segunda-feira, 4 de julho de 2011

Verdadeira e falsa salvação - a Fábula da salvação incondicional



Há muito que ouvimos certos pregadores oferecerem aos povos uma tal de 'salvação incondicional' a respeito da qual o Livro Sagrado nada sabe.

Mesmo porque tanto a palavra quando o conceito de incondicionalidade são supinamente ignorados pelos hagiógrafos do Novo Testamento.

No Dicionário sim nos deparamos com a noção contratual de incondicionalidade ou seja de 'Benefício auferido sem que seja estipulada qualquer condição.'

Portanto salvação incondicional significa salvação absolutamente gratuita ou concedida sem qualquer condição.

Tal a parlenga dos novos Evangelistas...

Os quais, ao que parece, sequer chegaram a compreender o significado daquilo que andam a anunciar pelas praças.

Pois caso não haja condição alguma para ser salvo, devemos concluir que todos, sem excessão serão salvos por Deus. Do contrário, havendo réprobos, devemos concluir que a salvação é restrita, logo condicional.

Imaginem só Deus salvando na marra todos os ateus, materialistas, ímpios, sádicos, criminosos, canalhas... sem qualquer restrição, exigência, condição ou reparação... seria o que se chama indiferentismo ou relativismo moral.

Sim, uma salvação verdadeiramente incondicional ou irrestrita, desvinculada de princípios éticos ou de valores seria entrisecamente imoral...

Acontece que os pregoeiros do novo Evangelho contradizem-se ao anunciar simultaneamente uma salvação absolutamente gratuita e imoral e a necessidade da fé em Jesus para receber a salvação.

Pois se a fé e exigida por Deus e necessária a salvação como não vem a ser uma condição?

Logo, a salvação sectária não é incondicional como se diz, mas condicionada a fé.

Incondicionado aqui não passa de truque ou estratégia.

Exaltada a fé, vai-se a tal incondicionalidade pelo cano abaixo...

Reformulado o discurso a mesma salvação acaba sendo ofertada pela fé somente ou seja com apenas uma condição.

O problema é que se Deus decreta uma condição, pode muito bem decretar duas, três, quatro, cem ou até mil...

Afinal salvação que se dá em troca da fé já não é gratuita... aqui a fé é uma espécie de moeda espiritual com que se compra a salvação...

No entanto do que nos salva a fé somente?

Enquanto a salvação pelo amor (sem excluir a fé), pela obediência, pelo serviço; implica salvar o homem do pecado, destruir o mal e transformar o mundo, a salvação pela fé somente contenta-se em salvar o espírito do homem da punição que o aguarda após a morte ou como se crê do Diabo e do inferno.

Perceba que a salvação oferecida pelo Evangelho é uma salvação integral, que contempla a unidade do homem: seu corpo e seu espírito, suas ações e seus pensamentos, seus gestos e intenções... a parte visivel e a parte invisivel enfim, todo seu ser.

Trata-se aqui duma salvação quase visivel que pelos frutos se percebe.

Trata-se duma salvação concreta ou real que não exclui o corpo, enquanto veículo através do qual o espírito se manifesta e atua dando mostras de que foi verdadeira e não aparentemente regenerado.

Aqui temos uma salvação que não vai diretamente a Deus, uma salvação não invidualista, uma salvação comunitária que passa pelo outro e envolve-o num mesmo laço de amor.

E por passar pelo outro e cultivar virtudes e valores esta salvação é ética.

Ética porque não se limita a livrar o homem da punição, do Diabo ou do inferno, quero dizer dos resultados. Esta salvação comporta uma operação dinâmica e princípio vital, que atuando no homem capacita-o a transformar-se. Aqui as potencialidades nobres do homem são contempladas e seu anseio pela perfeição e pela santidade satisfeitos... pois o homem é salvo das obras más e do pecado.

Como filho assumido por Deus este homem torna-se capaz de cumprir a vontade de seu Pai que é a lei eterna do amor.

Não é uma salvação externa, forense e a posteriori, mas salvação interna, vital, a priori e real.

