quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nós não temos papa?... ou temos?

Uma das grandes discussões teológicas entre todas as igrejas cristãs é o papel em que o sucessor de Pedro na cadeira de Roma tem para com todas as Igrejas ditas cristãs.

Ortodoxos e anglicanos entendem que o sacerdote romano tem a primazia de honra; os protestantes, nem de honra, nem de nada, chegando alguns até a entender que lá está sentando um representante do outro lado...

Para os católicos romanos, de fato, ele é o sumo-pontífice, o cabeça da Igreja na terra, dotado de infabilidade quando proclama, sob determinadas condições, questões relativas á fé e à moral.

Evangélicos, de modo geral, atacam violentamente a doutrina papal; outros, não estão nem aí... Também já vi muitos cristãos ortodoxos descendo a lenha no dogma da infabilidade papal..

Mas a questão é: não existem mesmo papas evangélicos?

A pergunta é pertinente porque, ao que parece, há alguns apóstolos, bispos e missionários evangélicos com mais poder em suas denominações do que pontífice romano na Igreja Católica. Este, ainda que , talvez politicamente em algumas ocasiões fato é que o bispo de roma é eleito por um corpo grande de pessoas, e está limitado por uma complexa rede teológico-jurídica que o precedeu. Àqueles, que eu saiba, não foram eleitos por ninguém, e, ao que tudo indica, sentem-se muito pouco limitados em suas ações...

Claro que em todos os casos, o discurso é sempre o mesmo: "a Bíblia é a nossa regra de fé". Ocorre que, na prática, prevalece o "magistério", a versão de interpretação de tais líderes, afinal, são os ungidos de Deus... Eu acho um grande milagre o fato de que a doutrina da Trindade Santa tenha permanecido nestas igrejas.

De qualquer modo, esta reflexão não visa ser uma crítica ao modelo episcopal, ou ao monoepiscopado; pelo contrário, eu mesmo, sou muitíssimo mais simpático a este tipo de governo do que o presbiteriano, o batista, ou o episcopado administrativo e temporário dos metodistas. Tão somente estou a refletir no sentido de que, muitos evangélicos contemporâneos, ao atacarem a doutrina do papado não podem se esquecer de que talvez o seu telhado também seja de vidro...