domingo, 3 de janeiro de 2010

Um santo contemporâneo




Eu falei sobre santos algumas postagens atrás.

Vou falar de alguém que, em minha opinião, com base no que conheço de tal pessoa, posso considerar talvez um dos mais admiráveis santos de nosso tempo.

Este alguém foi o irmão Roger de Taizé.

Ele fundou uma das mais abençoadas comunidades monásticas contemporâneas, a comunidade de Taizé, fazendo renascer, tal tendência, no protestantismo.

Ele era amigo pessoal de João Paulo II e de Madre Tereza. Desta, recebeu pessoalmente uma criança para cuidar, e se tornou seu padrinho.

A comunidade de Taizé, em seu início, abrigava refugiados da guerra e judeus perseguidos.

Atualmente, jovens da Europa e do mundo inteiro vão a Taizé busca um sentido para suas vidas, buscando uma autêntica espiritualidade.

Entretanto, em 2005, ocorreu uma daquelas coisas que por mais que tentemos, não conseguimos explicar.

Durante o ofício, uma mulher, sentada perto de Roger (em Taizé, os monges ficam no centro da platéia), foi para cima dele, e, com uma faca, lhe cortou a garganta.

Roger tinha noventa anos e morreu ali mesmo (lembrei-me deste incidente quando da notícia de que Bento XVI fora derrubado em plena missa no Vaticano).

Os monges levaram o corpo de Roger imediatamente para a sacristia.

Houve espanto geral, gritos, e, após anunciada a morte do irmão Roger, uma comoção geral.

Os participantes de Taizé, naquele momento, surpreendentemente não se foram, antes, ficaram orando a noite inteira.

O vídeo acimda diz respeito a homenagem recebida por Roger, de corpo presente. Uma verdadeira celebração eucarística em memória também de um dos fiéis discípulos de Cristo, que deu sua vida toda como sacrifíciio suave a Deus e aos irmãos.

Em Taizé, se reunem católicos, evangélicos, anglicanos; enfim, cristãos de todas as tendências.

Agora muitos começam a entender minha admiração por Roger e Taizé.




Certa vez ouvi alguém dizer que a teologia do irmão Roger beirava à ingenuidade. Talvez seja verdade; talvez não. Mas o que importa. Talvez seja a ingenuidade de criança a única possível a fazer os cristãos voltarem a se reunir. Em Taizé, realiza-se a parábola do Reino. Pode-se descansar, segundo penso, sem a tensão institucional que cerca as autoridades das diversas igrejas quando juntos estão. É na bondade, caridade, transparência que a confiança nasce. Uma pena que os evangélicos modernos nada sabem sobre Taizé. Há uma necessidade marcante em nossas igrejas de se tentar um sucesso institucional a qualquer custo, um proselitismo agressivo, uma necessidade de se mostrar resultados. Em Taizé não há nada disso. Nem ofertas eles aceitam. Simplesmente montaram uma comunidade para serem aquilo que eles queriam ser. E supreendentemente, milhares de jovens sentem-se atraídos todos os anos para aquele lugar. Comunidades  devem ser como famílias, que se reúnem para viver, para celebrar e se alegrar. Os que quiserem fazer parte de tal família, a ela vão se ajuntando. Não é um produto que a gente tenta ficar convencendo toda hora o cliente a comprar.