terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tesouros na terra


Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam (Mateus 6.19).



Este é um dos mandamentos mais constrangedores de Jesus para os nossos tempos.

John Wesley, famoso pregador inglês, líder do movimento metodista-anglicano, pregando tal passagem para seus conterrâneos, salvo melhor juízo, na Universidade de Oxford, disse que é como se ela estivesse ainda no grego original ou em uma língua ininteligível, ainda não traduzida, pois era sempre solenemente ignorada pelos cristãos de seu tempo.

Ou ainda, que tal passagem era sempre amenizada pela destreza dos comentadores de então, como que se Jesus não quisesse dizer o que estava dizendo.

Isto porque, segundo ele, os ingleses violavam tal mandamento todos os dias de suas vidas.

Que tudo o que faziam e aprendiam desde crianças era acumular, acumular e acumular.

Ele mesmo, Wesley, no mesmo sermão, disse que, neste ponto, os índios norte-americanos eram mais cristãos que seus nobres ouvintes, pois os índios nada acumulavam para si, estavam contentes com a provisão de cada dia, só retiravam da natureza aquilo que precisavam, e portanto, mesmo sem saberem, estavam cumprindo muito melhor o mandamento de Cristo.

O discípulo que leva seu Senhor a sério terá sempre esta passagem diante de seus olhos, diante de sua mente, pois sabe que não pode viver como qualquer gentio, que concentra toda a sua vida no acúmulo de riquezas.

O fim das riquezas deste mundo é este próprio mundo (traça e a ferrugem consomem). O discípulo de Cristo, embora no mundo, pensa com seriedade no mundo porvir.

John Wesley movimentou muito dinheiro em sua vida, por conta das sociedades metodistas. Ele começou seu ministério estipulando um determinado valor para viver, que era o suficiente para uma vida digna. Depois de muitos anos, continuou vivendo do mesmo valor. Ele foi quem disse "o mundo é a minha paróquia".

O teólogo inglês John Stott, um dos idealizadores do Pacto de Lausanne e do movimento da Missão Integral, estipulou que só comeria uma refeição diária, por solidariedade aos que nada tinham, e segundo ouvi dizer, assim o fez até o final de seus dias. Ele, juntamente com outros homens, fizeram um pacto de simplicidade para poderem investir maiores recursos em missões mundiais, bem como nas obras de caridade.

Se fosse escrever sobre Pedro Waldo, Francisco de Assis, William Booth (fundador do Exército da Salvação), entre tantos outros, tempo me faltaria...

Nem todos seremos Wesleys, Franciscos ou Stotts. Cada qual, no seu contexto, com sua necessidade.

Entretanto, estamos todos diante do Senhor, e sua Palavra estará sempre diante de nós.

Por Carlos Seino