quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tristeza na Corea do Norte

Vejo com tristeza as lágrimas derramadas pelos cidadãos norte-coreanos pela morte do seu ditador. Segundo a imprensa ocidental, o tal era adorado como um semideus. Se isso for verdade, curiosamente, o comunismo recria um sistema que de tempos em tempos retorna à humanidade, qual seja, o da divinização de seus líderes.

Isso é curioso, pois o comunismo norte-coreano é declaradamente ateu. Entretanto, ao que parece, este sistema sempre acaba caindo no culto da personalidade de seus líderes, como algumas ditaduras de direita. É como se fosse cooptada a sede de absoluto do povo e canalizada para a pessoa do seu líder. Penso que posso identificar tal tendência com o que Tillich chamou de demônico, que seria atribuir aspectos absolutos a algo relativo. Acredito que a crença saudável em Deus eliminaria a crença na divindade do ser humano. Neste sentido, religião e ceticismo poderiam se dar as mãos. Certa vez, vi um documentário feito na Coréia do Norte, em que pessoas ficavam em um grande auditório e esperavam para serem operadas de cataratas. Após a operação, elas se ajoelhavam diante de um grande quadro do ditador, e o agradeciam como se fosse a uma divindade, jurando a ele lealdade. Não sei se o documentário é verdadeiro, mas era uma cena horrível de se ver.