quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Capitalismos e socialismos...

Particularmente, não penso que demonizar o capitalismo e santificar o comunismo resolva o problema da injustiça no mundo.

Pensar apaixonadamente sobre este assunto não resolve o problema.

Chega a ser um pouco maniqueísta, data vênia.

Quando Jesus pregou sobre o amor ao dinheiro, o fez quando o sistema econômico não era capitalista.

Daí, amor ao dinheiro, ao poder, à exploração, está no homem desde sempre.

E esteve também entre as lideranças comunistas deste mundo.

Portanto, não importa qual o sistema econômico vigente, o problema está na ambição existente no próprio coração do homem, a quem nosso Senhor sempre se dirigiu para que se convertesse.

O comunismo, enquanto sistema econômico mostrou-se totalmente ineficaz, e caiu pela sua própria ineficiência.

Hoje, as maiores potências comunistas, acabaram abrindo seus mercados, não obstante o fechamento político.

Precisam levantar muros em torno de suas ilhas capitalistas, caso contrário a multidão de miseráveis do continente acabariam inundando tais lugares de pessoas.

Nem os pobres de tais países acreditam no sistema comunista.

Enquanto sistema de governo, o comunismo mostrou-se monstruoso, mais intolerante e violento do que o sistema que visava combater.

Alguns de seus líderes viveram como reis na terra.

Assim como o apocalipsismo tenha sido uma tendência do ressentimento judaico contra Roma, talvez o comunismo seja o ressentimento dos intelectuais contra um sistema que dizem odiar (entretanto, Roma caiu... e a URSS também...)

E digo isso, sem nenhuma glorificação do capitalismo em si.

A propriedade privada e a livre iniciativa, que são características próprias de uma economia de mercado, não são ruins em si mesmas, e, penso, nem proibidas pela Escritura.

O abuso delas é que o são. Daí, sempre a necessidade de uma potencialidade interventiva do Estado.

Parece-me que a radical planificação da economia, própria dos regimes comunistas, é que se mostrou bastante ineficaz.

Detestaria um estado que me dissesse o que eu devo fazer, onde devo trabalhar, etc.

O comunismo quis a divisão dos bens, a solidariedade, a união de todos os povos.

Ocorre que falhou miseravelmente na promoção de tais objetivos.

É ingênuo pensar que dez, vinte ou cinqüenta anos de ditadura do proletariado tornariam o ser humano mais caridoso, mais justo, menos egoísta.

Somente o evangelho pode transformar o homem.

Se os homens vão dividir seus bens, o farão por amor, por resposta ao evangelho; não por um sistema econômico autoritário (e, se assim o for, isto bem algum trará para as almas de tais homens).

O socialismo, enquanto utopia da bondade, do amor, da fraternidade, da compreensão, é totalmente de acordo com o espírito do evangelho.

Daí, eu ser totalmente favorável ao socialismo utópico.

Mas o socialismo, enquanto sistema econômico e político real, conforme o que vimos pela história, este, no meu sentir, é incompatível com o evangelho.