sexta-feira, 27 de março de 2009

Poesias de Fernando Pessoa e a Mensagem de Cristo

Poesias de Fernando Pessoa e a Mensagem de Cristo


Fernando Pessoa foi um idealista. Embora seus ideais de vida sejam nacionalistas e não tenham, aparentemente, nada a ver com o Evangelho, ele parece ter bebido da fonte de inspiração cristã para compor alguns de seus mais belos poemas. Só como exemplo, observe as semelhanças existentes entre as frases de Jesus registradas em Marcos 8:34-37 e alguns versos deste admirável poeta.


Jesus, dirigindo-se aos que queriam segui-lo, deixou claro que o sacrifício não seria pouco: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34), pois a vida plena e verdadeira só pode ser encontrada através da renúncia da vida mesquinha e rasteira. E Pessoa diz algo semelhante nos célebres versos do poema “Navegar é preciso”:


... Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande,

Ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;

Ainda que para isso tenha de a perder como minha...



Jesus desafia seus discípulos a tomarem suas cruzes para segui-lo. Pessoa também fala sobre o doloroso martírio: "ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo". E não para por aí na descrição do alto custo implícito na frase “Navegar é preciso”:


MAR PORTUGUÊS


...Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor...


Fernando Pessoa sabe que tamanho sacrifício parece loucura aos olhos de muitos, por isto escreve:


QUINTA / D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

Louco, sim, louco, porque quis grandeza

Qual a Sorte a não dá.

Não coube em mim minha certeza;

Por isso onde o areal está

Ficou meu ser que houve, não o que há.


Minha loucura, outros que me a tomem

Com o que nela ia.

Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?

Muitos consideraram loucura a atitude dos discípulos de abandonarem tudo para seguir a Jesus. A cruz sempre foi “escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Co 1.23). Uma alma pequena não está disposta a pagar o preço. Ela pensa que seria um desperdício e que não valeria a pena correr o risco, pois para ela o que conta mesmo é aquela máxima: “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. No entanto, o que se acovarda, jogando na retranca em defesa de sua vida, acaba, de fato, perdendo-a, por viver muito aquém do seu potencial, ao ponto de merecer ser descrito como “cadáver adiado que procria”. Portanto, navegar é preciso em busca do seu grande ideal, meramente viver não é preciso!vocação do homem vai além da mera existência, pois ele é muito “mais que a besta sadia”!


Jesus também diz que o sacrifício é algo que "vale a pena", mas não por causa das conquistas e glórias do Reino de Portugal, "pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8.36). Para Cristo, a renúncia e o sacrifício valem a pena, por uma causa de um Reino e uma glória muito superiores, cujos dividendos ultrapassam os limites da morte, estendendo-se pela eternidade a fora: "quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salva-la-á". (Mc 8:35).

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

http://escatologiacrista.blogspot.com

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