terça-feira, 12 de maio de 2009

Da infabilidade das Escrituras








Em que sentido as Escrituras são infalíveis?

São infalíveis enquanto o meio adequado para a revelação de Cristo ao mundo.

Ou seja, são o sacramento da presença de Cristo em meio a humanidade.

Não são livros de ciência, geografia, geologia, biologia, administração, direito, etc....

De qualquer modo, a palavra de Deus é infalível no sentido em que revela a única Palavra, esta realmente infalível, qual seja, o Verbo que se fez carne e entre nós habitou.

Há dois tipos de infabilidade...

Uma infabilidade de conteúdo...

E uma infabilidade formal...

Chamo de infabilidade formal a lista que compõem os livros das Escrituras.

Se consideramos infalível a lista de livros...

Acabamos por considerar infalíveis os que reconheceram e recomendaram tal lista...

Santo Atanásio, talvez... O Concílio de Cartago, talvez...

E, tão logo fazemos isso, deixamos de ser protestantes, e nos tornamos bons católicos romanos, ou ortoxos...

Daí, Lutero, por exemplo, jamais preconizara um princípio fundamentalista das Escrituras...

Até chegou a propor a retirada de alguns livros do cânon ...

Mas se aplicarmos literalmente todos os qualificativos para Deus sobre um livro, não cometemos um ato de idolatria?

Bibliolatria?

Por isso, em verdade vos digo: não é possível ser protestante e sustentar um princípio de infabilidade formal das Escrituras, mas sim de infabilidade sacramental...

Sacramental no sentido de revelar Cristo aos homens, bem como sua santa palavra e vontade...

Sacramental no sentido de ser o meio natural pelo qual a graça sobrenatura de Deus se revele ao mundo...

Ai sim, passamos a entender o que quer dizer "Sola Scriptura"...

"Sola" no sentido de que, somente ela nos indica quem é o verdadeiro Salvador do mundo, e o caminho para alcançá-lo, qual seja, a fé!

"Sola Fides"

E aí sim, uma vez alcançado, procuraremos imitar suas obras, pois a fé sem obras, é morta.

Mas a fé em quem?

Só N'Ele.

"Solus Christus".

É esta radical dependência dele, sem depender de um conceito dogmático das Escrituras que caracteriza uma fé, que "tem certeza das coisas que se esperam, e convicção de fatos que não se vêem" (Hb 11.1).