quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ditadura do humanismo

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria


A saudosa Idade Média, poderia muito bem ser chamada a era do discernimento. Naqueles tempos a razão era aplicada no entendimento do relacionamento com DEUS e no relacionamento entre os homens. Ninguém dava uma razão por verdadeira após experimentá-la, mas sim após julgamento e concordância com os princípios cristãos que regiam a sociedade.

A história registrou muitos desses discernimentos feitos em busca das razões verdadeiras. O que conferiu aos Santos medievais, a capacidade de desenvolver ao máximo a arte do debate. As "Quaestiones Disputatio" e as "Quaestiones Quodlibetas", por exemplo, demonstram que o método medieval, era qualificativo. Ninguém melhor do que o homem medieval procurou conhecer a si mesmo e ninguém melhor do que ele, foi capaz de conhecer a si mesmo. Conhecimento bem expresso por Santa Catarina de Sena, que nos definiu como realmente somos, ao dizer; "Eu sou aquela que não é".

O tempo dos Reis, dos Nobres, Heróis e dos Santos, tinha-se uma verdade que uniu todo Ocidente, este tempo deixou saudades. Nosso tempo, é agnóstico, a chamada era da razão, o verdadeiro Império do Relativismo. Onde o homem transformou-se na medida de todas as coisas, das que são e das que não são. Determinando na maioria das vezes a verdade de forma quantitativa, o método moderno, tomado em si mesmo, excluí o discernimento do processo de determinação da veracidade ou da falsidade de uma razão. Assim, toda razão será determinada verdadeira pela ciência instrumental, no sentimento produzido por uma experiência gerada pela adesão ao instinto e pela maioria.

O discernimento aparecerá apenas no julgamento da licitude ou da ilicitude do ato gerado pela razão guiada pelo instinto. Desta maneira, o Império Relativista, é uma verdadeira ditadura humanista que encontrará a sua razão de ser, no "triunvirato"; liberdade absoluta, igualdade absoluta e fraternidade absoluta.

Um bom exemplo é o aborto, hoje amplamente debatido e com perpectivas de plebiscito em nosso país. O homem moderno, pretende determinar até mesmo a medida de quando a vida se inicia pretendo matar embriões e fetos, que são efeitos que tem uma causa: a relação sexual.

Racionalmente a causa da relação é a geração de uma nova vida. O efeito desta relação é o prazer proporcionado pela consumação do amor e pela esperança da geração de uma nova vida, isso deveria ocorrer no casamento. Instintivamente as relações de causa e efeito são completamente inversas, chegando-se a negar a comprovação científica de que o efeito é menor que a causa. Movida pelo instinto a causa da relação, passa a ser o prazer do ato em si. O efeito da relação em alguns casos passa a ser a aquisição de doenças ou a geração de filhos.

Digamos que na era da razão o amor é fabricado, isto que significa fazer amor hoje em dia; produzir para ser consumido no própio ato sexual. Daí quando surge a vida neste ato moderno de "amor", ela é indesejada. Neste ponto, a razão que estava ausente quando se decidiu pela realização do ato, aparece com toda sua força. Não para saborear o fruto da realização do amor, mas para extirpá-lo como fruto de uma relação irracional que foi movida pelo instinto. Desta maneira, não se faz uso da razão para se conter a causa, mas tenta se fazer para conter o efeito que é maior do que a causa, o que de per si demonstra que tal contenção é ilicíta.

Temos então que as razões alegadas para a realização do aborto são falsas, mas a questão não se encerra em apenas determinar que a razão é falsa. Tem-se justamente o que foi argumentado acima; O juízo sobre o uso de uma razão, mesmo sendo falsa ela é dada por verdadeira por muitas pessoas. Logo deve se decidir, se tal uso é licíto ou ilicíto. Neste ponto, temos a produção de uma falsa teoria através da práxis, que demonstra na prática a pretensão do homem de ser a medida das coisas que são e não são. Esta é a razão que explica a licitude do aborto em muitos países e em nosso país pretender-se a sua liberalização, através de plebiscito.

Nisto demonstra-se que na modernidade, a veracidade de uma razão individualmente é determinada pelo instinto que a qualifica e coletivamente ela é determinada de forma quantitativa. No Plebiscito o que se tem normalmente é a soma das qualificações instintivas. Na era da razão, só em tribunais de justiça tem se o discerimento de uma razão falsa e de uma razão verdadeira. Mesmo assim tal discernimento é precário uma vez que também é determinado instintivamente pelo júri, que sente antes de julgar.

A Idade Média, em matéria de razão, é uma idade de luz. Nela discernia-se a razão verdadeira da razão falsa pelo uso do discernimento. A modernidade professa fé na evolução, quem sabe ela não evolua para uma era de discernimento e deixe de lado essa ditadura do humanismo. Mas primeiro ele terá que discernir deste delírio qual é a medida das coisas que são e não são; O homem ou a matéria (proposta pela teoria da evolução). Quem viver verá!