sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Renúncia




Há uma doce teologia do coração que só se aprende na escola da renúncia (A. W. Tozer)

Isto parece ir completamente de encontro com aquilo que costumamos chamar de teologia da prosperidade. Não é que os teólogos da prosperidade e seus pastores necessariamente tenham aberto mão de boa parte da tradicional e rígida ética protestante. Não é nada disso, se bem que tal possa ocorrer, simplesmente por tal ética sequer ser mencionada. O preocupante nesta teologia é que ela parece despertar aquela conhecida ganância humana por prosperidade e riquezas; e isto é perigoso, na medida que o próprio Senhor nos ensinou que um rico dificilmente entrará no Reino dos céus, e que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Claro que muitos, para se desculparem, dizem que não é o dinheiro o problema, mas sim o amor a ele, não importando quanto se tenha. Não obstante eu não advogar a teologia da pobreza e da miséria, fato é que, se eu tiver um montão de dinheiro, é muitíssimo provável que eu o ame. Assim como se eu tivesse uma coleção de selos, fosse bem provável que eu amasse selos, ou filmes de ação, ou carros, e assim por diante. Portanto, esta teologia pode estar trazendo algo de muito perverso para dentro do contexto cristão; e como isto está na moda, prezados amigos.

Entretanto, não acho que uma "teologia marxista" também resolva o problema. De algum modo, entendo que tal teologia, de algum modo não muito fácil de se explicar em pouco espaço, acaba por "antropocentrizar" muito a fé cristã, o que acaba sendo uma forma de afirmar a si mesmo, não sendo um caminho de renúncia. Agora, é claro que, em seu aspecto utópico, talvez acabe por ser muito atrativa a fé cristã, o que talvez a torne um tanto quanto perigosa.

Podem me chamar de liberal, capitalista, protestante fundamentalista, mas ainda acho que o caminho mais viável é a da auto-reforma, do auto-esclarecimento pessoal, e, portanto, da auto-renúncia, que, sinceramente, penso ser a mensagem do cristianismo. Ninguém reforma o outro. Somente nos reformamos a nós mesmos, influenciados por pessoas que se auto-reformaram. Obviamente, não por si mesmas, por influxo da graça divina em cooperação com o esforço humano. Ninguém consegue, nem deve quebrar os ídolos de ninguém. Cada qual deve quebrar os seus ídolos com suas próprias mãos.

E renunciar vai muito além de cumprir os aspectos morais da lei, os mandamentos, a lei moral de Deus. Isto é somente a nossa obrigação, pois tais coisas estão, de certa forma, em conformidade com a razão de qualquer ser humano racional, sendo chamados por muitos de direito natural. Não. A renúncia pode envolver aspectos até razoáveis, justificáveis e legítimos de nossas vidas. Mas se renunciamos, é para estarmos mais próximos de Cristo, pois, onde está o mestre, ali deverão estar os seus discípulos.