quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O mais generoso ato de fé







E nós cremos no Deus Encarnado do Evangelho.

Não no deus inincarnado, transcendente e diáfano de Moisés e de Maomé...

Não no deus simplório, velho caduco, esclerosado, encarquilhado e embolorado que senta suas nádegas sobre um torno material posto sobre nuvens materiais.

Nós não cremos num deus finito e corpóreo, mas num  Deus que sendo infinito, ilimitado, perpétuo e imaterial, fez-se verdadeiramente finito, limitado, temporal e material na pessoa de Jesus de Nazaré.

O que era por essência imaterial no processo histórico fez-se material. Tornou-se finito sem deixar de ser infinito ou melhor incorporou o finito a sua infinitude original...

Este Deus que concilia os opostos, este é nosso Deus.

O Deus que vive, homem com os homens, em comunhão.

O Deus presente.

O Deus que participa do que é nosso, da nossa natureza, dos nossos sofrimentos, das nossas vicissitudes, das nossas experiências de dor, dos nossos sonhos...

O Deus solidário, que não permaneceu oculto, vigiando...

Um Deus que situou-se por assim dizer...

Num Deus que se fez irmão, amigo, companheiro, próximo, outro...

Num Deus que deu exemplo e que se tornou exemplo de conduta para aqueles que nele creem e que são conduzidos por ele.

Num Deus que ao invés de discursar, ensina e que ensina agindo e fazendo, agindo e fazendo enquanto modelo.

Nós cremos no Deus todo amor e não num deus todo poderoso, porque os deuses dos gentios também eram todo poderosos...

Nós cremos no Deus que se imola, que se sacrifica, que se doa, que se entrega, que se oferece com um determinado propósito.

Nós cremos no Deus posto sobre a cruz, escândalo para os judeus e afronta para os gentios. Para nós esse Deus é poder, é glória, é graça e sobretudo amor.

Nós cremos no Deus fragilizado cujos passos são sustidos pelo Cirineu...

Nós cremos no Deus aniquilado que se esvaziou de sua majestade esplendente.

Nós cremos no Deus desfigurado diante do qual 'se cobre o rosto'...

Nós não cremos no grande vigilante do céu, sempre a espreita com o objetivo de punir, castigar, condenar torturar e exercer vingança.

Nós cremos no Deus que vem ao encontro e que recupera.

Nós cremos no Deus que vem buscar e reconduzir a si o que estava perdido.

Nós cremos no Deus que sai de si e lança-se a si mesmo em direção das criaturas.

Nós cremos no Deus que questionou as estruturas do poder, no Deus que foi perseguido, traído, preso, abandonado, acusado, caluniado, espancando, torturado, condenado e morto pelos poderosos, pelos ricos e pelos senhores e dominadores deste mundo.

Nós cremos no Deus rejeitado pela 'gente de bem' e acolhido pela gente humilde...

Nós cremos no Deus que desafiou audaciosamente os preconceitos do tempo... no Deus que foi solidário para com as prostitutas, publicanos, mulheres, crianças, homossexuais, miseráveis...

Nós cremos no Deus que publicou a lei perpétua do amor ao invés de dissertar sobre vestes, cardápios, posições sexuais e outras quejandas que caracterizam a religião dos fariseus hipócritas.

Nós cremos no Deus que promulgou valores imperecíveis como a verdade, a justiça, o bem, a paz, a compaixão, a solidariedade, etc ao invés de publicar decretos, normas e regulamentos mortos como Moisés e Maomé...

Nós cremos no Deus que veio tornar o homem verdadeiramente livre ao invés de fazer dele um escravo, um rebotalho, um farrapo de gente, um trapo humano...

Nós repudiamos esse falso deus que estende suas mãos a Mamon!!! Nós rejeitamos esse simulacro abominável que presta serviços aos senhores e dominadores!! Nós arrenegamos esse ídolo monstruoso que santifica os crimes cometidos pelos mais fortes contra os mais fracos!

Belo é o Deus em que cremos e duma beleza infinita e majestosa porque não faz acordo ou associação! Belo esse Deus que não negocia com seus princípios! Belo o Deus que não vende nem prostitui os valores que fixou!

Belo o Deus que não conhece privilégios! Belo o Deus que não escolheu um povo, mas a humanidade inteira para si ou seja todo o gênero humano!

Belo o Deus que não escolheu este rejeitando aquele... mas que soube amar a todos do mesmo modo enquanto amor ilimitado e infinito que é.

Belo o Deus que não concede favores em troca de bajulações, espórtulas, indulgências, dízimos e outras tachas que o homem oportunista estabeleceu com o intuito de viver folgadamente.

