terça-feira, 25 de outubro de 2011

Meus débitos intelectuais e valorativos







Ao Supremo Legislador e as sábias leis estabelecidas por ele devo minha mente capaz de refletir sobre o mundo, o homem e a sociedade.

A minha avó materna devo um dos mais grosseiros exemplos de fanatismo que testemunhei e muito naturalmente o vivo horror que sinto face a semelhante produto da vulgaridade espiritual dos seres humanos.

A meu pais devo o organismo perfeitamente saudável e os sentidos acurados e capazes de captar a realidade que nos envolve.

A meu pai devo o que reputo por minha mais importante qualidade: o amor aos livros e ao estudo. Que Deus Nosso Pai conceda-lhe um luminoso refrigério e bom lugar de luz e paz junto a si ou uma nova oportunidade.

A minha mãe devo o mais firme e heroico apoio na senda dos estudos até a conclusão de minha primeira faculdade. Jamais poderei agradece-la suficientemente, mesmo que beijasse seus venerandos pés a cada instante.

A meu irmão devo a salvação da vida (me salvou duas vezes cretino!)- além do gosto pelo cinema é claro - ameaçada pelos rudes golpes da sorte e flagelos da alma. É como extensão da minha alma ou alma suplementar.

A minha falecida tia Zuleika devo muita atenção e carinho dispensados. Jamais houve melhor tia neste mundo... A minha tia Lourdes e Luiza os mesmos créditos.

A falecida Dna Valéria devo o ombro e a mão amiga sempre dispostos a acolher. Meu maior anseio é poder reencontra-la e abraça-la no mundo futuro.

Ao falecido amigo da infância e juventude, André Luis, estendo o preito de eterna saudade. Nossas discussões jamais serão esquecidas... até qualquer dia grande amigo...

A Dna Zelinda devo o gosto pela arte e a poesia.

A Haidé devo meu bom gosto musical.

Ao Fernando de Jesus devo o gosto pelo teatro.

A meus amigos Cida, Hamilton - seja sua memória eterna - e Tiago devo meu curso superior e oportunidade no serviço público estadual.

Ao Paulo Matiolli devo muita gratidão por ter confiado em mim e me admitido no serviço público estadual.

A vó Amélia e a Dna Ercília devo o sentido do respeito pelo idoso.

A meus animais de estimação Tupi, Biscui, Kika, Darice, Jô (falecidos), Neguinho e Marley, devo muito, mas muito afeto.

A meu jardim e minhas ervas, minhas árvores e minhas flores devo muita paz e conforto.

A minha professora Clotilde Paul o mais exemplo de humildade dado por uma pessoa de condição elevada diante do público.

A professora Wilma e a amiga Ana Paixão devo a conclusão se meu TCC em tempo hábil.

A família Bermudes devo solidariedade pelo apoio prestado sempre que mamãe ficou doente.

A minhas primas Sandra, Soraia, Vera, Sônia, Dulce, Lourdes e Alzira devo inumeros almoços, jantares e lanches oferecidos com muito carinho.

Ao Dr Mariovaldo devo o apoio irrestrito sempre concedido ao exercício de minhas funções profissionais.

A Dulce devo bela amizade e apoio constante.

A L. devo o renascer da alegria perdida e do contentamento face a vida que brota da esperança no futuro.

A meus alunos - em especial Mike, Evandro, Paulo, Felipe, Daniel e Sabrina - devo o sentido da seriedade profissional e do dever.

Não poderia viver sem lecionar bem.

A Milka e ao Dr Seino, protestantes, devo uma boa doze de esperança no porvir do gênero humano.

A Anatélcia Helena, devo um grande e sincero amor que não pude retribuir por mais que desejasse.

A Paulo Freire, Comenius, Freinet, Rogers, Piaget e Vygostky devo minha competência profissional.

A Cristo devo minha fé inquebrantável nos seres humanos e os princípios sagrados da caridade, da justiça, do bem, da paz, da clemência, da fraternidade, da alteridade...

Ao Cristianismo devo meu viez historicista.

A igreja romana devo minha formação intelectual, meu primeiro contato com o Evangelho, a teologia, a patrística, a filosofia, a sociologia, a psicologia, a política, etc e minha amizade com Bloy, Mounier, Maritain, Chestov, Marcel, etc o amor para com a Virgem Mãe de Meu Senhor... meu São Francisco de Assis... S Camilo de Lelis, S João de Deus, S Vicente de Paulo, Damião de Veuster, Pe Ibiapina, Pe Bento, Irmã Dulce, Madre Tereza e a consciência sobre a superioridade do padrão Cristão.

