quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Discordo dos seguintes ensinos de Agostinho

Discordo dos seguintes ensinos de Agostinho:
  1. que Maria teria nascido e vivido sem pecado (AGOST., De natura et gratia, 36, 42, PL 44, 267; P. LOMB., Sent. III, dist. 3, 2, p. 559.), sendo que a Bíblia afirma que, exceto Cristo, todos os seres humanos pecaram (Romanos 3.23);
  2. que existe um purgatório (Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 37,3), sendo que a Bíblia não encoraja a idéia de uma segunda oportunidade após a morte (Mateus 25.11-13; Apocalipse 20.11-15), pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9:27).  E nem muito menos encoraja uma idéia de salvação através do próprio sofrimento ou obras (Efésios 2.8-10, Tito 3.4-5 e Hebreus 10.12). Sabemos que Jesus disse ao Ladrão arrependido: "hoje mesmo estarás comigo no Paraíso" (Lucas 23.39-43), portanto, tal indivíduo que viveu uma vida de pecado, encontrou a graça salvadora na hora de sua morte e, ao morrer, não foi conduzido para um purgatório a fim de purificar-se dos seus pecados, mas ao Paraíso, pois se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça baseado no sacrifício de Cristo em favor dos pecadores (1 Jo 1.9); Após a morte, será tarde de mais para o pecador, pois é aqui e agora o dia da salvação (2 Coríntios 6.2);
  3. que o sacramento do batismo salva, sendo que o ritual exterior de nada serve se não for acompanhado do lavar regenerador do Espírito Santo (Tito 3.5). E o ladrão arrependido da cruz não teve tempo de ser batizado e nem por isto deixou de entrar no Paraíso (Lucas 23.39-43);
  4. que fora da Igreja Católica não há salvação, tal pretensão exclusivista é refutada pelo próprio Cristo no episódio em que seus discípulos queriam proibir um grupo estranho de seguidores de Cristo de exercerem seu ministério: "'Mestre', disse João, "vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos. 'Não o impeçam', disse Jesus. 'Ninguém que faça um milagre em meu nome, pode falar mal de mim logo em seguida, pois quem não é contra nós está a nosso favor'" (Marcos 9:38-40). A igreja não existe para si mesma e os discípulos de Jesus não foram enviados para fazerem discípulos de si mesmos, mas discípulos de Cristo! Outra coisa a ser questionada é se a Igreja Católica é realmente uma fiel seguidora de Cristo e se está de fato firmada na doutrina dos Apóstolos;
  5. que a autoridade da Igreja está acima daquela da Bíblia, sendo que os verdadeiros seguidores de Cristo, cheios do Espírito Santo, são aqueles que perseveram na doutrina bíblica dos Apóstolos, como diz as Escrituras: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (Atos 2:42). Pois  “toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16). Por esta razão é que o Apóstolo Paulo exorta ao Bispo Timóteo: "E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros" (2 Timóteo 2:2); 
  6. que o Papa é infalível quando se pronuncia ex cathedra, "mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gálatas 1:8); 
  7. que a Igreja tinha o direito de violar as liberdades humanas, idéia que serviu de base para a Santa Inquisição (João Bernardino Gonzaga. A Inquisição em seu mundo. São Paulo: Saraiva, 1993).
  8. que Deus predestinou uns para o céu e outros para o inferno, quando as Escrituras afirmam que a graça salvadora foi manifesta a todos os homens, pois o desejo dele é que todos sejam salvos: Tito 2.11; 3.4; Hebreus 2.9; 1 João 2:2; João 1. 7-9; 3.16-19; 6.40; 8.13; 12.32; 2 Co 5.15; Mateus 4:16; 1Timóteo 2.4-6; Atos 2.21; 17.30; 26.16-18; Romanos 1.16; 3.22. E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34); "Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas" (Colossenses 3:25); 
  9. que sexo é pecado até mesmo dentro do matrimônio e que o pecado é transmitido hereditariamente através das relações sexuais, sendo que a Bíblia afirma: "venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hebreus 13:4). Deus criou o homem e a mulher, macho e fêmea, para que eles pudessem ter relações sexuais dentro do santo estado do matrimônio que foi instituido por Deus ainda no tempo da inocência, ou seja, antes da queda (Genesis 1.26, 27; 2.18-25). Paulo diz que é doutrina de demônios proibir casamentos por enxergar a prática do sexo pecaminosa mesmo entre marido e mulher (1 Timóteo 4.1-3). Sexo não existe apenas para procriação, de modo que marido e mulher tem o direito de desfrutarem do prazer sexual (Provérbios 5.19; Cantares 7.6 e 12; 1 Coríntios 7.33, 34).
  10. que o pecado está na carne e que o homem só pode ser liberto do domínio do pecado quando se libertar da carne através da morte, idéia de influência gnóstica e que os calvinistas costumam também endossar, o que implica em dizer que a morte é mais poderosa do que Jesus, pois somente ela nos libertará do domínio do pecado. Mas não é isto que o Apóstolo Paulo ensina em Romanos 6 e que também encontramos em inúmeras outras passagens bíblicas que falam do novo nascimento que nos confere um novo coração que nos capacita a vencer o pecado;
  11. Além de tudo isto, algumas de suas afirmações revelam certo grau de anti-semitismo: "Os Judeus que O assassinaram, e não criam nEle, porque coube a Ele morrer e viver novamente, foram ainda mais miseravelmente assolados pelos romanos, e completamente expulsos de seu reino, onde estrangeiros já tinham dominado sobre eles, e foram dispersos pelas terras (tanto que não há lugar onde eles não estejam), e são assim, por suas próprias Escrituras, um testemunho para nós de que não forjamos as profecias a respeito de Cristo." (Cidade de Deus, Livro 18 capítulo 46; ver também: Resposta a Fausto o Maniqueísta, Livro 12, verso 11; Flannery, Edward H., The Anguish of the Jews: Twenty-Three Centuries of Antisemtism, published 1985 by Paulist Press, 997 Macarthur Boulevard, Mahwah, N.J. 07430, U.S.A. pp.52-53; Transcript of a talk by Olga Marshall - Lydia Research Adviser, Swanwick, England, May 1997, p.7). "Mas Deus é amor e qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 João 3:15) e "se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1 João 4:20). Na Parábola do Bom Samaritano, Jesus ensina que nosso próximo deve ser até mesmo aquele que pertence a um grupo hostilizado como o era o dos samaritanos (Lucas 10.33). Jesus é o Príncipe da Paz! Jesus veio destruir as obras de Satanás. Jesus derrubou a parede de separação entre judeus e gentios. Jesus veio acabar com a inimizade (Efésios 2.14-16). Os que em nome de Cristo semeiam o ódio são de fato filhos do diabo e não de Deus (João 8.44).

