quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Há algo de profundamente anti-cristão em nossa democracia

Penso que há algo de profundamente anti-cristão em nossa democracia.

Isto porque, verificamos que, no cristianismo, a primeira bem aventurança é a humildade, e uma das características básicas desta é justamente não nos reconhecermos como alguém mais digno do que outros; ou nem mesmo nos consideramos melhores do que ninguém.

Mas não é justamente a isso que impele o nosso atual sistema democrático? É um tal de eu, eu, eu, eu... Eu sou o melhor, eu fiz mais, eu sou o mais indicado... E sucessivamente se diminui o outro, criticando-o, etc, etc.

Isso é só um pequeno exemplo, mas as vezes me pergunto: será que há um modo cristão de se fazer política?

Em pequenos grupos, naquilo que Sartori chama de democracia social, vemos um pouco do que seria uma democracia política ideal. As vezes, em nossas comunidades escolares, eclesiásticas, etc, escolhemos pessoas pela sua sabedoria, pela sua coerência, experiência, sem que tais pessoas se candidatassem a nada (muitas vezes, sequer se consideram dignas para o cargo). Sei que isso é uma forma idealizada de se pensar, mas não custa sonhar com um sistema mais ético e mais condizente com o próprio ideal de democracia.

Talvez, se a discussão fosse somente sobre projetos e idéias, já avançaríamos um pouco. Cada candidato, talvez, devesse ter um prazo para apresentar diante de um órgão oficial, sua lista de propostas, e, todas as dicussões posteriores, antes das eleições, fossem basicamente sobre as propostas apresentadas. Assim, com tais propostas nas mãos, a sociedade poderia avaliar com mais objetividade o que pensa cada candidato sobre determinado assunto, não permitindo que candidatos ficassem renovando argumentos e mais argumentos no decorrer do processo eleitoral. Penso que isso poderia ser até mesmo um tiro no pé do marketing, que, conforme sabemos, tem ajudado a decidir tantas eleições. Discussão de propostas objetivamente falando e ponto final. Quanto mais personalista, subjetiva uma campanha, mais prejudicada, fica, a meu ver, a própria democracia.