Abençoado Jesus que nos libertou do fardo e jugo imposto pelos escribas e fariseus hipócritas.

Abençoado Mestre que apresentou-nos um Deus incorruptível e que não tem necessidade de qualquer coisa.

Nós cremos neste Deus que não conhece paixões, mudanças, alterações e que não pode ser manipulado pela vontade limitada dos homens mortais através de orações magicas.

Nós cremos no sábio legislador que estabeleceu leis fixas sob a forma de causa e efeito.

Cremos num Deus infinitamente sábio e não num improvisador grosseiro.

Cremos no que planeja e não no que conserta...

Cremos num Ser que é perfeito e não num ser imperfeito como nós...

Nós cremos no pensamento que pensa a si mesmo...

Nós cremos naquele que tudo contem e que por nada é contido... naquele que é o meio em que subsistem todos os seres finitos imortais.

Nós cremos no Uno de que saímos e para o qual voltamos por obra e graça de sua própria Encarnação na pessoa de Jesus Cristo.

Nós cremos num processo evolutivo por meio do qual todos os seres caminham para sua destinação perpétua que é a felicidade santa.

Nosso Deus não é o deus imaginário pintado pelos homens e feito a semelhança deles. Nosso Deus é um paradoxo inesgotável...

Nós cremos que esse Deus é Jesus de Nazaré.

Nós cremos que Deus se fez homem para que o homem se faça Deus.

Cremos que Deus viveu entre os homens mortais para ensinar os homens mortais a viverem divinamente segundo a lei perpétua e irrevogável.

Nós cremos num Deus que capacita, prepara, dignifica e torna o homem apto para viver segundo seu plano e vontade que é a santidade verdadeira.

Nós cremos no padrão de perfeição e santidade imposto pelo Evangelho: fazer o bem e evitar o mal.

Nós cremos que é necessário romper definitivamente com o mal, o pecado e a iniquidade para estar em Cristo numa comunhão de amor.

Portanto nós encaramos com seriedade a lei de Jesus Cristo.

Nós afirmamos um Cristianismo sério e compromissado capaz de penetrar e de transformar as estruturas da temporalidade.

Nós cremos num Reino em processo de gestação, de encarnação, de construção.

Nós cremos num espiritualismo encarnado e não numa religião fantasmagórica.

Nós cremos numa salvação concreta, não do Diabo ou dum suposto inferno, mas do mal e do pecado.

Nós cremos na vitória completa de Deus que é a aniquilação da iniquidade.

Nós não admitimos qualquer parcela de triunfo ou de subsistência para o mal.

Nós não desejamos a destruição da substância da terra que é tão boa quanto seu Criador e Senhor. Nós esperamos na reintegração e na glorificação desta terra em que Cristo viveu.

Nós cremos na terra ataviada como uma esposa aguardando por seu esposo.

Nós cremos que os Santos triunfantes habitarão este mundo com o Cristo glorificado após a ressurreição final.

Nossa religião é a religião da Encarnação.

O mistério que envolve nossa fé e nossa vida é o mistério da Encarnação.

O ponto de partida para nossa compreensão espiritual é o dogma da Encarnação.

Nós somos do número daqueles que tiram as consequências e não do número dos inconsequentes e hesitantes.

Nós exercemos fé em Deus porque Deus antecipou-se a nós e exerceu fé no homem ao fazer-se homem.

Então nos exercemos fé no homem a exemplo de Deus.

Então com Deus nos afirmamos o homem, a capacidade do homem, a dignidade do homem, a perfectibilidade do homem... nós cremos e confiamos no homem.

Em sua evolução, em seu progresso, em sua ascensão... e não desesperamos.

Porque esta nossa fé esta firmada na pessoa do verdadeiro Jesus Cristo.

Não na pessoa do Jesus diáfano, transcendente, intangível, que caiu das nuvens... mas do Jesus nascido na Santa Virgem Maria carne de sua carne, sangue de seu sangue, osso de seus ossos, verdadeiro homem no complemento da natureza material e corpo físico.

Neste redentor da matéria cremos e não no deus dos espiritualistas e maniqueus.

Neste redentor da sociedade, do mundo, do universo, neste cremos.

E sabemos em que cremos.

E conhecemos os fundamentos da fé.

E nossa fé não nos engana.

Então nós não estamos com o Cristianismo convencional e auto satisfeito.

Nós não apoiamos a desordem estabelecida pelos homens.

Enquanto nós não vermos a lei de Jesus Cristo posta em prática não nos daremos por satisfeitos.

Bendita utopia pela qual é doce viver e mais doce ainda morrer como os mártires nossos antepassados.