Agostinho conquistou uma influência política muito grande dentro da igreja. Sendo bispo africano, ele exerceu um papel fundamental no combate ao donatismo que era um grupo muito forte no norte da África e que, naquela época, protestava contra diversos erros da Igreja Romana, buscando autonomia. Não que eu endosse todos os ensinos donatistas, mas apenas observo que a questão principal que motivou tamanha perseguição católica possuía uma natureza muito mais política do que doutrinária.

Como é que se deu a influência de Agostinho sobre o protestantismo? Bem, como a queixa principal de Lutero era contra a cobrança de taxas para conceder o perdão aos pecadores, ele busca convencer o Papa apoiando-se não apenas nas Escrituras, mas também em um renomado teólogo católico como Agostinho, cujos ensinos favorecem a idéia da salvação pela graça e não pelas obras. Tal simpatia por Agostinho acaba abrindo brecha para a aceitação de algumas de suas demais teses, como a predestinação e até conceitos anti-semitas. E o reformador Calvino segue como discípulo de Agostinho até mesmo no que diz respeito a perseguição e morte dos hereges. 

Creio que o contexto de Lutero e Calvino explicam, em parte, o apego deles aos ensinos de Agostinho, o que dava uma base sólida para os protestantes dentro da própria tradição católica. Lutero começou crendo em predestinação absoluta, mas, convicto de que Deus deseja a salvação de todos os homens, acabou finalmente convencendo-se de que ela é condicional, assim como o fazem os arminianos.

Armínio e Wesley se levantam para combater a doutrina da predestinação, mas mantém que a salvação é produto da graça e não das obras, demonstrando que não é preciso admitir a predestinação para defender a salvação pela graça. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Eu partilho da opinião de Barth que não via na predestinação uma predeterminada separação feita entre os homens, e não entendia a eleição como algo particular, como o fazia Calvino. A predestinação leva o homem a uma crise, no momento da revelação e da decisão. Ela o condena na relação em que, por natureza, ele se acha com Deus, como pecador, e nessa relação o rejeita, mas o escolhe na relação à qual ele é chamado em Cristo, e para a qual ele foi destinado na criação. Se o homem reage positivamente à revelação de Deus, pela fé, ele é o que Deus tencionava que fosse: um eleito; mas se reage negativamente, continua sendo um reprovado. Esaú pode tornar-se Jacó, mas Jacó pode tornar a ser Esaú. A idéia é que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo para sermos santos (Ef 1.4). Em Cristo o homem encontra o destino traçado por Deus para a humanidade: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2). A predestinação é condicional à fé em Cristo.