A D Lefebvre devo o aprimoramento de meu senso estético e meu apego ao ritual litúrgico que até então havia sido apenas instintivo. Devo-lhe ainda a crença na soberania da tradição...

Ao protestantismo liberal devo a superação face aos mitos e fábulas do Antigo Testamento, o que não é pouca coisa. A leitura de Fosdick e de Ch R Brown foi de grande proveito para minha alma fatigada... pois alijou de minha mente um pesado fardo

Ao espiritismo devo meu aprofundamento face ao Evangelho, a lei de Jesus Cristo, a excelência da caridade, uma antropologia sadia e uma escatologia superior.

A Doellinger ('O papa e o Concílio), Guetté e Alexandre Herculano devo minha passagem a Ortodoxia.

A ortodoxia devo a subsistência de minha fé em Cristo Jesus, a certeza duma fé incorruptível em seus traços gerais, o conforto da beleza, a linguagem simbólica do ritual, uma melhor compreensão a respeito da Trindade, uma vida sacramental mais rica, uma devoção mariana mais sólida, o semi-pelagianismo, o restauracionismo... Justino, Clemente, Origenes, Tertuliano, Eusébio, Teodoro, Crisóstomo, que são as referencias históricas da minha fé.

Ao Hinduísmo devo a palingenesia e a certeza do retorno ao Uno.

Ao Budismo o fortalecimento do pacifismo e o aprofundamento da consciência ecológica (ainsa).

Ao Judaísmo e ao paganismo antigo o testemunho profético e sobrenatural a respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo, alicerce e fundamento de nossa adesão a sua autoridade e lei.

A Filosofia - a princípio sob orientação da fé romana - Sócrates, Platão e sobretudo, meu amado mestre Aristóteles, a quem devo o teísmo consciente e a base de minha fé esclarecida.

A Aristóteles devo o dogmatismo mitigado e o realismo face as frioleiras do ceticismo, do relativismo, do materialismo e do idealismo, então posso dizer que devo-lhe minha orientação intelectual e minha compreensão de mundo de modo geral.

A Voltaire especialmente devo minha ruptura com o fetichismo que estende a economia dos milagres até o tempo presente.

A Homero e Vírgilio devo muito encantamento...

A ciência devo o caminhar com os pés no chão, ao contrário dos fanáticos e obscurantistas.

A Marx devo a compreensão exata do sistema econômico vigente, embora discorde a respeito da solução proposta.

O ideal socialista inculcado pela tradição socrático-cristã é como o ar que respiro e a luta mais nobre.

A Lamark, Darwin, Dobzansky e Jay Gould devo uma exata compreensão a respeito da caminhada evolutiva dos seres vivos.

Evolução que naturalmente estendo ao mundo espiritual e que aplico a economia eterna.

A Freud, Jung, Adler, Reich, Ericson, Horney e Fromm, devo um conhecimento bastante exato a respeito do ser humano.

E minha concepção liberal a respeito da sexualidade, da família e da sociedade.

Aos antigos gregos e a Bakunin devo meu amor a policracia e um vivo horror aos totalitarismos de direita e de esquerda.

A Thoureau, Adin Ballou, Tolstoi e Gandhi e sobretudo ao exemplo dos mártires de outrora a crença na desobediência cívil.

A Agostinho a teoria da guerra justa. E o repúdio a todos os povos e exércitos que atacam, invadem e agridem.

Daí minha solidariedade para com o sofrido povo palestino, bebida em Jimmy Carter.

A Souza Mello e a Oscar Quevedo devo meu senso crítico face ao sobrenatural.

A Sudré, Richet, Warcollier e sobretudo a Aksacoff, Erni, Gibier, Bozzano e Imbassahy, meu senso crítico face aos preconceitos cientificistas e materialistas.

A ambos o meu saudável meio termo.

Aos positivistas, como Ranke e Soignobos devo meu respeito para com os fatos históricos.

A Sra Leandro Dupré, Mika Waltari, Gore Vidal, Robert Graves, Bertita Harding, Hall Caine, C S Forester, E Salgari, A C Doyle, H G Wells, etc as mais agradáveis horas de distração...

Os mesmos créditos a Casimiro, Gonçalves Dias, Bilac, Olegário Mariano e Chico Xavier. Quem não é capaz de amar a poesia nasceu desprovido de alma.

A minha biblioteca devo minhas mais nobres aspirações e sonhos.

Cercado por pessoas tão boas devo muito pouco a mim mesmo pois limitei-me a fazer uma mediação entre as partes. Penso que se devo algo a mim mesmo é a coragem...

Pois gosto mesmo de afrontar...

Aqueles que esqueci de mencionar esquecidos estão, afinal talvez não sejam assim tão importantes...