quinta-feira, 7 de setembro de 2017

...e o "ruah" de Deus pairava sobre a face das águas...

No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava sem forma e vazia, e as trevas cobriam o abismo, e um “ruah” de Deus pairava sobre a superfície das águas. (Gênesis 1,1-2).


As Escrituras dizem que no início a terra era sem forma e vazia, e que as trevas cobriam o abismo. Entretanto, em meio a essa "desconstrução" pairava o Espírito de Deus, que, juntamente ao Pai e o Filho, a tudo deram forma, e, onde havia aparente desordem e caos, veio a existir a vida, a ordem, o sentido.

Assim também, muitos têm a consciência de que foram criados por Deus, são “terra” de Deus, mas se encontram, em certo sentido, “sem forma” e “vazios”, vivendo dia a dia de suas vidas, de forma mecânica e nada frutífera. Se sentem como "galhos secos de uma árvore qualquer". As trevas parecem cobrir a face do abismo de suas almas, em uma vida sem muito sentido, sem muita beleza, sem muito ânimo.

Mas o fato é que, o “ruah” de Deus, o “vento”, ou o Espírito do “Senhor” se encontra sobre a face de nossas agitadas águas. E assim como este Espírito, entendemos nós, ordenou a existência de um modo tal que cada qual, ocupando o seu legítimo espaço, coopera para o bem do todo, assim também este mesmo Espírito, que paira sobre as faces de nossas agitadas almas pode ordenar as nossas vidas de um modo tal que tudo possa voltar a  fazer sentido.

Entretanto, para que tal ocorra precisamos desejar o “ruah” de Deus, o “vento” de Deus soprar sobre nós, e, impregnados deste Espírito de Cristo, sentir os leves impulsos da alma nos direcionar para onde bem entender. Ora, quem é de Cristo tem a mente de Cristo, e os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus (Paulo aos romanos). E é sentindo este leve toque do sopro divino que vamos construindo as fases de nossa existência, primeiro ordenando as águas, depois, plantando as sementes para que deem os seus devidos frutos, para que ao final, tudo seja um belo jardim.

Isto feito, assim como o anjo ficou às portas do Éden para protegê-lo, assim também nós devemos tomar conta e cultivar este nosso jardim, e protegê-los dos inimigos que tencionam quebrar toda a harmonia, afinal, como disse o sábio, devemos “guardar os nossos corações porque dele procedem as fontes para toda a vida”. Assim também, devemos proteger os nossos corações, e o não permitir que o “ruah” de Deus em nós deixe de soprar e exercer a sua influência, ou, em outra metáfora utilizada pelo bem aventurado apóstolo, não devemos deixar “apagar em nós o Espírito”.

Que o Senhor possa nos abençoar todos os dias, e que todos nós possamos aprender, a cada dia, a permitir que o “ruah” de Deus possa frutificar em nossas vidas, para que possamos dar muitos frutos para a glória de Deus Pai.

Pixabay