quarta-feira, 18 de novembro de 2009

... eles nem sabiam que seriam salvos...

...E MUITOS QUE SEQUER

DESCONFIAVAM QUE ENTRARIAM...
ENTRARAM!




"vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mateus)


A lógica do Reino demonstrada no Evangelho de Mateus nos surpreende.

Muitos dos que pensavam, ou que tinham quase certeza de que entrariam no Reino, ficaram de fora.

E outros, que talvez sequer sabiam que existia um reino para se entrar, foram salvos.

Uns tinham certeza que estavam realizando uma obra para o reino:

"Em teu nome expulsamos demônios, profetizamos, etc..."

Mas estavam enganados, pois não entraram.

E outros, sequer sabiam que estavam realizando uma obra "religiosa".

"E quando foi que te vimos com fome, e te demos de comer?"

Eles estavam servindo ao Cristo, e sequer sabiam.

Nem tudo é o que parece, no reino. E talvez, nada seja o que realmente parece.

Ao que parece, expulsar demônios, profetizar e realizar muitos milagres não impressiona Deus.

O que parece 'impressionar' Deus é a bondade, o amor.

No radical ministério de alguns de identificação com o sofredor, Cristo foi servido.

Cristo, na face de milhares de anônimos, milhares de necessitados, milhares de marginalizados, servido por aqueles que tiveram compaixão e misericórdia.

Não estamos preparados para a concepção de que, diante do pobre, do miserável, do nu, do encarcerado, poderemos estar, na verdade, diante do Cristo.

Muitos teólogos protestantes entendem que a referida passagem, de Mateus 25.31-46 diz respeito somente à salvação dos gentios, dos incrédulos, ou seja, daqueles que nunca ouviram o evangelho.

O critério de salvação para o crente seria o ouvir com fé.

O daqueles, as boas obras.

Entretanto, ao adotarmos tal ponto de vista, estaremos consciente, ou inconscientemente entendendo que, basta se converter, crer em Jesus, que, automaticamente, se está salvo, independentemente das boas obras.

E assim, o crente não se sente obrigado a alimentar o faminto, nem a vestir o nu.

Não seria por isso que a obra social é tão pouco praticada pelos evangélicos modernos?

Mas não seria um absurdo entendermos que, justamente aqueles que se dizem seguidores do Cristo não estarem comprometidos com as obras de misericórdia?

Além do que, não parece haver nada no texto em si que diga que tal julgamento está restrito somente aos ditos gentios, ou incrédulos.

Na dúvida, é melhor não vacilar.

De qualquer modo, é espantoso que, estes, os que entraram no reino, não pareciam demonstrar nenhum conhecimento da boa obra que realizavam.

"Quando foi que te vimos nu?"

"Quando vestistes um destes pequeninos, a mim o fizestes".

Era gente que estava fazendo o bem, e não esperava recompensa. Gente que sequer sabia que seus bons atos estavam repercutindo para a vida eterna.

Teremos nós, condição de recuperarmos tamanha e santa inocência?

Porque aqueles, aqueles, que sequer sabiam que faziam uma obra eterna, e que talvez nada sabiam do céu, nem do Cristo, nem de outra coisa qualquer, entraram.

E cabe lembrar, que muitos estarão diante da chance de fazerem algo pelo Cristo, mas também não saberão, que, ao recusar a caridade a muitos, estavam recusando-a, na verdade, ao próprio Deus.