terça-feira, 9 de agosto de 2011

A oração do Pai nosso: o Pai

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (Mateus 6.9)

 

O que encanta na "teologia" de Jesus é muitas vezes, a sua simplicidade.

Deus é Pai, e pronto.

Quando se fala em pai, em uma cultura patriarcal, como era a judaica, pensa-se em alguém justo, protetor, provedor, administrador, etc. Há o elogio do homem justo, bom, sábio, prudente; que assume a responsabilidade de cuidar e zelar pelos seus.

Estas, entre outras, são características que estão no imaginário judaico quando se fala em pai.

Veja que patriarcalismo é completamente diferente de machismo, assim como matriarcalismo, de feminismo.

Jesus aproxima, ainda mais, a figura, que as vezes parece distante, do Deus do Antigo Testamento, para seus discípulos.

Por isso, para o pensamento cristão, Deus não é um ser distante.

Mas é mais íntimo de nós do que nós mesmos o somos.

Deus, embora para a nossa teologia, continue sendo imutável, onipotente, onipresente e onisciente, é um Deus que possui sentimentos de compaixão, alegria, afeição, ainda que tais características estejam para além das emoções.

Escândalo para os judeus que entendiam Deus como "o totalmente outro". Escandalo para os gregos, que entendiam que Deus era impassível (sem emoções, sem capacidade para o sofrimento, sem paixões, etc).

Dizer que Deus é Pai tem o intuito de remover da mente dos discípulos todas as suas preocupações e ansiedades quanto à vida, pois sabe-se amado desde já, desde agora.

Jesus é o Filho de Deus, segundo as Escrituras.

Por essência e natureza, é certamente o único verdadeiro Filho de Deus. O único que viu o Pai (João 1.18). Segundo o evangelista João, a todos quanto o receberam, lhes foi dado o poder de se tornarem Filhos de Deus (João 1.12). Paulo diz que somos filhos de Deus por adoção (Romanos 8.15, Gálatas 4.5), irmãos de Jesus Cristo.

Portanto, ainda que, por criação, possamos atribuir a Deus a paternidade criadora, por adoção e "parentesco", somente os que recebem a Cristo como seu Senhor e Salvador podem ser chamados de filhos de Deus.

E isto é escândalo para aqueles que entendem que não importa a vida que se viva, a vida que se leva, acham que ser considerado filho de Deus é um direito, quando na verdade, é um privilégio.

Por isso, o apóstolo João escreveu em sua primeira epístola: "Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele" (I João 3.1).

O Senhor é Pai. E Deus é amor. Se assim o é, não precisamos mais ter medo, pois o verdadeiro amor, que é Deus, lança fora todo o medo...