quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Aceitando os próprios fracassos

Assisti, ontem, uma reportagem, na qual informava o alarmante número de japoneses que se suicidam todos os anos. O número chega a quase trinta mil. Estes dados, associados com o baixo número de novos nascimentos, e o aumento da idade dos cidadãos do Japão, contribuirá para que diminua consideravelmente a população japonesa.

Mas o que me chamou a atenção mesmo foi em relação ao número de suicídios. O repórter chamou a atenção para o fato de que ainda há uma forte cultura "samurai" naquele pais, que, em linhas gerais, significa dizer que a questão da honra pessoal é muito valorizada. Ou seja, quando algum jovem não consegue passar em uma boa universidade, um bom empregou, ou algo do tipo, fica um tanto quanto depressivo, sente que desonrou a família, e portanto, a vergonha é tanta que acaba se suicidando.

Bom. Sinceramente, desconheço se tal análise é verdadeira e suficiente para descrever o fenômeno japonês, mas vou partir do princípio de que seja verdade.

Se tais dados forem verdadeiros, isso significa que o povo japonês não tem em sua cultura, por assim dizer, um escape para lidar, cada um, com seus próprios fracassos. E isso, associado a uma religião milenar que ensina o povo que, depois da morte, o ser se une ao todo, prevalecendo a impessoalidade, religião essa que, ao contrário das religiões monoteístas que proibem o suicídio, acaba, talvez, retirando um possível freio à atitude suicida de algumas pessoas.

Daí, no meu entender, toda cultura que não admitir a possibilidade do fracasso, do erro, da desonra, pode gerar tal tipo de atitude destrutiva, que se não vier acompanhada do suicídio, poderá ser por outras atitudes, como o alcoolismo ou outros vícios. Não estou advogando a superioridade do monoteísmo à forma de crença japonesa, nem mesmo a da cultura ocidental à oriental, mas somente tentando meditar em um fato.

E o fato é que, penso que é salutar e desejável que todos nós saibamos admitir os nossos fracassos, as nossas derrotas, de que somos muitas vezes inadequados, e que erramos e que precisamos de perdão. Creio, neste sentido, que a religião cristã oferece mais consolo aos que se desesperam e se atiram nos braços de Cristo. Pessoas que tenham coragem de dizer: "miserável homem que sou! O bem que quero fazer, este não faço, mas o mal, este pratico!..." (Paulo) E o evangelho diz a estes de que serão e estão perdoados! De que são aceitos, ainda que tão imperfeitos e fracassados! De que o Pai tem especial apreço aos pequeninos desesperados, e que deseja que todos sejam salvos. Que Deus é amor e que nada pode separar seus filhos d'Ele.

Assumir o próprio fracasso, chorar, desabafar, mas tudo isso, nos braços consoladores do Pai e do Espírito Santo (que, segundo as Escrituras, é chamado também de consolador) é o primeiro passo para ser curado do desespero.