domingo, 6 de julho de 2008

Faze calar o ruído das lembranças

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Não evoques, não reavives as más lembranças, nem uma sequer. O mal lastimado foi perdoado. A generosidade do amor presente repara o passado. Esquece os dados concretos. Basta conservar-se diante de Deus, pecador, beneficiário de sua infinita misericórdia. O mal é um "nada": de que serve lembrar-se dele? Pensa unicamente na graça que te salvou; em seu eterno jorrar. Deus tudo destruiu. Não coleciona os "nadas". Conserva para ele um coração filialmente contrito, sereno e terno: é isto a compunção.
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Não evoques, não reavives nenhuma lembrança profana: nem o que foste, nem o que fizeste, nem o que deixaste no mundo. Confia a Deus os teus queridos, parentes e amigos.
Não são também filhos e filhas caros a Deus? Há de esquecê-los por que por amor dele, te exilaste de seus braços?...
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As lembranças do passado, deliberadamente entretidas são fontes de vaidade, de remorsos ou de inquietação. Saborerar em espírito os prazeres humanos de outrora é sensualidade e busca de si; é preferir uma nuvem, um sonho, à alegria substancial presente e desconhecida.
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Só há uma felicidade que conta: Deus! As alegrias temporais só valem pelo amor que as geraram.
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A caridade que nos vivifica é a causa única das nosas alegrias.
Deixa fugir e apagar-se estas inúteis lembranças. Elas te distraem, atrasam e te apegam ao que é perecível e arrefecem os teus desejos do eterno. Como São Paulo , olha não o que ficou para trás, mas o que está pela frente: Jesus Cristo.
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(trecho retirado da obra "As portas do Silêncio", escrito por um Monge, Editora Paulinas).