quinta-feira, 11 de maio de 2017

Luzeiros no mundo

“... entre os quais resplandeceis como luzeiros no mundo” (Filipenses 2.15)


No segundo capítulo de sua epístola aos filipenses, Paulo parece tratar de alguns problemas que ocorriam naquela igreja por ele mesmo fundada. O apóstolo os exortou a considerarem cada qual o outro superior a si próprio e buscarem sempre os interesses recíprocos, mencionando como exemplo a própria auto humilhação do Senhor Jesus, que deixando sua glória, encarnou-se, vivendo vida de servo e morrendo morte de cruz, sendo por isso exaltado pelo Pai. As exortações práticas continuam, até que Paulo diz aos seus leitores que, em meio a uma  geração corrupta e perversa, aqueles que levam o nome de Cristo a sério deveriam resplandecer como astros, ou como luzeiros no mundo.

Ao me deparar com um texto como esse, fico com a sensação de que nós, os cristãos, de modo geral, não sabemos muito bem o que devemos ser. Ser luzeiros significa ser como estrelas brilhando no céu. Isso me parece significar que alguém que se diz cristão deveria ter um comportamento muitíssimo além daqueles que vivem “segundo o curso deste mundo”. Algo que deve servir de exemplo para todos.

Alguém poderia alegar que na época de Paulo isso era especialmente verdade pelo fato daquela ser uma cultura verdadeiramente corrompida, com barbaridades sem fim, prostituição cultual, escravidão, em uma sociedade que não reconhecia os mais básicos direitos humanos, sociais e individuais de cada qual. Entretanto, agora, dizem, somos uma sociedade cristianizada, civilizada, e melhoramos um pouco nestes dois mil anos, de modo que todos nós, em menor ou maior medida, já espelhamos, ainda que culturalmente, um pouco da luz do evangelho.

Talvez haja alguma verdade em tal raciocínio, mas ainda assim, para mim, não responde o anseio por mais. Mesmo em meio a uma cultura cristianizada, podemos ser mais. Podemos ser mais bondosos. Podemos ser mais despojados. Podemos servir mais os necessitados. Podemos ser mais caridosos em nossos ambientes de trabalho. Ouvir mais o nosso próximo. Sermos menos egoístas, menos centrados em nós mesmos. É duro ter a sensação de que a sociedade olha para o corpo geral dos evangélicos, e não nos veem necessariamente como pessoas melhores, mas como chatos, fanáticos, e hoje até mesmo desonestos e ansiosos pelo poder.

Vejam bem: Paulo diz “como astros no mundo”. Me lembro de Crisóstomo, de Francisco, de Wesley, de Booth, Bonhoeffer, Luther King, Schweitzer, entre tantos outros. Pessoas que fizeram tanto em seu tempo, em sua própria cultura. Deveríamos ser calmos, atenciosos. As pessoas deveriam ter certeza da bondade do corpo de fiéis. Sermos realmente mais parecidos com ovelhas, mansos, acolhedores, santos.

Que possamos ansiar isso. Agonizar por isso. Desejar isso. Não para jogar na cara de ninguém que somos melhores (até porque realmente não somos); mas para consumar o desejo do Senhor pela sua igreja, afinal, somos o seu Corpo. Senão, para que serviremos se nossa luz não brilhar?

Se estamos longe de tal padrão, que possamos nos arrepender e clamar ao Senhor.