quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os "logismoi"

Logismoi são pensamentos, ou mais precisamente, paixões.

Os padres do deserto fizeram a experiência de si mesmos, e sistematizaram os logismoi, que podem ser traduzidos por paixões (pathos).

Daí, o exercício (ascese) do monge é chegar ao estado de apatheia, que não é necessariamente apatia, mas sim ausência de patologias. Patologias estas decorrentes das paixões. Em assim sucedendo, ele alcançaria a pureza de coração (puritas cordis).

Os oito pensamentos mais constantes catalogados pelos padres, e mais precisamente, por Evágrio Pôntico foram:

1) gula (gastrimargia)
2) luxúria (pornea)
3) cobiça (philarguria)
4) ira (orgè)
5) tristeza, depressão (lupè)
6) acidía (acedia)
7) vaidade (kenodoxia)
8) orgulho (uperephania)

Através da pratike o monge buscava se purificar destes pensamentos, ou logismoi.

Esta sistematização foi feita no Oriente cristão, sendo que tais pecados eram, na verdade, expressão da  patologia da alma. A pessoa comete estes atos porque, na verdade, estão doentes. Daí, precisam de cura (therapia). Ajudava neste processo, um mentor espiritual, o abba (pai). Não era visto tanto do ponto de vista jurídico, como posteriormente ocorreu no Ocidente (por aqui, se tornaram os sete pecados capitais).

Todos aqueles logismoi devem se tornar:

1) moderação
2) amor casto
3) generosidade
4) delicadeza
5) alegria
6) consciência espiritual (fervor)
7) magnanimidade
8) humildade

A finalidade deste processo é a theosis, ou seja, a divinização. É a ideia de que, o ser humano se torna co-participante da natureza divina, ou seja, deus por participação. Há uma famosa frase de Atanásio que dizia que Deus havia se tornado homem para o que homem possa se tornar deus (sempre por participação).