Já não se trata de encobrir pecados, sancionar a leviandade e compactuar com a iniquidade, mas de evitar o pecado, sancionar a lei da responsabilidade e exaltar a justiça patenteada pela reparação dos danos cometidos.

A outra salvação sendo negativa enfatisa o temor dos sofrimentos dispostos no além túmulo, esta exercita-nos no amor a Deus e ao próximo segundo esta escrito: Quem me ama cumpre meus mandamentos.

Alias, o Evangelho é todo restrição, condição, exigência. Verdadeira lei cristã que nos proibe odiar, vingar, prejudicar, que dispõem-nos a perdoar os verdadeiramente arrependidos, que nos constrange a amar e a servir o próximo... Jesus jamais ofereceu ao homem uma salvação artificial, no ódio, na maldade, na impiedade ou no pecado.

Foi DOS pecados que ele veio salvar os seus para torna-los santos na verdade e não na aparência.

Seu sangue foi vertido para que tomassemos vivo ódio pelo mal e pelo pecado e não para que pudessemos viver segundo a lei da maldade pecando constante e continuamente.

Permanecer pecando por exercer confiança no sangue de Jesus é transformar seu sangue e seu supremo gesto de amor num estímulo malévolo, é profanação, é sacrilégio... e acarretará um punição espiritual duradoura.

Não se deve opor o sangue de Jesus, a vontade e a lei de Jesus e fazer com que o sangue anule a lei.

Do contrário Jesus teria derramado seu sangue pela desobediência e pela impunidade, e desejado ser desobedecido e desonrado o que é um patente absurdo.

Pois neste caso o sangue estaria em oposição ao plano de Deus e pugnando contra ele, a menos que o Deus Santo deseje o pecado e dele se agrade. Sabemos no entanto que o Deus Santo destesta o pecado como um ato de oposição a sua vontade que é o padrão do bem e da virtude.

Logo, se detesta o pecado, deve desejar e querer sua destruição e conceder sua graça e auxilio a tantos quantos desejam triunfar das tentações e viver santamente observando sua lei santa e pura.

Do contrário, se Deus não concede aos homens de boa vontade o poder e a força para resisitir as tentações e vencer o pecado, se Deus não ajuda tais homens para que sejam santos, se ele não coopera tendo em vista o aperfeiçoamento deles, devemos inferir que não é santo, mas comparça... Sendo santo e onipotente inferimos que santifica os que desejam ser santificados por si e que o pecado não é um estado de necessidade na vida do Cristão.

Por isso decreta: Sêde perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito, ousando propor a sí mesmo como môdelo a ser imitado e padrão a ser atingido, e sabemos que Deus não pode exigir metas que sejam impossiveis de serem cumpridas.

Segue-se necessáriamente que a abstinência do pecado e do mal não só é possível como necessária por parte de tantos quantos estão em Jesus Cristo sendo novas criaturas e homens novos plasmados a sua semelhança. Aqueles que vivem pecando são filhos do Diabo e agem segundo seu legítimo progenitor, são criaturas velhas produzidas a imagem de Adão...

Portanto há algo de muito errado com os Cristãos teoréticos ou aparentes que vivem pecando e clamando  'Senhor, Senhor'.

Eles certamente julgam que são salvos, mesmo eleitos ou predestinados, mas não passam de galhos podres cortados a videira verdadeira e incapazes de frutificar, espinheiros agrestes e abrolhos incapazes de deitar figos, azeitonas ou frutos suculentos e saborosos. Cavaram poços de água salobra nas epistolas de São Paulo e como árvores plantadas longe da verdadeira fonte das águas vivas estão a secar... bebem mas não se saciam, estendem suas raizes mas não alcançam o manancial divino.

Iludidos por uma falsa e aparente salvação são levados por qualquer vento de doutrina, afirmando aqui que Deus é o autor do pecado e acolá que seu Ser comporta duas vontades diferentes.

Julgando-se remidos e seguros condenam tantos quantos não pensam ou creem como eles e mesmo vendo suas boas obras ousam atribui-las ao espírito das trevas... eis como fazem de Satanaz o mais exímio cumpridor do Evangelho, que ele por sinal leva a sério enquanto eles...