Sugiro que assistam a esta excelente palestra que revela os bastidores do calvinismo: http://www.youtube.com/watch?v=iNBRXiuLMsE



Se puder, leia também texto que acabei de escrever e que tem a ver com o assunto:

A Manifestação da Graça Salvadora

(Tito 2.11-15)
 

Link para o vídeo deste estudo: http://youtu.be/UAqlM5J8Fs0


Abordando as seguintes questões:


v A graça  salvadora é a única esperança para os pecadores
Ø  Romanos 6.23 e João 1.29; 14.6.
v A graça salvadora foi manifesta a todos os homens
Ø  Tito 2.11; 3.4; Hebreus 2.9; 1 João 2:2; João 1. 7-9; 3.16-19; 6.40; 8.13; 12.32; 2 Co 5.15; Mateus 4:16; 1Timóteo 2.4-6; Atos 2.21; 17.30; 26.16-18; Romanos 1.16; 3.22.
v A graça salvadora não é compulsória, pois não se impõe  pela força contra a vontade humana, mas procura cativar pelo amor.
Ø  Atos 7.51; Deuteronomio 10.16; Hebreus 3.8 e 15; 4.7; Apocalipse 3.20; João 1.11-12; 3.19.
v A graça salvadora conclama ao arrependimento
Ø  Tito 2.11, 12, , 14; 3.8; 2 Pedro 3.9; Marcos 1.15; Mateus 3.2 e 8; Atos 2.38; 3.19; 5.31; 11.18; Atos 20.21; 26.20; Lucas 3.3; 5.32; Romanos 2.4; 2 Timóteo 2.25; Hebreus 6.6; 2 Coríntios 7.9.
v A graça salvadora é apropriada pela fé para as boas obras
Ø  Efésios 2.8-10; Tito 3.4-8.
v A graça salvadora não é um fim em si mesma
Ø  Tito 2.11, 12, 14; 3.7 e 8;  
v A graça salvadora produz regeneração e santificação 
Ø  Tito 2.11, 12, 14; 3.7 e 8;  1 Tessaloniscenses 4.3 e Romanos 6.19.
v A graça salvadora nos torna filhos de Deus
Ø  Tito 3.7; João 1.12; Romanos 8.29; 2 Pedro 1.4.
v A graça salvadora não é apenas uma obra de Deus a nosso favor, mas também dentro de nós!
Ø  Tito 3.5; Ezequiel 36.26; Gálatas 2.20; João 3.3; 1 João 3.9.
v A graça salvadora nos capacita para toda boa obra  
Ø  Tito 2.14; 3.8, 14;  2 Pedro 1.3-11; Efésios 2.8-10.

O pecado separa o homem de Deus e traz condenação. Por causa do pecado, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso e foram condenados a morte. "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça" (Romanos 1.18). O pecado não ficará impune, pois a justiça prevalecerá sobre o pecado. Os dias do reinado do pecado estão contados, pois o Juízo Final se avizinha (2Pedro 3.7; Romanos 2.5; Judas 1.6 e Apocalipse 21.4). 

Por possuir uma natureza corrompida pelo pecado, o ser humano não consegue, por conta própria, obedecer plena e satisfatoriamente a todos os mandamentos de Deus (Romanos 3.10, 23). O melhor de nós não é suficiente, pois nossas boas obras são como trapos imundos diante da santidade divina (Isaías 64.6). Diante da contemplação da santidade gloriosa de Deus, Isaías exclamou: "Ai de mim" (Isaías 6.5); Semelhantemente, Pedro disse a Jesus: "retira-te de mim, porque sou pecador" e até mesmo aquele que o próprio Jesus considerou como o maior dos homens, João Batista, reconheceu a sua pequenez e insignificância diante do Cristo, dizendo "não sou digno de desatar as correias das suas sandálias" (João 1.27). E Jeremias afirmou que "as misericórdias do Senhor são a causa de não termos sido consumidos" (Lamentações 3.22).

