domingo, 11 de novembro de 2007

...e o "ruah" de Deus pairava sobre a face das águas...

Por Carlos Seino


No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava sem forma e vazia, e as trevas cobriam o abismo, e um “ruah” de Deus pairava sobre a superfície das águas. (Gênesis 1,1-2).



Lendo este texto, não pude deixar de lembrar um pouco de minha história, o quanto parecia estar sem forma e vazia antes de ter aquilo que considero a experiência de Cristo em minha vida. Não que não houvesse alegria, não que não existissem objetivos e amigos. Mas o fato é que depois da dita experiência tudo passou a ter muito mais alegria, muito mais sabor, e muito mais sentido.

Assim também, muitos têm a consciência de que foram criados por Deus, são “terra” de Deus, mas se encontram, em certo sentido, “sem forma” e “vazios”, vivendo dia a dia de suas vidas, de forma mecânica e nada frutífera. Se sentem como galhos secos de uma árvore qualquer. As trevas parecem cobrir a face do abismo de suas almas, em uma vida sem muito sentido, sem muita beleza.

Mas o fato é que, o “ruah” de Deus, o “vento” de Deus, ou o Espírito do “Senhor” se encontra sobre a face de nossas agitadas águas. E assim como este Espírito, entendemos nós, ordenou a existência de um modo tal que cada qual, ocupando o seu legítimo espaço, coopera para o bem do todo, assim também este mesmo Espírito, que paira sobre as faces de nossas agitadas almas pode ordenar as nossas vidas de um modo tal que tudo em nossas vidas possa ser ordenado, possa fazer sentido.

Entretanto, para que tal ocorra precisamos sentir o “ruah” de Deus, o “vento” de Deus soprar sobre nós, e, impregnados deste Espírito de Cristo, sentir os leves impulsos da alma nos direcionar para onde bem entender. Ora, quem é de Cristo tem a mente de Cristo, e os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus. E é sentindo este leve toque do sopro divino que vamos construindo as fases de nossa existência, primeiro ordenando as águas, depois, plantando as sementes para que dêem os seus devidos frutos, para que ao final, tudo seja um belo jardim.

Isto feito, assim como o anjo ficou às portas do Éden para protegê-lo, assim também nós devemos tomar conta e cultivar este nosso jardim, e protegê-los dos inimigos que tencionam quebrar toda a harmonia, afinal, como disse o sábio, devemos “guardar os nossos corações porque dele procedem as fontes para toda a vida”. Assim também, devemos proteger os nossos corações, e o não permitir que o “ruah” de Deus em nós deixe de soprar e exercer a sua influência, ou, em outra metáfora utilizada pelo bem aventurado apóstolo, não devemos deixar “apagar em nós o Espírito”.



Que o Senhor possa nos abençoar todos os dias, e que todos nós possamos aprender, a cada dia, a permitir que o “ruah” de Deus possa frutificar em nossas vidas, para que possamos dar muitos frutos para a glória de Deus Pai.