segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cristianismo e poder

É bastante difícil saber, ou entender, quando o cristianismo, de fato, passa a divinizar a ordem política existente; ser amigo do mundo, sacralizar a ordem, etc.
Costumeiramente, ao que tudo indica, tal coisa deve ter se dado mesmo a partir de Constantino.

De lá pra cá, todas as ditas "ortoxias" parecem ter ficado sempre ao lado do poder. A ortodoxia (seja qual for, seja protestante, católica, judaica ou islâmica) parece gostar do poder.

Desde então, ao que parece, tem havido pelo menos duas concepções no que tange a relação dos cristãos com o mundo.

Uma que sacraliza métodos de coerção para fazer valer sua forma de pensar, através do braço do Estado; e outra que abomina o braço do Estado para tal fim. Entre tais, há visões intermediárias.

Sou da opinião que, quando a igreja utiliza da força para fazer valer seus dogmas, se coloca ao lado dos que crucificaram Cristo.

Este, jamais se impôs pela força das armas; nem seus santos apóstolos.
Portanto, quando cristãos matam, trucidam, mutilam, etc, de fato, demonstram que fazem parte na verdade de uma sociedade nominalmente cristã, mas que não são cristãos de fato, conforme asseveou Bonhoeffer acerca da Alemanha Luterana durante o nazismo. É bem possível que os Testemunhas de Jeová tenham sido muito mais cristãos naqueles tristes tempos.

Tolstoi advogou que os cristãos, de modo algum, poderiam pegar em armas. João Crisóstomo, em alguns casos. Entre uma solução radical, e outra moderada, há uma série de questões bastante difíceis de avalir, mesmo quando analisamos como historiadores. Quanto mais, quando vivemos tal situação (até mesmo porque, quando estamos nela, não temos sempre todas as informações necessárias para um reto parecer).

Que as lições do passado possam nos ensinar a discernir com mais clareza novas situações que se nos apresentarem.


Por Carlos Seino
http://blogdoseino.blogspot.com/