sexta-feira, 19 de maio de 2017

Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor

“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor, pois Ele que opera em vós tanto o querer quanto o efetuar” (Paulo aos filipenses).

Não é incomum nós atribuirmos a Deus aquilo que Ele pede de nós. Constantemente já me deparei com pessoas dizendo em oração: “Senhor, transforma a minha vida!”. “Senhor, muda minha mente!”, e coisas do tipo.

Jamais condenaria orações desse tipo. Muito pelo contrário. É bom ter em nós esse desejo de sermos sempre transformados pelo Senhor.

Entretanto, pela leitura desse texto e de outros paralelos, podemos perceber que o Senhor determina que nós mesmos desenvolvamos a nossa salvação. Ou seja, é uma responsabilidade nossa.

O Senhor já nos deu os meios para tanto, pois, conforme o texto continua, é Ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar.

Segundo meu entendimento desse texto, é que Deus já disponibilizou o desejo e a força necessária para que possamos desenvolver a nossa salvação.

E o que significa tal desenvolvimento? Significa sermos mais salvos amanhã do que somos hoje?

Creio que não.

Significa crescermos nos meios de graça que o Senhor disponibilizou para todos nós.

Geralmente, pensamos em salvação somente em livrar a alma do inferno e ir para o céu.
Embora não haja necessidade de abdicar totalmente desse conceito, a ideia de salvação para os antigos estava ligada ao fato de nos tornarmos mais parecidos com Cristo. Mais divinizados, por assim dizer.

Ou seja, nesta questão então é sempre possível desenvolver ainda mais.

Penso também que é nesse sentido que vai o pensamento de Paulo, ou seja, de desenvolvermos ainda mais nos meios de graça que ele nos concedeu. Crescer na intimidade com Deus, em santidade, em amor para com o próximo, em conhecimento da Palavra, entre outras coisas.

Como efetuamos então o nosso desenvolvimento na salvação? Acredito que nos exercitando nos meios de graça[1].

Devemos crescer em oração, na comunhão com os irmãos, no estudo da Palavra de Deus, e também no exercício da caridade. São formas, penso eu, de desenvolvermos a nossa salvação, sempre cientes de que toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, e que é sempre de Deus a iniciativa em nos animar a realizar boas obras.





[1] Formas pelas quais o Senhor Deus nos comunica sua graça.
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