...

Ocorrem-nos a rebelião dos campônios, a bigâmia do Landgrave de Hesse, as rebeliões de Mulhausen, Munster, Saint Gall, Orthés, etc

É verdade que o Evangelho sempre faça correr sangue, o sangue dos filhos do Reino, derramado por graça do amor e da justiça, como testemunho de fidelidade irrestrita a mensagem do Evangelho, Evangelho que não se vende nem se prostitui. Que os filhos a luz tomem eles mesmos a espada e façam correr o sangue de seus irmãos é suprema degradação da boa nova anunciada sobre o monte sagrado...

Basileus, papas e reformadores são assassinos em sua maior parte, assassinos nos quais segundo o Apóstolo não pode subsistir a semente da vida eterna, criminosos, traidores do Evangelho, adversários da Lei do amor, fariseus hipócritas, inimigos do reino da luz... como o cristão que examina reflexivamente o Evangelho não cora de vergonha ao associar seu nome ao deles e ao tornar-se co-responsável por seus crimes e pecados.

Dizei-me se acaso não devemos ser profetas sempre prestes a denunciar toda sorte de crimes e iniquidades que se opõe a economia do Reino ou se devemos ser comparsas e acobertar tantos crimes perpetrados em nome daquele que disse: amai-vos uns aos outros como eu vos amei fazendo aos outros o que esperais que eles vos façam...

Ora todos esperam e desejam ser compreendidos e aceitos em suas limitações e boa fé e não tratados como feras, postos a ferro, lançados em covis imundos, torturados e lançados a poços ou fogueiras. Quando foi que Jesus ou os apóstolos abençoados ensinaram semelhante método a seus seguidores, quando foi que apontaram para esta senda de trevas???

E no entanto o que os Basileus, papas e reformadores empreenderam no passado longinquo e na noite dos tempos não vemos ser empreendido ainda hoje a luz do dia e do saber científico produzido por estes últimos séculos cheios de luz?

Não assistimos a venda de indulgência e o leilão sagrado sendo justificado e mesmo defendido por pessoas que se declaram cristãos e protestante fidelidade irrestrita aquele que disse: Graciosamente recebestes, de grça daí!!! Ou me direis que tais palavras são enigmáticas e obscuras a ponto de ser lícito a cada um torce-las a sua moda anulando a mensagem do livro sagrado? Então para que livro Sagrado se não passa suma cera derretida a qual cada um imprime suas marcas segundo sua vontade? Assim já não há Evangelho divino mas Evangelho puramente humano e falso!!!

Crianças estão a vender seus brinquedinhos para colocar algumas moedinhas sobre o 'altar' (sic) e obter a reconciliação de seus pais, segundo lemos em todos os noticiários... a infância é ensinada desde o berço a barganhar com Jesus Cristo e há quem encare tal fato muito naturalmente ou seja como algo não só comum e aceitável mas como algo bom e louvável...

Depois nos perguntamos porque o ateismo e o materialismo não param de crescer como uma avalanche e ousamos lançar pedras sobre os que se recusam a crer...

Mas crer em que e para que?

Porque, como declara Origenes, nosso antepassados criam para viver melhor... e não para viver pessimamente, a custa de provento alheio...

Nos primeiros séculos a crença trazia cruzes e espinhos, hoje parece ser desejável, pois trás comodidades temporais...

Como é que é? Onde Jesus prometeu recompensas de cárater temporal aos que crescem nele?

O que mudou? Que mensagem estranhamente nova é esta?

De fato quando parte do Cristianismo se converteu nisto... em algo tão torpe quanto o fetichismo... numa bolsa de valores espiritual ou num agência bancária invisivel, é muito díficil professar a fé.

No momento em que a essência mesma do Capitalismo é batizada e recebe já o rótulo de Cristã. No instante em que o meigo Jesus supremo padrão de justiça é descrito como um empresário avarento ou como um banqueiro corrupto que se vende vedendo favores crer tornar-se desafiador.

Quando Mamon, a abominação da desolação, se instala no templo do Senhor e é coroado sobre o altar, como não recear ser encarado como lacaio e cortezão do vil metal?

Duro exercício é manter a fé e a confiança em meio a tempestade, quando o barco ameaça sossobrar e ser engolido pelas ondas feéricas...

Para que abismo nos encaminhamos Cristandade???

Do oriente ao ocidente papas, cardeais, pastores e profetas tem seus olhos voltados para o poder e a dominação ousando cobiçar a coisa pública e a posse da autoridade secular em proveito próprio! Justificando as críticas tecidas pelos ateus e materialistas segundo os quais não passamos duma corja de hipócritas e dissimulados tendo em vista apenas o exercício do poder e obtenção de riquezas em nome de Jesus Cristo...

Quando a implatação do Reino de Deus neste mundo, partindo dos Céus e tendo por referencial a encarnação do Senhor somos acusados pelos fanáticos... e no entanto nossos acusadores desejam inaugurar um reino aparente, um reino doutrinal, uma reino de fé, um reino de palavras, e por meio da espada, da força, da tirânia; tal e qual foi feito no passado.

Não há cidadão honrado que a luz da experiencialidade Histórica deixe de recear e de encarar com sumo temor a edificação de qualquer reino confesional de natureza Cristã, reino que mais se assemelharia a uma cova de feras ou a um balaio de víboras do que a qualquer outra coisa... reproduzindo os vícios de Roma, Genebra, Munster, Moscou, etc e infindavel corjeto de lágrimas, gemidos e suspiros de dor!!!

Para muitos a dominação temporal da sociedade pode até ser um sonho acalentado no fundo da alma tenebrosa e oportunista. Para mim não passa de um pesadelo farisaico, assombroso, abominável e indesejavel.

Resta-nos apelar  a todos os corações sinceros e voltados para a luz da graça do Evangelho, para que assumam os valores legitimamente cristãos propostos pelo Livro sagrado, dentre os quais a Liberdade, e a tolerância, e a paz, e a justiça e o amor... Abandonemos os poços insalubres abertos no deserto - a Lei de Moisés e as concepções judaicas - e tornemos ao livro da vida que contem as palavras divinas do Mestre dos Mestres.

Voltemos nossas costas as coisas velhas e ultrapassadas e reformemos nossas mentes a luz do Cristo Total, uma vez que somos membros ou partes de seu corpo espiritual e como tais homens novos e nimbados por sua consciência divina. Examinemos os atos dos antepassados e as tradições que recebemos colocando tudo sobre a balança do amor ao próximo, que é a mêdula da verdade... assumamos o critério que não engana, o critério do Evangelho e pesemos nossas ações e vontades para ver se de fato estão de acordo com os ideais, principios e valores nele assentes.

Só assim nos transformaremos mais e mais a imagem e segundo o exemplo daquele que nos buscou e chamou a si quando foi erguido de braços abertos entre dois ladrões.

Elevemos nossas mentes ao Mestre amado de Nazaré e suplique-mo-lhe o favor e a graça duma fidelidade irrestrita, inegociavel, a toda prova e que não recue diante dos maiores sacrificios.

Cabe a nós apresentar a mensagem divina em sua pureza imaculada de boa nova e deixar de apresenta-la como estamos ja acostumados a apresenta-la, ou seja, como uma má nova, irritante e desagrádavel.