Portanto, estando os homens incapazes de se salvarem da condenação eterna por estarem "mortos em seus delitos e pecados" (Efésios 2.1), e, sendo Deus, tanto justo quanto amoroso (Salmo 7.9), foi que ele decidiu enviar o seu Filho Unigênito para sofrer a condenação destinada aos pecadores (João 3.16), o justo morrendo no lugar dos injustos (Isaías 53; Romanos 3.26), como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Tudo isto para cumprir as reivindicações de sua justiça e também para manifestar o seu grande amor pela humanidade. 
Esta é a manifestação da graça salvadora de Deus a toda a humanidade (Tito 2.11). que, sem ela, estaria irremediavelmente condenada a perdição. Cristo morreu em favor de todas as pessoas e não apenas em favor de um grupo seleto (Tito 2.11; Hebreus 2.9 ). Seu perdão é extensivo a todos sem distinção, mas, para ser efetivo, precisa ser apropriado através da fé e do arrependimento. "E ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. (1 João 2:2). João inicia o seu registro do Evangelho declarando que a missão de João Batista era que "testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem" (João 1.7-9). O propósito é claro e não se trata da salvação de um grupo de escolhidos, mas tem por objetivo a salvação de todos os homens. A luz da graça salvadora brilhou a todos os homens! "O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou" (Mateus 4:16). Jesus é a luz dos homens (João 1.4). Ele é a luz do Mundo (Jo 8.12). Jesus não veio para julgar, mas para salvar o mundo que já estava condenado (João 3.17, 18) , mas "o julgamento é este, que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más" (João 3.19).

Deus deseja que todos os homens sejam salvos (1Timóteo 2.4). Por isto foi que "se manifestou a benignidade de Deus, nosso salvador e o seu amor para com todos" (Tito 3.4). Porque Deus não quer que nenhum ser humano sequer pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento, que é uma condição para o usufruto desta graça salvadora (2 Pedro 3.9). Como disse Jesus: "a vontade do meu pai é que todo o homem que vir o Filho e crer nele, tenha a vida eterna" (João 6.40). 

Por tudo isso é que sabemos que a salvação é alcançada através da fé em Cristo e não por méritos próprios. Mas esta fé é uma fé viva que opera através do amor. A salvação é uma obra regeneradora do Espírito Santo, através da qual somos "feitos" filhos de Deus e não apenas "denominados" filhos de Deus (João 1.12). Assim como os cristãos não apenas são chamados "santos", como também devem tornar-se santos como é santo o Pai celestial (1 Pedro 1.15, 16). Isto não é obra da carne, ou seja, isto não é produto do mero esforço humano, mas é a grande obra de Deus no coração do crente, que Cristo chama de "novo nascimento" (João 3.3-8). Paulo descreve a salvação não apenas em termos de uma obra de Deus em favor de nós, mas também dentro de nós; não apenas em termos de justificação, mas também de uma poderosa regeneração possibilitada pelo lavar regenerador e purificador do Espírito Santo (Tito 3.5). Cumprisse assim a promessa de Deus pronunciada pelo profeta Ezequiel: "E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus" (Ezequiel 11:19, 20).
Vemos aí, que, Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, apontava para a sua grande salvação que propiciaria um novo coração e um novo espírito para que seu povo fosse capaz de obedecer os seus mandamentos. Algo semelhante vemos Paulo falando aqui a Tito, mostrando que o propósito desta salvação é "remir-nos de toda iniquidade e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu zeloso de boas obras" (Tito 2.14).
Paulo conclui este parágrafo conclamando a Tito a pregar este ensino com toda coragem, repreendendo com toda a autoridade (Tito 2.15). Pois os que creem em Deus não podem ser infrutíferos (Tito 3.14), mas devem serem solícitos e distinguirem-se na prática das boas obras (Tito 3.8, 14). Somos salvos pela graça para as boas obras que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Efésios 2.8-10). O destino que Deus tem para o seu povo é que ele seja santo e irrepreensível (Tito 2.14; Efésios 1.4; 1 Tessalonicenses 4.3). Deus planejou que todos nós fôssemos conformes à imagem de seu Filho"(Romanos 8.29) e não conforme o mundo (Romanos 12.1,2). Pois os pervertidos é que vivem deliberadamente pecando (Tito 3.11), enquanto que os nascidos de Deus não vivem na prática do pecado (1 João 5.18). Nascemos de novo para viver conforme Jesus viveu e não mais de acordo com os padrões mundanos.
A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens a fim de remir-nos de toda iniquidade, capacitando-nos para sermos um povo zeloso de boas obras. Dize estas coisas, exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze. (Tito 2.11-15)


Bispo Ildo Mello