Para completarem a medida de suas iniquidades e darem o salto final no abismo que abriram imaginam pecados que não são pecados, igualam todas as ações e operações humanas, destarte afirmam estar salvos enquanto perpetram os maiores pecados e ao mesmo tempo julgam e condenam aqueles que jamais causaram dano ou prejuizo a seus semelhantes. Obscurecidos pelo fanatismo, e fixados no mal pelo hábito do pecado chamam a virtude de vício e o vício de virtude, ignorando a escala que caracteriza todas as ações e operações humanas...

Teme pois, amigo leitor esta falsa segurança e confiança supersticiosa e vã... e esforça-te por cumprir o Evangelho de Jesus Cristo, certo de que seria vergonhoso para Deus tu desejares evitar o pecado e ele não te fornecer os meios necessários para tanto... tu aspirares a santidade e ele te abandonar a mêrce da iniquidade... tu detestares o vício e ele... Neste caso tu serias deus e ele o diabo...

Crê pois que tua salvação depende das obras determinadas pelo Senhor Jesus Cristo e realizadas nele e que tua fé sem as obras exijidas pelo Evangelho é morta, ou seja, isenta de vida e impotente para salvar-te. Se sem fé não te é possível agradar a Deus, sem caridade tampouco serás capaz de atingir essa meta, pois a caridade foi posta acima da fé pelo apóstolo, logo como mais importante e mais necessaria.

A fé te torna semelhante aos Diabos em que acreditas pois eles creem e temem. O amor te torna semelhante a Deus porque Deus é amor e imitador de Jesus Cristo que veio a este mundo para ensinar os homens a viverem divinamente e para conduzi-los a theosis que é o retorno ou Uno. Pela fé te associas a criminosos, canalhas, hipócritas e falsos cristãos, pela caridade e a esperança esclarecida te associas aos amigos de Deus, aos emissários, apóstolos, procuradores e santos do Senhor Jesus Cristo.

Fazendo a vontade de Jesus tu te convertes em morada dele e ele em hóspede teu marcando tua alma com um hábito que se converte em cárater na medida em que o receio dos castigos e o temor humano é substituido pelo amor a Deus e pelo desejo de servi-lo e de agrada-lo sem qualquer tipo de esperança, conforto, recompensa ou condição. Sendo ele o Deus é a ele que te cumpre amar e servir sem nada desejar que seja inferior a ele e sem nada querer ou cobiçar que não seja ele.

Quando Cristo alimentar e satisfazer tua alma, saberas que para aqueles que compreendem seu amor e procuram ama-lo na mesma medida 'Seus mandamentos não são pesados, seu jugo é suave e seu fardo leve.'

Mesmo quando teu corpo sentir-se fatigado pelo dever, tua consciência estará em paz e tua alma fruirá daquela doçura que foi destinada apenas as almas inocentes que corrigiram seus erros e repararam seus peacados. Quão ditosa será tua vida se com a graça de Jesus lograres viver como ele viveu compendiando seus ensinamentos em todas as tuas relações pessoais, então serás de fato um Cristo aumentativo, um autêntico cristão, não de aparência, nome ou boca mas de fato por obras e verdade.

Abandona pois o falso ensinamento da salvação fácil e sem condições apresentada ao ego preguiçoso pelos falsos profetas e apóstolos da mentira e abraça desde já a salvação concreta e verdadeira apresentada pelo Evangelho de Cristo, a saber a execução de sua palavra e a submissão a sua lei, assim, executando e cumprindo o que te foi ordenado, aplicando os talentos que te foram confiados, frutificando como a árvore frondosa plantada a beira do arroio, construiras sobre a rocha firme um castelo inabalavel para a eternidade.

Põe em prática a religião verdadeira e culto perfeito que é assistir, o pobre, o orfão e a viúva em suas necessidades. Eis a devoção pura e sem mancha abençoada pelos céus... e que nos permitira que ouçamos do Bom Senhor as seguintes palavras: 'O que fizestes a estes pequeninos foi a mim mesmo que fizestes, vinde e tomai posse do Reino que vos foi preparado desde toda eternidade.'