segunda-feira, 10 de maio de 2010

Deus é Pai ou Mãe?...

Ontém, por ser dia das mães, vi um pregador dizer que Deus é mãe, e que, foi um fator cultural e patriarcal judaico que fez com que Ele, Deus, se revelavasse como Pai e não como Mãe.

E, complementando, já vi também sugestões, no sentido de se reescrever alguns textos das Escrituras, tipo o Pai nosso ser substituído por Pai/Mãe nosso, ou então, Mãe nossa, ou algum equivalente neutro...

Bom...

Será mesmo assim?

Não duvido da boa intenção do meu amigo pregador, pois, é até um lugar-comum dizer que as Escrituras precisam ser interpretadas à luz do nosso tempo, etc...

Também não desprezo o fator cultural do pensamento judaico.

Entretanto, talvez precisemos ponderar algo antes de aderirmos a tais modismos.

Já era recorrente no mundo antigo à alusão a alguma divindade feminina. Se Jesus era assim tão progressista, poderia, caso quisesse, ter chamado ao Pai de Mãe.

Entretanto, assim não agiu; nem mesmo Paulo, o mais versado no que tange ao mundo helénístico de então. E o judaismo, bem poderia tê-lo feito, pois por mais de dois séculos já estava sob a influência da cultura grego-romana.

Por outro lado, é sabidíssimo em teologia, ou até mesmo entre os mais símples seguidores de Cristo que Deus é Espírito, ou seja, não é nem masculino, nem feminino.

Por isso, estamos diante de duas perspectivas nesta questão: ou a teologia que chama a Deus de Pai foi feita "da terra para o céu", ou seja, é uma questão unicamente cultural; ou é uma teologia que foi feita do céu para a terra, ou seja, foi-nos revelada.

Particularmente, creio no segundo aspecto (ainda que não despreze o primeiro em outras questões).

Se Deus quisesse, poderia ter-se revelado com qualificativos Mãe, mas não o fez.

Porque será?

Porque talvez o qualificativo masculino tenha maiores condições de unir os dois aspectos, masculino e feminino, abstraindo-se, inclusive, da questão sexual, que o feminino de realizar igual função.

Sei que é uma viagem só (de antropologia e biologia, sou de dar dó...), mas, mesmo no mundo biológico, o masculino tem em si os dois princípios (XY), enquanto o feminino somente "XX". Ou seja; se precisassemos perpetuar a espécie somente a partir de pessoas femininas, náo haveria mais homens na face da terra (o que talvez alguns achem uma benção, rsrsr).

De qualquer modo, por mais bonitinho e poético que possa parecer o qualificativo feminino para Deus, notadamente no dias das mães, continuo preferindo tratá-lo da forma como em Cristo, conforme minha fé, Ele se revelou: como Pai.

(acho que no catolicismo tal discussão não faz muito sentido, pois em Maria já há um fortíssimo paradigma para satisfazer o sentimento feminino na religião do povo).